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Blog de Dad Squarisi

Dad Squarisi

Dad Squarisi fez curso de letras na UnB. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. É editora de Opinião do Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília.

  • Crase tim-tim por tim-tim

    Por Dad Squarisi
    Foto Divulgação

    Recado

    “A gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.”

    Luis Fernando Verissimo

    Crase tim-tim por tim-tim

    Circula na internet texto pra lá de criativo. Chama-se “As rimas da crase”. O Blog da Dad publicou os versinhos. Alguns internautas aplaudiram. Outros criticaram. Precisavam de exemplos pra entender o recado. Afinal, não são especialistas no assunto. Têm razão. Vamos combinar? Escrevemos para ser lidos, entendidos e, se possível, admirados. Daí por que leitor não pede. Manda. Com explicações e exemplos, o resultado é um só — adeus, dúvida. Xô!

    Versinhos

    1.    Diante de masculino, crase é pepino.

    Crase é feminista. Com ela, só o nome feminino tem vez. Por quê? O acento grave (`) indica o casamento de dois aa. Um é a preposição. O outro, em geral, o artigo definido: Vou à piscina. Dirigiu-se à diretora. Voltou à casa do amigo.

    2.    Diante de ação, crase é marcação.

    Como o verbo não aceita artigo, diante dele a crase é pra lá de proibida: A passagem mudará de preço a partir de amanhã.

    3.    Palavras repetidas, crase proibida.

    É o caso de face a face, gota a gota, cara a cara, frente a frente, uma a uma.

    4.    A + aquele, crase nele.

    Como o grampinho anuncia o casamento de dois aa, além do artigo, outro azinho aparece na jogada. Trata-se da primeira sílaba do demonstrativo aquela, aquele, aquilo: Foi àquela casa. Referiu-se àquilo que todos escondiam.

    5.    Vou a, volto da, crase há.

    6.     Vou a volto de, crase pra quê?

     Vou a Brasília? Vou à Brasília? Vou a Pernambuco? Vou à Pernambuco? Vou a Alemanha? Vou à Alemanha? Dúvida diante do nome de cidade, estado ou país bate à porta todos os dias. Um versinho ajuda a fugir da enrascada. Ei-lo:

    Se, ao voltar, volto da, craseio o á.

    Se, ao voltar, volto de, crasear pra quê?

    Então, basta substituir o verbo ir pelo voltar e recorrer à diquinha rimada: Vou a Brasília. (Volto de Brasília.) Vou a Pernambuco. (Volto de Pernambuco.) Vou à Alemanha. (Volto da Alemanha.)  

    7.    Quando for hora, crase sem demora.

    Eis exemplos: A aula começa à 1h. Trabalho das 8h às 18h. Há voos às 9h30, às 15h e às 22h. O dia começa à 0h.

    8.    Palavra determinada, crase liberada.

    O nome vem acompanhado de artigo ou não? Se a resposta for positiva e houver o encontro de dois aa, o grampo pede passagem. Caso contrário, mantém-se recolhido com a paciência dos sábios: Assistiu a duas reuniões. (Havia várias reuniões. Ele assistiu a apenas duas.) Assistiu às duas reuniões. (Só havia duas reuniões. Ele assistiu a ambas.)

    9.    Sendo à moda de, a crase vai vencer.

    A crase é feminista, não é? É. Mas também é enganadora. Às vezes esconde o nome feminino só pra enganar o bobo na casca do ovo. A manobra ocorre com a expressão à moda de ou com o cuidado de não repetir palavras. Veja:Corta o cabelo à (moda de) Roberto Carlos. Gesticula à (moda de) Michel Temer. Não foi à Rua da Praia, mas à (rua) dos Andradas.

    10. Adverbial, feminina e locução, crase, meu irmão.

    Sempre que se fala de locução, fala-se de mais de uma palavra. Há locuções verbais (começou a correr), locuções adjetivas (anel de ouro), locuções pronominais (qualquer um), locuções prepositivas (em face de).

              Locuções adverbiais, conjuntivas e prepositivas formadas por palavras femininas pedem o acentinho grave: Agiu às claras. Viaja sempre às pressas. Saiu às três da tardeÀ medida que estudava, sentia mais facilidade na matéria. Saiu à frente dos concorrentes. Esperava-o à porta de casa.

     

    Leitor pergunta

    É correto falar em erro de ortografia?

    Geisa Magalhães, Porto Alegre

    Não. Ortografia significa escrita correta das palavras. A forma nota 10 é erro de grafia (erro de escrita).

     

  • Cartão de visitas nota 10

    A língua é nosso cartão de visitas. Ela nos apresenta. Diz se temos ou não familiaridade com a leitura e a escrita. Um texto vacinado contra distrações e bobeiras pega bem como pedir favor, pedir licença e pedir desculpas. Tropeços de grafia, concordância, regência e colocação podem ser evitados com a facilidade de quem anda pra frente. Quer ver?

  • No salão de beleza

    As línguas adoram bater papo. Umas influenciam as outras na conversa sem fim. Aí, não dá outra. Quanto maior o contato, maior a influência e os empréstimos. No século 19, o interlocutor de prestígio morava em Paris

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  • Vícios que roubam vagas e amores

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  • O vaivém que foi

    Antes de se tornar vedete nacional e internacional, a Renca era pouco conhecida. As cinco letras querem dizer Reserva Nacional de Cobre e Associados. De olho na riqueza, o governo liberou a mineração na área. Ops! Não contava com a reação popular. Os protestos chegaram ao Rock in Rio. Resultado: ficou o dito pelo não dito.

  • Xô, excelência

    É excelência pra cá. Magnificência pra lá. Eminência pracolá. Eta coisa velha! O mofo centenário incomodou o senador Roberto Requião. Como o que fica parado é poste, Sua Excelência apresentou projeto de lei pra lá de bem-vindo. Propõe acabar com o tratamento cerimonioso a autoridades. Excelências & cias. entram na vala comum. Viram senhor e senhora. Como diz a Constituição, todos são iguais perante a lei. A proposta passará? Cruzemos os dedos

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