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“Ela me encheu de lixo. Me chamou de ignorante”

Por Neivo Zago
Foto Divulgação

          “Ela me encheu de lixo. Me chamou de ignorante”

                                                                                                     Neivo Zago

É sabida a expressão: “de poeta e de louco cada um tem um pouco”. Não valeria o mesmo para, e de corrupto e de ignorante. Seria pouco, ou bastante?

 

     Quantas vezes ouvimos conversas, mesmo sem propósito e nem intenção de nos imiscuir no assunto e no interesse dos seus interlocutores. Isso acontece com bastante frequência, quer queiramos ou não. Basta estarmos expostos a ambiente onde existe aglomeração de pessoas, como em restaurantes. E foi exatamente em um desses espaços quando almoçava próximo a três senhoritas ocupando a mesa ao lado.  E, durante a conversa uma fazia o seu desabafo, provavelmente falando de uma terceira pessoa, a que provavelmente lhe magoara. “Ela me encheu de lixo e me chamou de ignorante”, repetiu a magoada com alguma insistência, durante o papo com suas amigas.

     O seu desabafo serviu para suscitar este texto. E sem desejar fazer um juízo temerário e antes que alguém me interprete como um preconceituoso, a autora da queixa aparentava ser uma trabalhadora simples, dentre outras tantas que desempenham tarefas comuns e não uma profissional liberal, dona de algum negócio.

    Mas, seja quem for e qual a função que exerça ninguém, é óbvio gosta de ser achincalhado, seja em particular, ou em público, por quem quer que seja. Logo, pressuponho que os impropérios sobre os quais a protagonista estava se referindo poderiam ter vindo de uma concorrente sua. Pior, para ela, além de ter sido enchida de lixo, foi de ser chamada de ignara.

    Em me referindo ao lide acima, pensei que, em certas circunstâncias somos muito mais ignorantes frente a tantas situações do cotidiano que temos de poeta, de louco e de corruptos, um pouco. Se levarmos em conta que a palavra ignorante, vem do verbo ignorar, na acepção de: “não saber, desconhecer, não levar em conta, não praticar e não de: censurar, criticar”, todos nós somos, indistintamente, ignorantes.

    E assim raciocinando poderíamos arrolar muitos exemplos das nossas ignorâncias e da nossa condição de ignorantes, em muitos contextos e situações. A começar por nós próprios, cada um em particular, por mim. Se eu não vejo progresso em meus estudos de italiano e de violão é porque eu ignoro (não por não saber), mas por não me dedicar com mais intensidade, tanto para um, quanto para  outro. Nesse sentido, sou ignorante. E, em se referindo à leitura não seria o povo brasileiro um tanto ignorante, ou bastante, uma vez que a maioria não tem afinidade que essa prática.

     Ignorantes, no sentido de “não levar em conta” são todos os maus políticos, gestores, líderes enfim, os revestidos do poder que direcionam as suas ações, o seu trabalho e as suas funções visando primeiramente satisfazerem o seu ego. Ignorante são todos os corruptos, todos os que se envolvem em operações ilícitas, visando enriquecimento ilícito, lucro fácil; essa ignorância é inaceitável, mormente porque eles não levam em consideração (ignoram), que as suas ações prejudicam seus semelhantes nas mais diversas formas.

Para finalizar, e não estender este texto, uma vez mais eu reitero: como é bom ouvir as pessoas, mesmo sem intenção e de excertos fortuitos de conversas, aprender com eles. Aprendi desta experiência que não necessariamente precisarei ficar irritado, como parecia a senhorita quixosa, quando me chamarem de ignorante, apesar de, sinceramente, não me lembrar que alguém tenha assim me chamado. E nem você precisa! E nem ninguém!  Sim, ninguém! Até porque se de poeta e de louco cada um tem um pouco.  E, em relação à ignorância, também. Alguns mais outros menos, mas ninguém é perfeito, a não ser o Companheiro (todos o conhecem) que afirmou “não existir ninguém mais honesto e justo do que ele”. Segundo ele e outros, a justiça é que é injusta. Bem, aí é assunto para outro texto.   

 P.S.: Como foi sofrível assistir ao jogo entre Ypiranga x Glória. As duas equipes ignoraram o bom futebol. Respeitaram-se demais, pois o embate envolvia a liderança. Menos mal, que no final uma jogada fortuita resultou em gol, para o alívio da torcida, direção, jogadores. Nossa, que sufoco!

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