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Blog de Coluna do Leitor

  • Gestão de conflitos no âmbito escolar: uma nova abordagem

    Por Coluna do Leitor

    Por Miriam Lúcia De Grandi, professora e assessora da gestão de conflitos - 15ª CRE

    A violência escolar assumiu nos últimos tempos, dimensões preocupantes, por isso requer um enfrentamento de toda a sociedade, visto que a forma como a mesma vem sendo conduzida, muitas vezes intensifica o contexto social que a produz. Nessa perspectiva, a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (Seduc), promoveu uma formação baseada na Comunicação Não-violenta, e em Círculos Restaurativos em uma ação inovadora de auxílio ao trabalho educativo e a formação de nossos estudantes.

    Os conflitos escolares as últimas décadas, têm merecido um olhar diferenciado, não só pela escola, mas pela sociedade como um todo. As mudanças sociais acentuadas pelo modelo econômico presente e as transformações familiares, reduziram o tempo de convívio tão essencial à formação do caráter e atitudes das crianças e adolescentes. O reflexo dessa prática social vem fragilizando a escola nos altos índices de indisciplina e violência.

    A realidade citada tem levado muitas escolas a procurar parcerias na busca de soluções. Ao encontro dessa necessidade a formação oportunizada, baseou-se na obra de Marschal  Rosemberg "Comunicação Não-Violenta", um best seller internacional, que traz um novo olhar à resolução dos conflitos escolares, enfatizando a importância do diálogo franco e sem julgamentos, na busca de identificarmos a necessidade que está por trás de cada ato violento ou interdisciplinar.

    A forma como esses conflitos vêm sendo enfrentados (expulsão, punição, registros em ata), já comprovaram a ineficácia. A nova abordagem tem mostrado resultados positivos há alguns anos. Na argentina, desde 1970 é proibido o registro dos casos de indisciplina e violência escolar, sempre que necessário a escola oportuniza práticas restaurativas e preventivas com resultados nunca antes vislumbrados. No Brasil, o Rio Grande do Sul é pioneiro nesta prática com experiências isoladas desde 2002. Atualmente, vários estados estão iniciando práticas sobre Justiça restaurativa com o auxílio da equipe do programa Justiça para o Século 21/AJURIS, de nosso estado.

    Segundo Marshal B. Rosemberg, " todo ato de indisciplina e violência é um grito de socorro",  e é na escola o espaço privilegiado para uma nova proposta de justiça social. O ouvir sem julgar, o analisar a ação levando em consideração o contexto escolar e familiar, bem como a busca em saber qual é a necessidade que está por trás de cada ato violento, precisam, efetivamente, fazer parte do cotidiano escolar na busca da formação que todos almejamos. Nessa perspectiva, o autor nos lembra do "Poder Curativo da Empatia", que é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, que "desarma situações de violência e nos liga a sentimentos e necessidades, expressos através do silêncio".

    A criança ou adolescente  é  um ser humano em formação e por isso precisa ser tratado de forma diferenciada, sem potencializar o erro e sim que o mesmo sirva de aprendizado e que contribua para sua formação como ser humano. A cultura da paz é a semente, e a família e a escola, os espaços onde a mesma deve ser exercitada todos os dias. Nossos filhos e estudantes merecem a chance de uma vida de oportunidades, baseada numa formação que os liberte.

    A nova abordagem tem em sua prática o odo de agir de uma tribo africana: sempre que um de seus integrantes comete um erro, o mesmo é levado para o centro da tribo e por dois dias as pessoas se revezam para  não  deixá-lo sozinho e permanecem ali narrando todas as boas ações que o mesmo praticou até então. O erro jamais é lembrado, o elogio e as boas ações são potencializados para que ele volte a mente para sua essência humana "A tribo reconhece que a correção para as condutas antissociais, não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade".

    Percebemos então, como em nossa prática diária, o erro é supervalorizado. É necessário lembrarmos sempre que na escola convivemos com seres   humanos  em  formação , ávidos por acolhida e referenciais de conduta. Precisamos ouvir mais e conhecermos melhor a comunidade escolar onde atuamos, para não acentuarmos ainda mais a situação de vulnerabilidade social, drogadição, negligência e abandono, cenários que estão por trás da maioria dos casos de violência escolar.

    A comunicação Não-Violenta (CNV) é a ferramenta indispensável para este novo olhar aos conflitos, juntamente com um trabalho didático pedagógico inovador. A união entre o grupo de profissionais, incluindo todos os que são responsáveis pela educação no ambiente escolar: direção, professores, monitores, serventes, merendeiras, é imprescindível na busca da escola que queremos. Um Plano Político Pedagógico (PPP), com protagonismo e comprometimento de todos, pode sim, ser uma das razões do porquê, algumas escolas estão se destacando na condução do ensino-aprendizagem e mediação de conflitos dos seus estudantes. Essas boas práticas vivenciadas nos remetem a frase de mahatma Gandhi " Seja a mudança que quer ver no mundo".

    Com esse intuito, foi solicitado às coordenadorias regionais de Educação (CREs) e representantes das Escolas em tempo integral, que participaram da formação em Gestão de conflitos,  que organizassem um espaço  chamado: para as CRES "Núcleo regional de Gestão de Conflitos e Combate ao Bullying" e para as Escolas em Tempo Integral " Núcleo Escolar de Gestão de Conflitos e Combate ao Bullying", espaço este que privilegiará o diálogo, a mediação e conflitos e a busca de encaminhamentos de solução, contando com a Rede de Apoio escolar (RAE), parceiros indispensáveis nessa caminhada como: Conselho Tutelar, Secretaria da Saúde, promotoria a Infância e da juventude, brigada Militar, Agentes Comunitários, secretaria de assistente Social, que juntos buscam garantir um espaço digno de aprendizagem às crianças e adolescentes em idade escolar.

    Ao longo da caminhada frente a esse desafio, presenciamos muitas iniciativas maravilhosas de escolas que fazem a diferença, e ao ouvirmos suas práticas percebemos o quanto desafiadora é a nossa profissão e o quanto é necessário investirmos em formação permanente   traduzida   em práticas transformadoras. O medo do novo não pode nos paralisar, e sim ser um incentivo a mais para investirmos no ensino-aprendizagem que traduza nossa missão de através da educação melhorar o entorno escolar do qual nossos estudantes fazem parte e   consequentemente   de nossa sociedade.

    A nova abordagem nos motiva a sermos mais humanos, auxiliando no resgte e transformação de realidades, como nos coloca Carolyn  Boyes-Watson e Kay Pranis no livro " No Coração da Esperança: Guia de Práticas Circulares"[...] a partir de uma base saudável, os jovens farão escolhas saudáveis." Sem fortalecermos essa base nos ornamos fracos e vulneráveis.

  • Nossas crueldades com os animais: o especismo do homo sapiens sapiens

    Lembro-me bem de quando japoneses estiveram no Brasil, por ocasião da Copa do Mundo e foram muito elogiados por recolherem silenciosamente o lixo que produziram durante os jogos. Sem dúvida, uma atitude louvável em nível de população. No entanto, vários sites da Internet informam o que o Japão faz em alto-mar com os cetáceos.

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