Euro R$ 3,68 Dólar R$ 3,28

Publicidade

Blog de Dad Squarisi

Dad Squarisi

Dad Squarisi fez curso de letras na UnB. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. É editora de Opinião do Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília.

  • Nós, os touros e as rãs

    Por Dad Squarisi

    Recado

    “Eu aprendi a ser o máximo possível de mim mesmo.” - Nelson Rodrigues

     

    Nós, os touros e as rãs

    Que país é este? Ninguém sabe com certeza. O andar de cima está em apuros. Presidente, senadores, deputados, empresários & cia. sem fim estão afundados num mar de corrupção. Alguém escapa? A impressão que se tem é que entrou em cartaz velha história cuja ideia central pode ser esta: “Se procurar, acha”. Ou talvez esta: “Se ficar, o bicho come. Se correr, o bicho pega”.

    Alguns acham bom. Comemoram. Com os olhos no próprio umbigo, pensam não ter nada a perder. Outros se preocupam. Pensam no futuro de filhos e netos. Lembram, a propósito, a fábula Os touros e as rãs. Conhece?

     

    A fábula

    Dois touros vizinhos se desentenderam. Um xingou o outro, xingou a mãe do outro, xingou a vó do outro. Resultado: sem diálogo, ambos partiram pra luta. Patas e chifres entraram em ação. Foi um deus nos acuda.

    Uma rã velha e sabida que vivia por perto olhava a briga com preocupação. Rãzinhas, ao contrário, se divertiam com a briga dos titãs. Ora torciam pra um. Ora pra outro. Uma delas percebeu o pânico da rãzona. Curiosa, perguntou:

    — O que houve? Por que você está triste?

    Eis a resposta:

    — O touro que perder a luta será expulso do pasto. Virá pra cá. Nós vamos pagar a conta de uma luta que não é nossa.

    Não deu outra. O derrotado foi para o brejo. Todos os dias dava uma voltinha pelas redondezas. Na caminhada, esmagava montões de rãzinhas com as patas.

    A moral da história tem a ver com a realidade verde-amarela. Quando os poderosos brigam, os mais fracos pagam o pato. Quem? Eu, tu, ele.

     

    Pleonasmo

    Ops! Ninguém acreditava. Mas aconteceu. O presidente Michel Temer caiu na cilada com a facilidade de quem tira chupeta de bebê. Foi gravado em um senhor malfeito — dar aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha. “Foi uma surpresa inesperada”, diziam repórteres de norte a sul do país. Vamos combinar? Trata-se de baita pleonasmo. Toda surpresa é inesperada. Se é esperada, surpresa não é.

     

    É assim

    Olho na preposição. Não troque as bolas. A locução é ao vivo e em cores (Não: ao vivo e a cores).

     

    Coisa velha

    Diante das denúncias cabeludas, 10 entre 10 comentaristas começavam a fala com a expressão “caiu como uma bomba”. Eta coisa velha! Joga no time de pontapé inicial, abrir com chave de ouro, depois de longo e tenebroso inverno & cia. preguiçosa. Trata-se de chavão. Vai de encontro à novidade. A expressão, tantas vezes repetida, torna-se arroz de festa. Deixa pra trás a surpresa, importante ingrediente do estilo.

     

    Poder

    Não duvide. O acento faz a diferença. Compare: renuncia / renúncia, anuncio / anúncio, secretaria / secretária. O agudo transforma o hiato em ditongo: re-nun-ci-a / re-nún-cia, a-nun-ci-o / a-nún-cio, se-cre-ta-ri-a / se-cre-tá-ria.

     

    Time econômico

    É PEC pra lá. É PEC pra cá. As três letrinhas pertencem ao time econômico. Substituem um trio grandão — proposta de emenda à Constituição. Apesar da importância de que se reveste, a grafia de PEC obedece à regra das siglas:

    1. Se a sigla tiver até três letras ou se as letras se pronunciam uma a uma, só as maiúsculas têm vez: PM (Polícia Militar), UTI (unidade de terapia intensiva), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

    2. Se a sigla tiver mais de três letras, só a primeira é grandona: Detran (Departamento de Trânsito), Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado).

     

    Leitor pergunta

    Ouço com muita frequência “fazer aulas”, “fazer faltas”, “fazer mortes”. Coisas novas, acho-as estranhas. Trata-se de modismo?

    Paulo Juvenal, Betim

    Fazer, Paulo, virou verbo-ônibus. Por comodismo ou pobreza vocabular, muitos o usam no lugar de cometer, praticar, ter. Nada feito. Melhor dar a César o que é de César: ter aulas, assistir a aulas, cometer erros, cometer faltas, causar mortes, provocar mortes.

Publicidade

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Escorpião
23/10 até 21/11
É no setor de carreira que temos hoje a fase lunar...

Ver todos os signos

Publicidade