Blog do Neivo Zago

Letras

O último juramento, os últimos discursos, a última formatura

Por Neivo Zago
Foto Divulgação

Para fins de contextualização começo a escrever este texto um pouco antes da meia noite do sábado 29/07 após o jantar de formatura em aprazível companhia dos pais, familiares e amigos (como os Balen), da acadêmica de Letras Luana Andretta - mérito acadêmico - turma de Letras 2014, encerramento de um ciclo do curso brilhante que qualificou e habilitou centenas de docentes.

Há quase cinquenta anos surgia o curso de Letras, o pioneiro dentre poucos incipientes do então Centro de Ensino Superior de Erechim. Apenas quatro anos após eu constava da lista de uma turma de aprovados do que era para a época um curso concorrido. Ainda como acadêmico já começava a lecionar na Escola Nossa Senhora de Lourdes Três Arroios em 1974 sob a responsabilidade das irmãs franciscanas e em seguida, professor do estado em Viadutos. Não se passaram muitos anos e eu já fazia parte do corpo docente de Letras, mormente quando no seu auge havia o ingresso anual de novas turmas. O decorrer dos anos propiciou a criação de laços entre os acadêmicos e os professores até que alguém usando da sua inspiração resolveu intitular o curso como a “Grande Família de Letras”. Assim, como em uma família não é difícil imaginar a dor da perda de um dos seus membros o que dizer então quando toda a família desaparece? Foi o que aconteceu. Desaparecida a Família de Letras desaparecem os juramentos, as belas e expressivas mensagens peculiares do curso e, o pior, e a mais triste realidade: desaparecem as formaturas. Desaparecerão os professores?  

Como parte da formalidade e do protocolo acontece o juramento que, nessas circunstâncias, é antes uma expressão da emoção do momento. Por isso, há nas palavras mais um efeito retórico do que reflexo nas atividades profissionais futuras. Todos os profissionais formados em ensino superior deveriam ter sempre exposto e de maneira vistosa o juramento no qual a palavra “ética” se destaca.

Mesmo que eu me esforçasse sobremaneira e quisesse realçar este texto com palavras carregadas da mais expressiva adjetivação não poderia descrever a beleza dos “últimos discursos” proferidos pela brilhante coordenadora do curso professora Ana D. Mokva que fugindo da trivialidade e do protocolo que marcam esses eventos. Elainovou mesclando um belíssimo texto falado e contextualizado por letras da sonora voz da jovem Viviane Borré e os acordes afinados do violão de Gabriel Lopes, (do coral DaCapo - professor Tailor). Com isso a habilidosa coordenadora deixou claro que o Curso era sui generis, diferente dos demais. Não menos significativo, contundente e até emotivo foi o discurso proferido pela professora Lionira: “Vivemos hoje um dia de contraditórios sentimentos: um dia de tristeza e de alegria”. Do mesmo escol se caracterizou a mensagem proferida pela Luana, oradora da turma e da mensagem da diretora acadêmica.

O curso de Letras desde o seu iniciou perfilou inúmeras turmas sucessivas a ocuparem as salas e os corredores, e os murais, e as galerias, e os pátios da URI por quase cinquenta anos de história. Desde 1969, os pioneiros matriculados (a turma do sol nascente) que eram muitos, até as acadêmicas, “do ocaso” (do sol poente) “as sete preciosas chaves” – da paraninfa Lionira que foram devidamente contextualizadas por personagens da literatura. O curso de Letras fez parte da história da Instituição que perde um pouco do seu brilho porque o sol poente não voltará mais a ser nascente. Em vez disso uma nuvem plúmbea e lúgubre tomou os céus do câmpus. E, quando acontece uma perda, dessa natureza perdem todos os envolvidos no processo. Nem mesmo resolvem certos discursos eloqüentes, mas pouco convincentes endereçando ou terceirizando responsabilidades a outrem como o contexto econômico, o político e assim sucessivamente.

Por isso, ainda consternado apelarei à força da oração em sufrágio do curso, não apenas nesse sétimo dia de passamento, mas diuturnamente até quando o pesadelo se dissipar e a saudade e a memória do curso estiverem ainda vivas na memória.

P.S.: Uma saudação especial ao Vitor Nardelli pelas considerações ao artigo anterior incluindo outros que fazem referências, e a você leitor pela leitura e apreço. Ainda: por uma questão de falta de outras releituras acabam ocorrendo pequenos senões em certos escritos, como ocorreu no texto anterior e, talvez, até neste. Minha escusas.          

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