Blog do Igor Dalla Rosa Muller

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AMAU e entidades deveriam se posicionar a favor de um candidato regional

Por Igor Dalla Rosa Muller
Foto Charge Henfil

Volto ao assunto pelo mesmo motivo exposto aqui outras vezes, pelo momento em que nos encontramos e a necessidade do Alto Uruguai assumir as rédeas do rumo da política regional. Ah, nem terminei de escrever essa linha e lá do fundo alguém já grita que isso é impossível. Sim e não, respondo.

Como se faz política hoje? Falo aqui como eleitor, cidadão, um simples espectador. Se o que vier a seguir parecer muito óbvio caro leitor me desculpe. Individualmente ou coletivamente? De ambas as formas. No entanto, não há nada que se sustente na individualidade. Essa ideia, apesar de ainda não estar totalmente superada, não se sustenta e não traz resultados efetivos.

Hoje, a escolha de um candidato a deputado federal se dá na maioria das vezes por intermédio de um político da região ligado a este candidato. Certo?

E como se dá isso? O político, por exemplo, da cidade faz a indicação aos eleitores daquela cidade para que votem num tal sujeito lá de muito longe ou outra região qualquer.

Mas o porquê disso? Basicamente esta indicação ocorre em função deste político trazer emendas parlamentares para aquela cidade, o que é de fato importante e transforma a realidade do município, pois opera mudanças reais e efetivas. Este argumento é concreto e tem fundamento.

Noutro caso, o político local, vereador, articulador, ex-prefeito, ex-deputado, ex-prefeito, que tem ambições políticas – boas é claro, e certa queda pelo poder e vitrine – intrínsecas e inevitável à lida política. Este mesmo aspirante quer galgar degraus no meio político – quer ser prefeito, deputado, etc., enfim, e para isso vai indicar aos seus amigos, à sua comunidade, eleitores que votem no fulano de tal também lá de outra região, por exemplo. Assim, ele acaba sendo cabo eleitoral do político de outra região, projeta a si e direciona os votos locais para bem longe daqui, fragmentando a votação.

Quanto ao empresário local, muitos não tomam conhecimento do assunto, e outros estão entre apoiadores e partidários dessa mesma lógica.

Não dá para simplesmente criticar à toa esta estrutura, porque a política tem muitos descaminhos e desvios. E para chegar lá é muito difícil é uma longa jornada. Mas o conflito de interesses é inevitável enquanto a prioridade estiver centrada no indivíduo, seja como prefeito ou como aspirante de prefeito. A região fica necessariamente em segundo plano. Não somente ela.  

Pode ser que dentro dessa lógica um dia a região eleja um deputado federal, com a fragmentação de votos? É muito improvável. E aqui mora a contradição, porque o horizonte desse mesmo político vai ficar sempre limitado pela atuação de políticos de outras regiões.

Tendo em vista esses dois exemplos, e a maneira de fazer das coisas, a região nunca conseguirá eleger um deputado federal. É claro, segundo o meu ponto de vista.

Bom esclarecer que um deputado federal não vai resolver todos os problemas da região, mas poderia ser mais um suporte político para as grandes demandas da região.

Não estou querendo polemizar, mas esclarecer que se continuar assim, nada vai mudar, e o Alto Uruguai vai continuar relegado, adiado para um futuro distante, inatingível. Só isso.

O desafio é colocar na mesma mesa as lideranças econômicas e políticas da região e decidir por uma candidatura regional com candidato da região. E, aqui, no meu entendimento, a AMAU deveria se posicionar a favor de um candidato, assim como todas as outras entidades. Criando um efeito em cascata, multiplicador, buscando a adesão do máximo possível de pessoas. Mas isso tem que ser feito publicamente, abertamente. Do contrário, que ninguém venha falar de esquecimento político depois das eleições.

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