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Blog de Neivo Zago

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Neivo Zago

Neivo Zago, especialista em Língua Inglesa (Unisinos) e mestre em Línguística (UFSM). Professor de português e de inglês desde 1974, ininterruptamente.

Lecionou em escolas estaduais e particulares (curso de inglês). Atualmente trabalha na URI. 

É colaborador assíduo escrevendo às sextas-feiras sobre assuntos gerais, específicos e temas do cotidiano.

  • Reflexões após a Páscoa

    Por Neivo Zago

    A Páscoa passou, ou nós passamos por ela? Cada qual a vivenciou do seu jeito; muitos, do mesmo jeito de sempre. Há os que só fizeram feriado, festa, encontro deleite carnal; já, teve outra razão aos que viveram a Páscoa espiritual no verdadeiro sentido, o da ressurreição, o da vida nova e plena. Vão é a nossa fé se não acreditamos e mais vã ainda, se não for transformada em ação.

    Hoje, é domingo de Páscoa, enquanto escrevo este texto o faço recordando alguns momentos e constatações vivenciadas neste tempo especial. Por si só as celebrações são (foram) prenhes de significado e que podem ter marcado com maior ou menor intensidade mais uma Páscoa. Primeiramente veio o período de preparação de quarenta dias, algarismo bastante representativo na história bíblica. 40 é um número que significa “tempo de preparação para um grande acontecimento”. No caso, a Páscoa entendida como a passagem (libertação) do povo de Israel escravo do Egito. É (foi) ainda um tempo de espera de penitência, jejum e oração. Até que ponto tanto um quanto outros foram realmente observados? Porém, sem dúvida o tempo especial se deu a começar pela quinta-feira com a instituição da eucaristia. Impossível deixar de lembrar o lava-pés um gesto de extremo serviço que Jesus nos deixou: “deveis lavar os pés uns dos outros”, ou seja, colocarmo-nos a serviço do outro. “Os humildes serão exaltados e os poderosos humilhados".

    O segundo dia do tríduo, o mais significativo e ao mesmo tempo emblemático e trágico é o que recordou a paixão e morte de Jesus Cristo. Dias antes, Ele fora recepcionado como rei no domingo anterior (de Ramos). Poucos dias após condenado à morte. “Nada de novo debaixo do sol”. A história se repete com outros matizes. Os sumo sacerdotes, os doutores da lei, a feita pelo homem legislador, muitas vezes em seu favor, condenaram a Cristo sem provas, sem sequer encontrar Nele qualquer vestígio de culpa a não ser de Ele ter denunciado as contradições da sua época, de ter falado a verdade. “O que é a verdade”, perguntou Pilatos. Quantas são as verdades e as mentiras repetindo-se  nos dias atuais.

    É na Sexta-Feira à tarde quando as igrejas superlotam de “fiéis” para rememorar a via-sacra, o calvário e a morte de Jesus. Visualmente se comprava essa afirmação. Já, no sábado e domingo subseqüentes o número de frequentadores das igrejas é bem menor. Nunca entendi o porquê desse procedimento. Ainda, na leitura da paixão Anás e Caifás sogro e genro querem a condenação. (Por acaso hoje é diferente?), Sarney pai, Sarney filho, Sarney filha (Presidente, deputado, senador, governadora). Família Maia, e assim por diante grassa o nepotismo. “Se soltas Jesus, não és amigo de Cézar”. Pilatos se acovardou, mesmo não encontrando motivos para a condenação. Sucumbiu preservando seus interesses, (interesse político) e entregou Jesus para o povo lavando as mãos hipocritamente se eximindo da sua responsabilidade como muitos políticos continua fazendo e pior, roubando. Se lessem Efésios, 29 lhes bastariam. “Aquele que roubava já não roube mais; antes, trabalhe, fazendo o bem com suas mãos para ter como socorrer os necessitados. É, parece que essa corja de víboras peçonhentas faz exatamente o contrário.

    No sábado à noite elevaram-se preces para tudo e todos como esta: “Oremos pelos doentes, pelos que passam fome, pelos desempregados, dependentes químicos, presidiários, migrantes, refugiados, desabrigados, pelas vítimas de qualquer tipo de injustiça, do tráfico humano, do trabalho escravo, da violência, da guerra, das catástrofes naturais e sociais, pelas crianças e idosos abandonados, por aqueles que agonizam”. Faltou alguém? E por acaso adianta? E o que dizer dos tantos apelos do Papa visando amenizar as mais diferentes chagas que afligem a humanidade se os homens têm o coração tão empedernido, se as pessoas colocam os interesses pessoais, políticos, religiosos, financeiros em primeiro lugar?

    Essas considerações parecem apontar as diferenças entre uma Páscoa verdadeira ou fictícia. 

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