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Salmo 74 - Lembra-te do Monte Sião

Por Dennis Allan
Foto Divulgação

Salmo 74 - Lembra-te do Monte Sião

Dennis Allan

O povo de Israel, escolhido por Deus e tratado com privilégios especiais durante séculos, se encontrou na angústia do cativeiro e procurou entender por que Deus havia abandonada sua nação. Seja de natureza profética ou histórica, o Salmo 74, atribuído a Asafe, lamenta esse sofrimento e clama a Deus para restaurar sua comunhão com a nação.

Como outras grandes orações na Bíblia, esse hino é uma súplicabaseada no caráter do Senhor. Os argumentos não são fundados nos merecimentos do povo, e sim na grandeza de Deus. O único sentido de mérito humano incluído nesse Salmo são os apelos para Deus castigar seus inimigos por causa das suas blasfêmias. Juntando essas duas perspectivas, o motivo para o Senhor salvar seu povo e castigar os inimigos é o mesmo: defender seu próprio nome. O salmista pede para Deus se lembrar da sua posição em relação ao povo, ao templo em Jerusalém e aos inimigos. Podemos seguir o raciocínio do hino, observando estes apelos:

“Lembra-te da tua congregação, que adquiriste desde a antiguidade,que remiste para ser a tribo da tua herança;lembra-te do monte Sião, no qual tens habitado” (verso 2). Desde as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó e as proezas realizadas no livramento dos israelitas da escravidão no Egito, Deus havia trabalhado para criar e preservar o povo de Israel. Monte Sião, o local do templo em Jerusalém, foi visto como a habitação de Deus desde o reinado de Davi.

Agora, porém, o templo estava em ruínas: “Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas,tudo quanto de mau tem feito o inimigo no santuário” (verso 3). Enquanto o salmista se preocupa com a restauração do povo, ele não defende as pessoas com sua história de rebeldia. A honra de Deus está em jogo, pois sua casa foi profanada. Ele continua com mais detalhes desses ultrajes: “Os teus adversários bramam no lugar das assembleiase alteiam os seus próprios símbolos”(verso 4). Os inimigos, povos que não reconheciam o verdadeiro Deus, levantaram seus ídolos no lugar onde os israelitas haviam adorado ao Senhor no templo mobiliado com os símbolos que ele ordenou. Mas o povo foi levado ao cativeiro na Babilônia e o templo foi destruído. Asafe descreve a circunstância dos judeus durante esse tempo de afastamento de Deus: “Já não vemos os nossos símbolos;já não há profeta;nem, entre nós, quem saiba até quando” (verso 9).

Quando Deus se lembrava do seu povo e do seu lugar especial, necessariamente se lembraria das blasfêmias dos povos rebeldes, o foco do final do Salmo:

“Lembra-te disto: o inimigo tem ultrajado ao SENHOR,e um povo insensato tem blasfemado o teu nome” (verso 18). O mérito da causa de Asafe não estava na justiça de Israel, pois não teria nenhuma defesa depois de séculos de rebeldia em escala nacional. Ele não disse que Israel merecia a salvação, e sim que Deus merecia (como ainda merece) a glória! A causa não foi do povo, e sim do seu Deus: “Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias.Não te esqueças da gritaria dos teus inimigos,do sempre crescente tumulto dos teus adversários” (versos 22 e 23).

Uma vez que a causa envolve a honra do Senhor, e não o mérito de Israel, faz perfeito sentido que vários versos são dedicados ao louvor pelas grandes obras de Deus. Ele cita “feitos salvadores” (verso 12) e demonstrações do domínio divino sobre toda a sua criação, até sobre os animais mais formidáveis (versos 13 e 14). Como Criador, ele controla o Universo e todos os aspectos da natureza (versos 15 a 17).

Com toda essa base da grandeza de Deus, Asafe pergunta, em tom humilde e reverente: Por quê? (versos 1 e 11). Essas perguntas também abordam o problema dos dois lados: (1) Por que Deus rejeitou seu povo? e (2) Por que ele não agia para castigar os inimigos?

O Salmo 74 é um apelo que encerra sem resposta. Só mais tarde na história podemos enxergar a resposta de Deus. No sentido imediato, ele libertou o povo do cativeiro e permitiu a reconstrução do templo e da cidade de Jerusalém. No sentido maior, ele enviou Jesus para oferecer a verdadeira salvação para aqueles que o buscam. Deus não se esqueceu do seu povo. Ele levantou e agiu!

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