Blog do Coluna do Leitor

Uma herança maldita (3)

Por Coluna do Leitor
Foto Divulgação

Uma herança maldita (3)

Gaby Garbin Mársico

Professora aposentada

 

Desde que as caravelas de Cabral aportaram em nosso Pindorama, trazendo representantes da monarquia portuguesa e da Igreja Católica, viceja em nosso solo o DNA da corrupção. Começaram com a oferta de presentinhos coloridos aos silvícolas, com a intenção de deles comprar a amizade, para posterior dominação.

A expedição trouxe também os famosos “degredados”, como castigo por algum crime, provavelmente contra a Coroa portuguesa. Eis aí, a raiz dessa herança maldita, começada (acho eu) com a participação de criminosos.

Também a Igreja Católica, que dominava a Europa da época, envia seus Jesuítas para catequizar (eta palavrinha infame!) os índios, transformando-os em serviçais, destruindo sua cultura e sua liberdade, até que apareceu um Sepé Tiaraju.

Temos, então, o Brasil colônia de Portugal, governados por vice-reis, apesar de ainda não sermos um vice-reinado. Os que aqui chegavam, vinham com alguns propósitos e obrigações, como cumprir ordens de Portugal, como o envio de ouro, tornar-se um fidalgo (que ainda não eram e que lhes daria status) e “tirar o máximo possível desta terra”, para si e sua família, e voltar o quanto antes para a sua Portugal.

Padre Vieira, ao ser perguntado se a Corte deveria enviar um ou dois capitães-mores para determinada região, teria dito: “Que mandem um, que menos mal faz um ladrão do que dois.”

Nosso país, desde seu “descobrimento”, tem sido, como conta a história, espoliado, maltratado, roubado e todos os “ados”, o que nos tornou uma nação atrasada. Não querendo ser injusta, mas o DNA português que nos foi deixado é o responsável por este nosso atraso, como herança maldita implantada com uma funda raiz que nos amarra, enquanto países que foram colonizados por governos capazes e responsáveis, hoje participam do clube do 1º mundo.

Esses vice-reis modernos que nos governam, são os mesmos que nos ensinam a burlar as leis, a tirar proveito do que estiver em nosso alcance, a surrupiar o que for estatal, comprar e vender, se for preciso, até a alma ao Mefisto, sempre que houver uma chance de vantagem. Um estado grandioso como nosso onde vicejam espaços para apadrinhar compadres e sócios, é o paraíso de onde saem as grandes propinas, dinheiro público que deveria servir à educação, à segurança, e para a saúde. Um governo que administra o Estado de conluio com o Congresso Nacional, onde participam todas as siglas partidárias, forma uma sopa indigesta de pessoas apenas preocupadas com seus futuros políticos e econômicos e o total descompromisso com o ato de governar para todo o país e não ajoelhar-se perante os poderosos sindicatos.

Enquanto tivermos um Estado máximo, dono de tantas estatais, teremos corrupção também em estado máximo, (isto é o que querem socialistas fanáticos que trabalham exclusivamente para seus fins).

Esses vice-reis modernos que mantêm o Estado grandioso, voraz e escancarado à corrupção, “organizam” nossa vida, nossas riquezas, nossa produção, nos mantêm dependentes e subservientes deste paternalismo perverso, um eufemismo para regime socialista.

Governos incompetentes não sabem negociar crises provocadas por greves, como esta última dos caminhoneiros, que caem em nosso caixa para nós pagarmos a conta.

Os modernos vice-reis são os que atuam hoje nos três poderes da República.

E nós? Nós carregamos as pedras para construção de seus palácios.

Acho que devemos pensar sobre o que diz esta máxima: “Quem sabe o que é, não sabe o que quer. E, quem não sabe o que quer, não chega a lugar algum.”

Sabemos quem somos?

Sabemos o que queremos para o nosso futuro?

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