Blog do Neivo Zago

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“La vergogna de avere perso la vergogna”

Por Neivo Zago
Foto Divulgação

                                                       O papa Francisco, sempre incisivo em suas manifestações, mais uma vez foi taxativo e cirúrgico na sua homilia ao final da tradicional via-sacra, em Roma, nas cercanias do Coliseu.

Talvez nenhuma personalidade hoje seja mais importante e tem respaldo e autoridade de se pronunciar sobre assuntos de várias naturezas, como é o Papa Francisco. Toda e qualquer intervenção proveniente dele parece fazer sentido, seja ela de cunho religioso, ou sobre outros assuntos.  Pena que elas não parecem fazer muito efeito e os mandatários mundiais se “não ligam para a ONU, por que iriam se preocupar com o papa?”.  (Nilson Souza – ZH:18.04). Vale a pena ler o artigo todo intitulado: O bom e o sábio.

A homilia do pontífice, após a tradicional via-sacra foi endereçada a toda e qualquer instituição, governos e afins e tocou a consciência de milhões de cidadãos do mundo, sem exceções. Da trilogia, tema da sua homilia: vergonha, arrependimento e esperança, o Papa Francisco dirigiu toda a sua oração para Jesus: “O nosso olhar está dirigido a TI, cheio de vergonha, arrependimento e esperança. A vergonha com que olha Jesus deve-se à herança que a geração de hoje deixa aos jovens de amanhã: um mundo fraturado por guerras, um mundo consumido pelo egoísmo onde os jovens, os fracos, os doentes e os idosos são marginalizados”.

O papa nem mesmo poupou a sua própria igreja, incluindo alguns ministros, os quais “se deixam levar pela ambição e pela vaidade, perdendo a sua dignidade e o seu primeiro amor”. E, o pior: la vergogna de avere perso la vergogna. A vergonha de ter perdido a vergonha. Se analisarmos sob uma ótica holística, talvez seja esta última crítica a mais contundente e a que mais se adapta a uma considerável parcela de instituições e de pessoas pelo mundo afora, mesmo porque a sua mensagem não tem segregação de línguas, de raça, de cor ou de qualquer outra natureza. Nesse sentido, não há como não fazer alusão a muitos políticos, aos quais caberia muito bem “a vergonha de ter perdido a vergonha”. Sim, porque dessa classe há muitos corruptos sem-vergonhas, pois perderam a vergonha e o pudor. Muitos dessa clientela sequer sabem avaliar, ou não querem ver e ler o status quo vigente, dos cidadãos carentes sem acesso a serviços básicos e tampouco, uma vida digna.  

Já, sobre o arrependimento, o papa enfatizou que só Jesus pode salvar do mal e curar homens e mulheres do flagelo do ódio, do egoísmo, da soberba, da avidez, da vingança da cobiça e da idolatria.

Por sua vez, o terceiro pilar da reflexão papal salientou a esperança. O papa lembrou que “só o abraço fraterno pode dissipar a hostilidade e o medo do outro”. Tem razão o jornalista Nilson Souza em asseverar que os governantes não “dão bola” para as mensagens pontifícias. Porém, os cidadãos do mundo marcados pela fé, bondade, esperança e boa vontade, até mesmo os de outras religiões, se coadunam com os dizeres do Papa Francisco. Infelizmente se no mundo reina o caos grande parte da responsabilidade pode ser atribuída aos líderes, dentre os quais governantes indignos que ocuparem cargos e funções tão importantes.

Em tempo: Gostaria hoje de lembrar e me solidarizar com a Celina Demoliner (Aninha), a filha e demais familiares, os quais nesta semana perderam a quase centenária (98 anos), Luiza Risson Demoliner. Uma vida longeva, cheia de histórias quase atingindo os 100 anos de Erechim. Já, em se tratado de esportes é justo e salutar destacar o atleta Pedro Henrique Baidek, vice-campeão mundial do Special Needs World Judo Games, um grande feito digno de registro. Aos pais e a ele o nosso apreço. 

Se analisarmos                

E olhar de arrependimento deve-se também ao facto “de sentir a nossa pequenez, o nosso nada, a nossa vaidade e de nos deixarmos ser acariciados por seu doce e poderoso convite à conversão”.

A esperança, porque tantos missionários e missionárias continuam, ainda hoje, a desafiar a consciência adormecida da humanidade, arriscando a vida para te servir nos pobres, nos marginalizados, nos imigrantes, nos invisíveis, nos explorados, nos famintos e nos presos”, disse.

Antes de terminar a sua oração, o sumo pontífice pediu a todos para se despojarem “da arrogância do mau ladrão”. Em contrapartida, os fiéis cristãos deverão personificar o bom ladrão.

“Que personifiquemos o bom ladrão que te viu com olhos cheios de vergonha, de arrependimento e de esperança; que, com os olhos da fé, viu na tua aparente derrota a divina vitória e, assim, se ajoelhou diante da tua misericórdia e, com honestidade, roubou o paraíso”, concluiu o Papa.

A cerimónia da cruz, que passa de mão em mão para lembrar o calvário e o caminho de Cristo até à crucificação, foi acompanhada pela leitura de algumas meditações, cuja redação este ano foi confiada a jovens entre os 16 e os 27 anos, em sintonia com a decisão do papa de dedicar 2018 às novas gerações.

A cruz foi levada, entre outros, por uma família síria e por duas freiras dominicanas de Santa Catarina de Siena que escaparam aos jihadistas no Iraque.

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