Blog do Coluna do Leitor

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Adorei

Por Coluna do Leitor
Foto Divulgação

Adorei!

Neide Lourdes Piran

Proessora aposentada

 

Deixo por um momento a questão ambiental para escrever sobre um tema que, como oriunda das Ciências Sociais, também posso opinar. Não só por isto, mas porque se trata de um tema que faz parte da realidade fática das famílias contemporâneas.

Já tive oportunidade de escrever sobre isto o ano passado, já que um familiar teve como desafio defender sua monografia do curso de Direito sobre os novos arranjos familiares.

Por que veio à tona este tema? Porque, ouvindo um dos canais televisivos dois dias antes do Dia das Mães, uma jornalista inseriu-se no noticiário colocando que o bom senso diria que esta efeméride não mais deveria ser festejada nas escolas (assim como o Dia dos Pais), sendo trocada pelo Dia da Família. Mas no seio familiar, sim.

Quais as razões de tal sugestão? Diz ela que a realidade familiar mudou, não existe mais só um tipo de arranjo (como o da família nuclear), já há algum tempo, no mínimo a partir da Constituição de 1988, que abraçou outras possibilidades. Portanto, pode ser muito constrangedor para crianças e adolescentes que vivem ou optaram por uma nova concepção de família.

Expressava a jornalista que ainda existe muita resistência da sociedade em aceitar outras configurações que não a tradicional (pais e filhos ligados por laços consangüíneos). Mesmo que esta resistência persista é preciso dar-se conta que a realidade é outra e que nada fará com que haja volta à cultura instalada desde há muito.

E isto porque, também, já está previsto no novo Direito de Família o acolhimento dos demais arranjos familiares, ligados especialmente pelo afeto. Passando um olhar pelas jurisprudências já acontecidas pelo Brasil afora e por outros países, a justificativa maior continua sendo o resguardo da dignidade humana, como direito fundamental.

Já se verificou que quando determinadas datas são comemoradas no âmbito escolar podem causar tristeza a muitas crianças e adolescentes ou porque os pais já não existem mais, ou porque estão sendo cuidados por outros familiares ou porque são filhos do coração, o que não se constitui em nenhum demérito.

O jornalista âncora perguntou à jornalista entrevistada: “Então, será que não haverá frustração em não acontecer as comemorações na escola?” Responde: “Não, se as datas do Dia das Mães ou dos Pais forem trocadas pelo Dia da Família, contemplando os vários  arranjos familiares, o que trará resguardo da realidade de cada um”.

Fiquei muito feliz com o posicionamento da referida jornalista (não identificarei porque não tenho a licença para tanto) pela clareza nas colocações e por atender a um perfil de mulher contemporânea que eu aprovo, isto é, de ser aberta às mudanças de cultura, pelo respeito aos direitos fundamentais dos indivíduos/cidadãos quanto à liberdade de escolha da constituição familiar.

Não vamos confundir família com parentesco. Este último pode ser por consangüinidade ou afinidade, requisito que não necessariamente deva existir no que chamamos de família na contemporaneidad.e.

O desafio de pensar sobre isto é da sociedade como um todo, mas, obrigatoriamente e especialmente, das escolas de Ensino Fundamental, públicas ou privadas mostrando que é o lugar do conhecimento, do saber, do espaço que se preocupa não só com o ensino, mas com a formação do caráter dos seus estudantes. Também, de estar atenta às transformações que a sociedade humana produz, sempre refletindo filosoficamente sobre as mesmas.

Tomara que eu encontre por aí professores que possam me dizer: “Nossa escola já está comemorando o Dia da Família e, assim, contemplando a diversidade familiar”. E não porque me devam alguma explicação, mas por podermos assumir juntos uma cumplicidade em favor do resguardo de direitos que, certamente, pode fazer as pessoas mais felizes e cultivarem o sentimento de pertencimento tanto quanto outros..

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