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Blog de Dad Squarisi

Dad Squarisi

Dad Squarisi fez curso de letras na UnB. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. É editora de Opinião do Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília.

  • Que tal mudar de assunto?

    Por Dad Squarisi
    Foto Divulgação

     

    Recado

     

    “Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória.”

    Charles Baudelaire

     

    Abrimos o jornal, lá está a campanha eleitoral. Ligamos a tevê, a história se repete. Na internet, o assunto se mantém. Mensagens e posts defendem este ou aquele candidato. É o samba de uma nota só. Ufa! Que tal uma virada pra ventilar a cabeça? A coluna aderiu à vontade de mudança. Decidiu brincar com as palavras.

    O português tem vocábulos pra dar, vender e emprestar. Eles conversam, combinam, brigam, fofocam. Flexíveis como cintura de político, interpretam papéis variados com a desenvoltura de quem anda pra frente. No fim das contas, ampliam as possibilidades de comunicação e abrem as portas para que façamos delas gatos e sapatos. Quer ver?

    Significados enlouquecem

    tem só duas letrinhas. Mas ajuda muito a língua. Com ela, formamos palavras e um montão de expressões. Muitas aparecem nas festas juninas.

    Pé de moleque é uma. Já imaginou festa de São João sem o docinho gostoso? Nem pensar! Ele tem um jeito arteiro. O amendoim parece o pé de um menino que não para quieto.

    Quem não para quieto adora dançar. Quem dança arrasta os pés. Pode ser na quadrilha, no forró ou no baile chique. Por isso o movimento animado se chama arrasta-pé.

    E o foguinho que persegue o pé da gente? É o busca-pé. Que medo! O danado é tão rápido que parece avião. Ninguém pode com ele. Por isso, alguns o chamam de diabinho-maluco.

    Para escapar, só há um jeito — dar no pé. Garoto teimoso fica. Bate o pé e espera o ataque. Se sentir medo, sobe num pé de árvore. Espera o perigo passar. E, pé ante pé, põe o pé no mundo.

    Sons se confundem

    Qual é o melhor lugar da casa? Uns preferem o quarto. Lá, conectam a internet, deitam na cama e navegam sem ver o tempo voar. Outros gostam da sala. Sentam-se no sofá, ouvem música, pegam um livro e ficam horas lendo. Esquecem-se da vida.

    Todos adoram a cozinha. Ali a família se reúne. Conversa. Come pratos gostosos. Sobremesa nunca falta. Quando a fome bate fora da hora das refeições, é lá que a gente encontra frutas, um pãozinho com manteiga ou um suco jeitoso.

    Muitos frequentadores da cozinha gostam de preparar comidinhas. Às vezes é um bolo. Outras, brigadeiro. Quase sempre, vitamina. Eles conhecem os verbos cozer e coser. Os dois se pronunciam do mesmo jeitinho. Mas um não tem nada a ver com o outro.

    Cozer significa cozinhar. É parente de cozinha, cozinheiro, cozido. Todos escritos com z. Coser quer dizer costurar. Pertence à família de cosido e descosido. Todos grafados com s.

    Acepções se multiplicam

    A palavra jornal tem dois significados. O primeiro é velho conhecido nosso. Trata-se de publicações periódicas que dão notícias, como o Globo, o Correio Braziliense, a Folha de S. Paulo.

    Jornal é, também, o pagamento por um dia de trabalho. Quem labuta um dia ganha o jornal (pagamento). A palavra vem de jornada. Por isso jornaleiro tem duas acepções. Uma: pessoa que vende jornal nas bancas ou na rua. A outra: pessoa que trabalha por jornada, isto é, por dia. É o mesmo que diarista.

    Recado sem rodeios

    Moda pra que te quero? Pra usar e deixar pra lá. A própria palavra diz isso. A danadinha significa uso passageiro. Pode se referir à forma de vestir, calçar, pentear ou enfeitar-se.

    Numa estação, a moda é saia curta. Na outra, longa. Depois, nem curta nem longa. E as cores? Ora o vermelho ocupa todas as vitrines. Meses depois, dá vez ao amarelo. Em seguida, ao branco. Agora é o verde. E o pretinho? É eterno. O cabelo não fica atrás. Muda de cor, de comprimento, de corte.

    A moda vai além da roupa, do cabelo ou das cores. Sugere decoração. Mete a colher nos restaurantes. Dá palpite nos carros. Interfere nos relacionamentos. Dá virada na política. Ufa! Nem os brinquedos escapam.

     

    Leitor pergunta

    Qual a regência do verbo avisar?

    Célia Costa, Goiânia

    Prefira a regência com objeto direto de pessoa e indireto da coisa avisada: Ela saiu para avisar o delegado. Vou avisar o pai da chegada do filho. Paulo avisou o irmão de que seria interrogado pelo juiz.

  • Teatro do Neymar

    O Brasil jogou um bolão na segunda. Acertou duas na rede mexicana e saiu de campo invicto. O Neymar, claro, fez seu teatro. Jogou-se no chão, gritou, gemeu e ensaiou contorções com a agilidade de serpente. Convenceu? A cena, tantas vezes repetida, lembra a fábula da ovelha e do lobo. Conhece?

  • Copa e férias

    Ufa! A Copa corre solta. Hoje o Brasil joga contra os gigantes sérvios. Dedos cruzados e pensamento positivo fazem a diferença. Mas a vida continua, o calendário voa. A meninada termina as provas. Prepara as malas para chegadas e partidas. Férias e viagem pedem banda de música e tapete vermelho. Com elas, duas dicas pra lá de bem-vindas. Uma trata de número. A outra, de grafia

  • O dito cujo

    Vamos combinar? O cujo é pra lá de sofisticado. Pronome relativo, pertence à família de que, o qual, onde. Requintado, impõe três regras pra ser empregado. Pra atendê-las, basta manter as antenas ligadas e a preguiça adormecida em berço esplêndido

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