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Blog de Igor Dalla Rosa Muller

  • Retórica da miséria? Não, da existência

    Por Igor Dalla Rosa Muller
    Foto Ígor Dalla Rosa Müller

    Ninguém gosta de falar em pobreza, imagina agora viver na miséria. Esse assunto ainda é um mito no Brasil, que sem dúvida, foi e continua sendo uma “fábrica” de desigualdades. Nossa estrutura social, econômica e cultural gera mais miséria que riqueza, mais desequilíbrio que harmonia, isso em todos os sentidos.  

    Ah, mas existem pessoas que saíram da extrema pobreza e hoje são profissionais, empreendedores, empresários bem-sucedidos economicamente. Sem dúvida eles existem e são exemplos que podem ser seguidos pelo seu esforço e realização. Mas quantas pessoas têm essa capacidade de superação? Ser pobre ou rico é simplesmente uma questão individual de cada um? Sim e não? Isso é muito complexo, envolve muitos fatores, entre eles individuais e sociais. Uma escolha certa, um contexto propício, e é claro, muito empenho individual e coletivo.

    Como jornalista é muito mais fácil ignorar a pobreza e a miséria e focar em experiências alegres e de sucesso. Mas a triste realidade não deixa de existir por não se falar nela. Mas para que falar disso, quando todo mundo tem os seus problemas e dificuldades diárias?

    Entendo que ninguém faz nada sozinho, a educação que eu tenho e assumi, foi-me repassada pela família, por professores, amigos, enfim uma mistura de experiências e realidades. Se considerar que a vida só depende de meus esforços, eu não nasceria, vim de cesariana.

    Tantas quantas são as pessoas pode ser o entendimento do que é a vida. Isso é certo. A questão é como criar uma forma de viver num mesmo espaço, aglomerado, com tamanha diversidade.   

    A metade do meu salário, do meu parco poder aquisitivo é consumida por impostos todo mês. Não fui eu quem definiu isso. Por que tenho que pagar tantos tributos? Afinal para onde vai esse dinheiro? A maior parte das regras que temos que seguir não são definidas por nós.       

    Mas por que falar nesse assunto indigesto que é a miséria, que nos deixa mal só de pensar? Porque nem sempre a vida é favorável e propicia as condições elementares para que se possa guiá-la, tê-la minimamente nas mãos. Mas de que maneira discutindo isso vai mudar essa realidade? Sinceramente eu não sei caro leitor, leitora. Mas esse é um assunto que me incomoda.

    Se tenho alguma qualidade de vida, alimento na mesa para comer, um teto para dormir, uma profissão, família, com certeza não foi somente pelo meu esforço pessoal. Isso tudo é um emaranhado de acertos, erros, alegrias, tristezas, propósitos, muitas energias e caminhos entrelaçados e, também, sim, vontade de viver.

    Reduzir a vida ao simples esforço individual é perder de vista a sua complexidade, a sua cumplicidade com a natureza e a sociedade, o simples fato de que nada existe e se faz sozinho nesse mundo. E se nunca houve ninguém por você, fica cada vez mais difícil percorrer o seu próprio caminho.

    Muita cultura e miséria

    Numa breve passagem por Salvador na Bahia, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a miséria, muitas pessoas pedindo esmola, comida, dinheiro e vivendo na rua em péssimas condições. Mas só um pouquinho, foi até lá para ver isso? O proposito da viagem não seria as praias, a cultura negra, as igrejas históricas, a religiosidade, fortes, prédios antigos, praças, artefatos históricos, quadros antigos, música, a brasilidade do nordeste? Sim, isso também. No entanto, é difícil ignorar a extrema pobreza em meio a tudo isso.   

    Extrema pobreza aumenta no Brasil

    A extrema pobreza aumentou no Brasil entre 2016 e 2017, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE). O contingente saiu de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas em 2017. São pessoas com renda inferior a R$140 por mês.

    A proporção de pessoas pobres no Brasil era de 25,7% da população em 2016 e subiu para 26,5%, em 2017. Esse contingente variou de 52,8 milhões para 54,8 milhões de pessoas, no período.

    Rendimento domiciliar

    Conforme a Síntese dos Indicadores Sociais 2018, o rendimento médio mensal domiciliar per capita no país foi de R$ 1.511. As menores médias foram no Nordeste (R$ 984) e Norte (R$ 1.011), regiões onde quase metade da população (respectivamente, 49,9% e 48,1%) tinha rendimento médio mensal domiciliar per capita de até meio salário mínimo.

    Mercado de trabalho

    O estudo traz na análise do mercado de trabalho que a taxa de desocupação era de 6,9% em 2014 e subiu para 12,5% em 2017. Isso corresponde a 6,2 milhões de pessoas desocupadas a mais entre 2014 e 2017. Nesse período, a desocupação cresceu em todas as regiões e em todos os grupos etários.

    Trabalho informal

    O SIS 2018 mostra que em 2017 o trabalho informal alcançou 37,3 milhões de pessoas, o que representava 40,8% da população ocupada, ou dois em cada cinco trabalhadores do país. Esse contingente aumentou em 1,2 milhão desde 2014, quando representava 39,1% da população ocupada.

    Trabalhadores

    Em 2017, os trabalhadores brancos ganhavam em média R$ 2.615, isto é, 72,5% a mais que os pretos ou pardos que ganhavam R$ 1.516. Os homens recebiam R$ 2.261, sendo 29,7% a mais que as mulheres que ganhavam R$ 1.743. O estudo mostra que o rendimento-hora dos brancos superava o dos pretos ou pardos em todos os níveis de escolaridade, e a maior diferença estava no nível superior: R$ 31,9 por hora para os brancos contra R$ 22,3 por hora para pretos ou pardos.

    A Síntese de Indicadores Sociais 2018 analisou o mercado de trabalho, aspectos educacionais e a distribuição de renda da população brasileira, a partir dos dados da PNAD contínua do IBGE e de outras fontes.

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