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  • O que uma ambientalista pode desejar para sua cidade centenária

    Por Coluna do Leitor
    Foto Divulgação

    O que uma ambientalista pode desejar para sua cidade centenária

    Neide L. Piran – Professora aposentada 

     

                Ao receber a jornalista Najaska do “Bom Dia” tive a oportunidade de responder a uma questão muito significativa nesse momento de comemorações do centenário de Erechim: “O que você deseja para Erechim?”

                Certamente essa questão foi e ainda será feita para muitos outros cidadãos erechinenses e cada um frisou ou frisará mais o seu campo de atuação. A junção das idéias e sugestões, certamente acabará por oferecer à cidade novas oportunidades de engajamento de todos num projeto social que garanta uma vida plena para todos.

                Respondi que meu sonho é o de que nossa cidade integre o “Programa Cidades Sustentáveis e Justas”, que existe desde 2010 e surgiu para contribuir com os gestores públicos a se unirem em torno dessa causa.

                Por que esse meu sonho?

                Pela cumplicidade assumida com a humanidade para que o Planeta não deixe de oferecer seus serviços, sem os quais sucumbimos, iniciando pelo local.

                 Para justificar a premente necessidade de aderir a um Programa de forma conjunta é preciso que entendamos certas leis do Universo, às quais, impreterivelmente, temos que nos submeter, pois não conseguimos controlá-las, já que existem independentemente de nós. Aqui para o caso é a chamada Entropia, uma grandeza física que está relacionada com a Segunda Lei da Termodinâmica e que tende a aumentar naturalmente no Universo, queiramos ou não.

                E o que é Entropia?  É a medida do grau de desordem de um sistema, que não significa “bagunça” e sim como acontece a organização das moléculas num sistema. Carnot (1824) explicou que as transformações da energia em suas diferentes formas (calor, movimento) não serem reversíveis e de termos que levar em conta no cotidiano de nossas vidas, o fenômeno da Entropia pois é ela que decide o “destino” dos sistemas fechados, como a Terra.

                 Latouche (1970) amplia a explicação acima dizendo que: “Ao adotar o modelo newtoniano, a economia excluiu a irreversibilidade do tempo, ignorando a Entropia, isto é, a não reversibilidade da energia e da matéria. Com isto, o desperdício inconsciente dos recursos escassos disponíveis e a subutilização da energia solar. Assim, o processo econômico real, de natureza entrópica se desenrola numa biosfera que funciona num tempo marcado pela flecha do tempo”. Resumindo: nosso Planeta é finito.         Só por esta explicação, urge nos convencer da necessidade de mudança do modelo de desenvolvimento que foi assumido mundialmente, sob pena de continuarmos vivendo no Planeta, sim, mas com baixa qualidade de vida.

                Boff (1979) também insiste que temos que Cuidar. E entre todos os cuidados está o “Cuidado com a sociedade sustentável”, indispensável para o entendimento da proposta de reequilibrar o ambiente. Desta forma, mais conceitos teriam que ser assimilados e compreendidos, quais sejam sustentabilidade, sociedade sustentável, desenvolvimento sustentável. E completa:

                “Sustentável é a sociedade ou o planeta que produz o suficiente para si e para os seres dos ecossistemas onde ela se situa; que toma da natureza somente o que ela pode repor; que mostra um sentido de solidariedade generacional, ao preservar para as sociedades futuras os recursos naturais de que elas precisarão. Na prática, a sociedade deve mostrar-se capaz de assumir novos hábitos e de projetar um tipo de desenvolvimento que cultive o cuidado com os equilíbrios ecológicos e funcione dentro dos limites impostos pela natureza”.

                

               

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