Blog do A Voz da Diocese

Bispo

Profetas para um novo tempo!

Por A Voz da Diocese
Foto Rodrigo Finardi

Estimados Diocesanos! Quando olhamos a vocação de Ezequiel nas Sagradas Escrituras, podemos perceber que ele percorreu um longo caminho de formação para assumir a sua missão profética. A sua formação contemplava uma progressiva interiorização da “Palavra”, levando-o a viver uma relação sempre mais íntima e profunda com ela, que moldou e enriqueceu a história da sua vocação e missão.

A vocação de Ezequiel não nasce unicamente das suas inquietações pessoais, mas também das interrogações que tocavam a vida das pessoas a quem o profeta seria enviado.  Ele é um exemplo de como a Palavra de Deus pode ser anunciada somente tomando a sério as perguntas que habitam o coração dos homens e das mulheres na realidade da vida. Caso contrário, corre-se o risco de levar uma palavra desencarnada e distante, incapaz de tocar a vida. Também nós hoje poderemos perguntar: quais são as interrogações que estão no coração dos homens e das mulheres do nosso país e que gostariam de ter uma resposta da classe política, do poder judiciário, de outros órgãos públicos, das Igrejas, e de outras instituições.  

Na Sagrada Escritura, o profeta é mandado por Deus em uma missão difícil, da qual não deve esperar grandes satisfações. Mas é bom recordar que a missão do profeta não deve ser avaliada pelo sucesso ou pela acolhida da parte do povo, porém pelo simples fato de “ser” ou existir. O valor da sua missão não depende da acolhida imediata de todos à Palavra, mas que não seja ele o primeiro a abandonar a fidelidade à vontade do Senhor que o enviou. É significativo aquilo que o Senhor diz ao profeta: “Tu, porém, filho de homem, escuta o que te digo. Não sejas rebelde como aquela gente rebelde” (Ez 2,8).

O dever do profeta é o de anunciar a Palavra de Deus sem nenhuma condição: “escutem ou não escutem” (Ez 2,5.7), sem deixar-se contagiar pela rebelião ou pela afeição do povo ao qual ele é enviado. O “sucesso” de quem é chamado por Deus é muito diferente daquilo que entendem os homens, porque o profeta está a serviço do sucesso segundo o parecer de Deus. Ao profeta é pedido que “escute com as orelhas e acolha com o coração” (Ez 3,10). Portanto, para Ezequiel, é essencial, antes de tudo, a interiorização da Palavra de Deus. Não pode existir missão profética sem antes “assimilar” a Palavra por parte daquele que é chamado e enviado.

A Palavra de Deus quando é vista como realidade fora de nós, pode dar a impressão de algo que nos limita e nos incomoda. Contudo, quando a acolhemos e assimilamos como sustento da vida de fé dos discípulos e discípulas do Senhor Jesus e da nossa missão de cristãos inseridos na sociedade e na realidade do mundo, ela se torna “doce como o mel” ao nosso paladar.

Tende todos um bom domingo.

 Dom José Gislon

Bispo Diocesano de Erechim

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