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Rural

Comercialização do pinhão proibida até o dia 15

Por Leandro Zanotto leandroz@jornalbomdia.com.br

Para extrair, comprar ou vender pinhão os gaúchos precisam observar a legislação federal vigente para não sofrer enquadramento por crime ambiental. Diferente do Estado do Paraná, principal produtor da semente no Brasil, que liberou a comercialização no último sábado (1°) no Rio Grande do Sul o pinhão é protegido por uma Portaria Normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), que determina o dia 15 de abril como início do período para colheita e venda em lojas, feiras ou propriedades rurais. O chamado "defeso do pinhão" segue até o fim do período de maturação da pinha, quando tem início o desprendimento das sementes. A mesma portaria do Ibama também proíbe o corte de pinheiros adultos (Araucaria angustifolia), portadores de pinhas na época da queda de sementes, ou seja, nos meses de abril, maio e junho. 

De acordo com o comandante do Pelotão de Ambiental de Erechim, Tiago Bernieri, a legislação busca garantir desta forma a reprodução da araucária e o alimento para muitos animais e aves. "Em nossa região não temos muito casos descumprimento desta lei, mas se alguém for flagrado transportando, comercializando, guardando ou até colhendo o pinhão fora do período de defeso, poderá ser autuado, multado e responder pelas penalidades previstas em lei", destacou o policial. Estão excluídos dessa proibição apenas os pinheiros autorizados por motivo de riscos pessoais e/ou materiais, de interesse social e/ou utilidade pública, para construções em áreas urbanas consolidadas e árvores oriundas de reflorestamento. 

Bernieri destaca que pinhão verde comercializado de forma ilegal é impróprio para consumo humano e gera prejuízos econômicos, pois o produto tem baixa qualidade e consequentemente pouco valor comercial. 

Negócio familiar

Segundo o assistente técnico regional de produção vegetal da Emater, Luiz Angelo Polleto, no Alto Uruguai o cultivo do pinhão ainda é um negócio familiar, utilizado apenas para aumentar a renda das famílias. "Em algumas cidades do interior já estamos percebendo que as pessoas estão comercializando este produto. Isso ocorre por dois motivos. Primeiro porque está será uma produção menor, pois o pinhão tem um ciclo de boa produtividade que varia entre quatro a cinco anos, fato que ocorreu há dois anos, portando nossa expectativa é que em 2017 a disponibilidade deste produto seja menor. Segundo porque não existe uma forma de armazenar o pinhão que o deixe com qualidade", ressalta.

Para Poletto, apesar da pouca produção a qualidade do fruto deve ser superior em relação aos outros anos. "Nas cidades que mais produzem, caso de Benjamin Constant do Sul, Erebango e Getúlio Vargas, percebemos muitas bochas e poucos frutos, mas já bem formados, apesar do período de floração e construção da semente que já inicia logo após junho e enfrentou no último ano muito frio", pondera.  

Venda 

Conforme o assistente técnico, inicialmente o preço do quilo a ser vendido deve ficar entre R$ 5 e R$ 7. "Vale ressaltar que caso a expectativa da produção inferior se confirme, este preço poderá sofrer um aumento com o decorrer do período de colheita que é durante o inverno, onde o pinhão também é mais consumido", pontua Poletto.

No Alto Uruguai apesar da proibição da venda, muitos agricultores e pequenos estabelecimentos já se arriscam a comercializar o produtor. Em Erechim a reportagem do Bom Dia esteve em alguns estabelecimentos comerciais e ao conversar com proprietários todos destacaram que irão vender o produto a partir da data permitida. Conforme o empresário, Carlos Correa, que chega a importar pinhão do Paraná, a expectativa é de uma boa venda em 2017. "Estamos aguardando a liberação para o comércio que ocorrer a partir do 15.Muitos clientes já estão procurando o produto, fator que indica que as vendas serão boas", ressalta.

Aposentada e consumidora Amélia de Oliveira, de 65 anos, relata que já encontrou pinhão para compra. "Passaram na minha casa para oferecer. Mas, não comprei, vim buscar na fruteira hoje e me informaram que ainda estava proibido. Vou esperar ser liberado,, pois lá em casa todos gostam", finalizou.

Por outro lado, a desinformação sobre a legislação coloca em risco a preservação da espécie. Na terça-feira (4) uma banca localizada na feira do produtor do centro já comercializava o produto. O produtor que pediu para não ser identificado tinha pelo menos duas caixas de pinhão para venda e vendia o pinhão ao preço de R$ 10. Receoso com o trabalho jornalístico o agricultor ainda perguntou para a reportagem sobre o prazo legal para o início da venda. 

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