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“A seta da evolução não é o ser humano, mas a vida” (Boff)

Por Coluna do Leitor
Foto Divulgação

“A seta da evolução não é o ser humano, mas a vida” (Boff)

(Contribuição para mais uma reflexão na  Semana Municipal do Meio Ambiente)

Neide Lourdes Piran

Professora aposentada

 

Desde que optei por dar uma atenção especial às questões ambientais, um dos meus inspiradores foi o filósofo e teólogo Leonardo Boff. Assim, para a Semana Municipal do Meio Ambiente não poderia deixar de divulgar o que ele escreveu e publicou em 14 de maio do corrente ano, encontrado na Internet e que divido com os leitores. Por que? Pela generosa sapiência dele.

Escreveu: “Na compreensão dos grandes cosmólogos que estudam o processo da cosmogênese e da biogênese, a culminância desse processo não se realiza no ser humano. A grande emergência é a vida em sua imensa diversidade e àquilo que lhe pertence essencialmente que é o Cuidado. Sem o Cuidado nenhuma forma de vida subsistirá. Imperioso enfatizar: a culminância do processo cosmogênico (teoria que explica a origem do Universo) não se concretiza no antropocentrismo, como se o ser humano fosse o centro de tudo e os demais seres só ganhariam significado quando ordenados a ele e ao seu uso e desfrute. O maior evento da evolução é a irrupção da vida em todas as suas formas, também na forma humana.

Os biólogos descrevem as condições dentro das quais a vida surgiu, a partir de um alto grau de complexidade e quando esta se encontra fora de seu equilíbrio, impera o caos. Mas o caos não é apenas caótico. É também generativo, isto é, pode gerar novas ordens e várias outras complexidades.

Os cientistas ainda não sabem bem definir o que seja a vida. Ela é a emergência mais surpreendente e misteriosa de todo o processo cosmogênico. A vida humana é um sub-capítulo do capítulo da vida. Vale enfatizar: a centralidade cabe à vida. A ela se ordena a infra-estrutura físico-química e ecológica da evolução que permite a imensa biodiversidade, dentre ela, a vida humana consciente, falante e cuidante.

A vida mostra uma unidade na diversidade de suas manifestações, pois todos os seres vivos carregam o mesmo código genético de base que são os 20 aminoácidos e as quatro bases fosfatadas, o que nos torna a todos parentes, irmãos e irmãs uns dos outros. 

Cuidar da vida, expandi-la, entrar em comunhão e sinergia com toda a cadeia de vida é celebrar a vida: eis o sentido do viver dos humanos sobre a Terra, também entendida como  Gaia (Teoria  criada por James E. Lovelock, que descreve o planeta Terra como um organismo vivo, que apresenta características como a atmosfera com química e a capacidade para manter e alterar suas condições ambientais - o que não acontece com outros planetas do sistema solar). Nós, humanos, somos a porção de Gaia que sente, pensa, ama, fala  e venera.

A centralidade da vida implica em assegurar os meios de vida: alimentação, saúde, trabalho,  moradia,  segurança, educação e lazer. Se estandartisássemos a toda a humanidade os avanços da tecnociência já alcançados, teríamos os meios para  todos desfrutarem dos serviços com qualidade, que somente setores privilegiados têm acesso.

Ainda o Saber é entendido como poder a serviço de poucos e a serviço do sistema imperante, injusto e desumano. Postulamos um poder a serviço da vida e das mudanças necessárias e exigidas por ela.

Por que não fazer uma moratória de investigação em favor de mais democratização do Saber e das invenções já acumuladas pela civilização para beneficiar a todos?

Este constitui o grande desafio para o século XXI. Ou podemos nos autodestruir (pois construímos já os meios para isso) ou podemos também começar, finalmente, a criar uma sociedade verdadeiramente justa e fraternal junto com toda a comunidade de vida”.

Quanta lição de vida! Sejamos, pelo menos, um pouco disso.

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