Blog do Gleison Wojciekowski

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Naudi Dalpizzolo - A bateria e o vocal dos Crazy Boys

Por Gleison Wojciekowski
Foto Divulgação

Naudi DallPizzolo nascido em São Valentim, aos 19 dias do mês de maio de 1948, neto de imigrantes italianos, e um dos cinco filhos de  Antônio Dallpizzolo  e Esterina Agnoletto Dalpizzolo, que vieram das colônias velhas, mais especificamente de Veranópolis para São Valentim.

Suas primeiras influências musicais vêm em primeiro lugar de seu pai, com que passava horas ouvindo a Rádio Tupi de São Paulo, onde teve contato com a música de Tonico e Tinoco por exemplo; e a outra influência que despertou o desejo musical em Naudi foi um gaiteiro de sua cidade natal.

Em 1961, quando veio morar em Erechim, Naudi Dalpizzolo conheceu aquele que seria seu companheiro inseparável durante décadas, Pedro Cunha, conhecido por todos como Pedrinho, e com quem Naudi tinha muito em comum, como cantar, mas em especial o amor pela música que tomava de assalto as rádios do Brasil e do planeta, era o rock and roll, principalmente The Beatles e artistas do movimento da Jovem Guarda.

Pedrinho tinha um tio músico, senhor Dorival Cunha, baterista do trio de Oswaldo Engel, grupo este que a dupla de amigos assistia os ensaios sempre que possível. Certa vez, em um matinê que o trio de Oswaldo Engel estava tocando no antigo Clube 25 de Julho, são anunciados de surpresa para dar uma “canja”, e então Pedrinho e Naudi encaram e tocam musicas que sabiam de ouvir discos, como La Bamba, Calhambeque, etc. Vale salientar aqui que além de cantarem, Naudi tocou pela primeira vez bateria, sem nunca antes ter encostado em uma.

Mas talvez o momento derradeiro para a constituição do que viria ser a banda da vida dos dois garotos aconteceu em um domingo à noite de setembro de 1964, na então TV Erechim, no programa chamado “A Noite é Nossa”, apresentado por um ícone da comunicação desta região, Jovino Martins. Nesta noite os dois amigos Naudi e Pedrinho iriam se apresentar apenas cantando, enquanto outra dupla composta por Paulo Muller e Vagner Brusamarelo, aguardavam para uma apresentação puramente instrumental, foi quando Jovino Martins sugeriu que os dois violonistas acompanhassem os dois cantores. Passaram algumas musicas durante alguns minutos em uma sala ao lado do estúdio, e voltaram para sua apresentação quando Jovino perguntou o nome do grupo. Neste momento Naudi e Pedrinho, lembram de como a irmã de Pedrinho, Elaine Cunha os chamava, “The Crazy Boys”. Nesta apresentação o grupo executa as músicas que passavam o dia ouvindo, hoje clássicos do rock de artistas como The Beatles, Roberto Carlos, Trini Lopez, Richie Valens etc; em poucos minutos o telefone da emissora começou tocar desesperadamente com ligações ávidas da audiência, ou seja, o grupo montado pelo acaso atinge um sucesso regional instantaneamente.

Com esta mesma formação (baseada em dois violões e duas vozes) Naudi e The Crazy Boys se apresentam por toda a região, mas buscam uma formação instrumental mais completa, e neste momento Pedrinho passa para o contrabaixo e Naudi assume as baquetas. Em seguida para completar esta formação, chamam para compor a banda, mais um guitarrista solo, apelidado carinhosamente pelos amigos de Zezo, sendo seu nome de batismo Tito Lívio Rosa, que viria a falecer pouco tempo depois.

Nesta formação clássica fazem parte ainda dois nomes importantíssimos que inclusive, permanecem no grupo atualmente. São Sérgio Intkar, que entrou para o grupo como tecladista inicialmente, e em seguida assumiu a função de guitarrista solo; e Paulo César Casarin, tecladista, ambos já citados nesta coluna.

Talvez o dia “D” para o grupo aconteceu durante um baile de Reveillon de 1968, na Sociedade Hípica de Porto Alegre, em que estava presente o empresário de Roberto Carlos, sr. Antônio Rios, que os convida para participar do programa Jovem Guarda na TV Record na capital paulista, mas o grupo, talvez por desconhecer a sua grandeza recusa o convite.

Apesar do sucesso regional, The Crazy Boys encerram suas atividades em 1972, anos que o rock progressivo e o hard rock já tocavam mundo fora, por divergências musicais.

Com o então fim da banda, Naudi foi convidado por Tatu em 1972, para fazer parte do Conjunto Musical Os Ipanemas, para se revezar entre percussão e bateria com o irmão de Tatu, o baterista Santa Maria (já citado nesta coluna).

Os Ipanemas tocam em diversos bailes nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Com o tempo o grupo mudou de formação algumas vezes, mas Naudi Dalpizzolo chegou a tocar nos Ipanemas com grandes músicos como o tecladista Dudu Trentin, o guitarrista Alegre Corrêa (já citados nesta coluna) e o baixista Gringo Saggioratto.

Paralelamente a tudo isso, Naudi Dalpizzolo conhece sua futura esposa Miriam Dalpizzolo, com quem monta a loja de confecções Exito em 1979, e com quem se casaria em 1984, com quem teria dois filhos Daniel Dalpizzolo nascido em 1989, jornalista e Lola Dalpizzolo, nascida em 1991, atualmente acadêmica da Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo.

Com o volume de trabalho na loja Exito, Naudi decide parar com os bailes e sai do grupo Os Ipanemas em 1980.

Com o passar dos anos Naudi Dalpizzolo sente o desejo de tocar novamente, assim como os outros membros da banda The Crazy Boys, fazendo com que a banda retornasse com sua formação original em 1987, em um baile no Clube do Comércio.

Desde então o grupo não parou mais suas atividades, e além dos músicos já citados, também tocaram temporariamente ao lado de Naudi Dalpizzolo e The Crazy Boys músicos como o tecladista Luciano Menegatti, o guitarrista Edson Rocha (Rochinha), o tecladista Gleison Juliano Wojciekowski e o guitarrista Murilo Cunha (filho de Pedrinho).

Dos registros discográficos deixados por Naudi e The Crazy Boys, podemos citar um CD lançado em 2003, pela LC Produções e Gravações em 2003, onde contem uma composição de Naudi, chamada “Erechim com você é mais”; e um registro em vídeo, gravado por Beto Hackmann.

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