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Cultura

Uma cidadela cultural em Erechim

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

Construção poética de autor erechinense cria um burgo voltado à cultura na “Capital da Amizade”

Imagine todo o espaço que compreende as praças Julio de Castilhos, Boleslau Skorupski, Redenzio Zordan, Praça do Imigrante, Praça Baden Powell, Terminal de Ônibus, Estação Férrea, Feira do Produtor e Mercado Popular. Todo este perímetro localizado na área central da “Capital da Amizade” tornou-se um complexo cultural de Erechim. Ali estão reunidas e integradas as mais diferentes manifestações artísticas e culturais, desde a arquitetura, passando pela oferta de exposições, festivais, cinema, música, fotografia, entre outras.

Ali estão instalados órgãos culturais importantes, como a fundação municipal de cultura, a biblioteca pública, o arquivo histórico, a Escola de Belas Artes... As ruas têm um padrão especial, os prédios construídos seguem características art déco, assim como os antigos foram restaurados respeitando esta mesma forma. Bares, cafés, livrarias, bancas de jornais, sebos e saraus também fazem parte do espaço, que tem sua iluminação e seu paisagismo pensados visualizando a cultura como “árvore exuberante”.

Foi possível manter-se imaginando? Acredite, todo este complexo cultural existe! Pelo menos nas páginas do mais recente livro do erechinense Marco Antônio Scheuer de Souza, intitulado “Sonetos e Poemas Alma de Erechinense I - Cittadella Colturale”. A obra recém lançada é, nas palavras do autor, “uma utopia concretizada em construção poética”.

Advogado, professor universitário e procurador do município por muitos anos, Marco Antônio viu nos sonetos e poemas a possibilidade de criar um burgo dentro de Erechim, no qual toda a cultura estivesse concentrada. “A ideia era fazer algo semelhante ao que é o distrito industrial, que reúne indústrias dos mais diferentes segmentos e áreas de atuação em um só lugar. No livro eu faço isto com a cultura. O espaço escolhido se deu pela localização privilegiada, o que permite que as pessoas o frequentem, e também por ser um lugar que reúne vários espaços públicos”, justifica o autor, que hoje reside em Barra Velha-SC.

A influência de seu trabalho também foi forte durante a criação da Cittadella Colturalle. Todo este complexo cultural segue algumas regras, conta com brasão e hino, regime tributário especial, itens indispensáveis para um trânsito gentil, como faixa de pedestres, ciclovias, calçadões. A inspiração para o “burguinho cultural”, segundo Marco Antonio, veio das cidades burguesas da Idade Média

A obra, de acordo com ele, não tem expectativas de concretização, embora acredite que o espaço imaginado traria bons resultados à Capital da Amizade. “É uma obra poética, começa ali e termina ali. Não acredito que fosse possível viabilizá-la, também não imagino haver interesse para tal. É uma brincadeira de criação, afinal tantos autores anteriores a mim já criaram tantos lugares, tantas cidades. A escrita nos permite isto”, comenta.

Centenário de Erechim

O livro ainda não foi oficialmente lançado, entretanto, Marco Antônio já se dedica à escrita de seus próximos trabalhos. Ele adianta que atualmente está escrevendo sonetos em homenagem ao centenário de Erechim, a ser comemorado em 2018. O objetivo, segundo ele, é fazer 100 sonetos, sendo que pelo menos 50 já estão concluídos. 

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