Blog do Neivo Zago

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Uma página para a Ondina, a globetrotter

Por Neivo Zago
Foto Divulgação

Globetrotter, para lembrar, é "uma pessoa que corre o mundo, um viajante, aventureiro, explorador de lugares; um excursionista". Essa era, uma das peculiaridades, dentre outras, que definem a colega e amiga Ondina, que nos deixou há uma semana.

Talvez, a maior riqueza individual é que cada pessoa tem a sua identidade, suas peculiaridades e suas características que a tornam diferente e única. Não é isso maravilhoso?! Eu sou único, você também o é, e assim, era a Ondina.

E, nessa unicidade, cada qual vive com mais ou menos intensidade a vida, e vai deixando as suas marcas e pegadas, por onde passa. Há pessoas parecidas com uma brisa leve, um vento quase imperceptível; outras, ao contrário, se assemelham a intempéries que deixam "estragos" pelo caminho. Essas pessoas, normalmente, estão mais à vista, do que aquelas; são mais criticadas, até porque, se expõem mais, e não se conformam com as injustiças. Um desses exemplos era a Ondina Piaia.

"Criar um filho, escrever um livro e plantar uma árvore". Seria esta a meta que todas as pessoas deveriam perseguir até chegar à completude? A nossa personagem em questão, Ondina, há pouco, lançou o seu livro de sugestivo título: Um Jogo de Opções no Tabuleiro da Vida. Sim, a vida é um quebra cabeça enigmático e de solução difícil. O texto é uma obra autobiográfica relatando suas muitas experiências; embates sindicais e do magistério. Constam ainda da obra relatos das suas viagens realizadas por quatro continentes. Portanto, a meta do livro ela atingiu. Árvores? Deve tê-las plantado com certeza, e não poucas. Apenas, não gerou filhos biologicamente, mas como professora plantou sementes de esperança, de justiça, de bons exemplos e de sólidos princípios, no coração e na mente de centenas e centenas de estudantes que por ela passaram.

A Ondina era uma cidadã contumaz no que dizia respeito ao combate à corrupção, talvez a chaga mais visível e presente na sociedade. No projeto A Voz do Povo era um ícone, do quarteto de professores, Guilherme Barp, Antônio Andriolli e Neivo Zago. Batalhadora, inquieta e inconformada com as mazelas e miasmas da politicagem. Decepcionou-se com o PT, partido que ela ajudou a organizar, quando viu, desencantada, tomar outros rumos, do que eram e deveriam ser os seus objetivos precípuos. 

A Ondina, batalhadora, embora tenha vivido como um vento impetuoso partiu de mansinho, como brisa leve, nos seus 86 anos de vida. Ainda, no dia anterior, sábado, no encerramento da 19ª Feira do Livro, dentre outros objetivos, lá estava ela resoluta, tentando repassar seus livros. Um tanto decepcionada confessou-me que conseguira vender apenas três volumes. Isso, me fez lembrar outra vez do: people don't read (as pessoas não leem) e que poderia ser acrescido de: people don't buy books (as pessoas não compram livros). Ao menos, é o que deixam transparecer

Nossa globetrotter saiu desse mundo de mãos vazias, porém deixa um legado muito significativo para os familiares e amigos, estes, que nos últimos anos da sua vida não foram muitos, porém verdadeiros: Os amigos, não precisam ser abundantes, mas, devem ser de qualidade. Da globetrotter gratas e boas lembranças ficaram gravadas na minha memória e da Guiomar, como: a do chopp, do carreteiro e do pastel salgado, na última edição do Acampamento Farroupilha; da "cascudada", que ela patrocinou, por ocasião dos seus 86 anos, em Piratuba! Muitas outras passagens da vida da Ondina poderiam ser recordadas, pelos seus familiares; pelas amigas Eni, Líbera, Dalva,  Helena Bonorino, e Ladi, bem como por nós, do grupo: A Voz do Povo. Ao mesmo tempo, em que sentimos a sua perda, agradecemos a Deus por seu companheirismo e amizade. Ela partiu! Levou parte de nós, mas deixou também a sua parte. Uma pessoa como a Ondina, merece muito mais do que uma página escrita, como esta singela. Merece um livro!

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