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O governo tem que mudar

Por Igor Dalla Rosa Muller

Orçamento Federal (Fiscal e Seguridade Social) executado (pago) em 2017 = R$ 2,483 trilhões

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A abordagem do governo federal diante da greve dos caminhoneiros é muito esclarecedora, e fica evidente que o Brasil não tem governo, ao menos não para vencer os desafios que a economia brasileira tem para resolver.

E, não importa a gravidade do problema, um país inteiro parado, improdutivo e desabastecido, beirando o caos, a abordagem é superficial, com resultados mínimos, no final ineficiente.

Políticos com muitos privilégios e nenhuma disposição para transformar a realidade, e a grande maioria da população pagando o pato todo o dia, empobrecendo, vendo a vida escorrer pelo ralo, quando não pagando com a própria vida.    

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) fala em perda de arrecadação na ordem de R$ 9 bilhões. Que perdas? Não faz nenhum sentido falar em perdas, já que em última análise, esse dinheiro somente vai deixar de sair do bolso de quem paga todas as contas do Brasil, e que para lá deveria voltar em forma de serviços e obras.

Não há nenhuma perda, mas somente ganhos, porque sem o trabalho dos caminhoneiros nada funciona, não há comércio, agricultura ou indústria. Isto é, não há geração de riquezas e consequentemente, não há consumo, e sem consumidor não há impostos, que irão custear a cadeira em que senta e o teto que lhe dá cobertura e todos os outros benefícios que recebe como parlamentar brasileiro. Simples assim, caro presidente Maia, não há nenhuma perda.

Aliás, esta percepção de perda nunca fez sentido e os seus efeitos são devastadores. Falar em perdas deixa claro que a prioridade não é o sistema produtivo e, principalmente, o mais relevante de tudo, o cidadão, que faz esse país funcionar.

Sem o esforço diário dos milhões de brasileiros nada disso é possível, nada disso se sustenta, não há Câmara dos Deputados, Senado, governadores, políticos, mordomias e muito menos a incapacidade gerencial política em resolver os problemas do país.

Ninguém está pedindo esmola, governo, Petrobras, deputados, senadores só fazem sentido em existir se for para beneficiar o povo brasileiro. Essa é a questão, do contrário a sua presença é questionável e irrelevante.

É nessa hora que a classe política tem que justificar o sacrifício que o povo brasileiro faz para mantê-la no seu cargo, mostrar se vale a pena ter toda essa estrutura, que é uma das mais caras do mundo.

Essa pachorra política tem que acabar. A falta de comprometimento em agir e deixar a coisa rolar tem que mudar. Essa postura do governo em não antecipar os efeitos das ações políticas e deixar o problema estourar no colo do cidadão tem que acabar.

O governo tem como resolver essa situação, porque dinheiro tem, já que arrecadou quase 1 trilhão de reais em impostos até o presente momento. Reúna os economistas do país, ache uma solução, mas que não seja a rotineira e habitual: sacrificar o cidadão.

Não dá para tirar um pouquinho dos juros e da amortização da dívida pública para manter o país trabalhando? O país está em chamas, beirando o caos, mas não pode mexer no dinheiro dos juros? Está certo isso? Todo esse montante de recursos tem que estar a serviço de quem, afinal? O valor é o da vida e do trabalho? Sim ou não? Que vida e trabalho estão sendo cultivados com todo esse montante de dinheiro? Para onde vão esses recursos?

O foco tem que mudar, a prioridade tem que ser o bem-estar do cidadão e a eficiência do sistema produtivo do país. O político tem que entender isso ou a coisa tende a descambar para o pior. E os indícios já estão aí.  É hora de mudar.  

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