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Mãe em todas as formas de amor

Por Karine Heller
Foto Karine Heller

Jornalista Cristiane Rhoden é mãe das “manas” Luiza e Mila – sua filha de quatro patas

“Estou grávida. E agora, o que fazer com meu animal?”. Muitas situações semelhantes já foram vivenciadas por diversas mães, que antes de terem seus filhos biológicos já tinham um animal como filho adotivo. Para a jornalista Cristiane Rhoden não é preciso se desfazer de um amor por outro. “A Mila, minha filha de quatro patas veio antes, há exatos sete anos. A Luiza, por sua vez, chegou em 2016. Hoje está com oito meses e desde quando estava na barriga já convivia com a ‘mana’ Mila. Juntamente com meu marido Claiton Tasso, desde que soubemos da gravidez, já começamos a trabalhar com a Mila para que ela estivesse preparada para receber uma irmãzinha. Obviamente que a experiência de gerar um filho foi a realização de um sonho. A gravidez, as emoções e o nascimento da Luiza foram incomparáveis a qualquer outro sentimento que eu tenha vivenciado. Ser mãe na sua forma plena é incrível. Mas eu já sentia amor de mãe pela Mila desde que a vi pela primeira vez. A Luiza nasceu de mim e a Mila nasceu para mim”, explicou a jornalista.

Cristiane conta que a Mila tomou conta e protegeu sua barriga durante a gestação. “Era incrível a proteção dela. E a Luiza geralmente chutava quando a Mila estava por perto. Uma das situações mais surpreendentes foi quando chegamos da maternidade com a Luiza nos braços. Parecia que as duas já se conheciam e desde então tenho duas filhas: a minha princesa Luiza e a minha também princesa Mila. O amor que tenho pelas duas é amor de mãe. Obviamente que a Mila recebe os cuidados e tem seu comportamento enquanto cão preservados. Mas em relação ao amor de mãe, nada mudou. Certamente a Luiza demanda muito mais atenção e cuidado, afinal ela é uma criança. Porém sabemos, eu e meu marido, dosar com discernimento e a responsabilidade necessária, proporcionar tudo o que as duas precisam”, reforçou.

Conforme a jornalista a união dos dois amores só trouxe realizações positivas. “Mesmo que a Luiza ainda seja um bebê, sentimos que a proximidade entre as duas faz muito bem para ambas. A Mila segue com seu instinto protetor e está sempre por perto zelando pela irmã. E a Luiza é uma criança amorosa, que está crescendo com o espírito de compaixão pelos animais preservado. Somos uma pequena família hoje em dia. Pai, mãe e duas filhas. De uma forma saudável e responsável estamos criando relações familiares com bases sólidas norteadas pelo respeito e, principalmente pelo amor”, concluiu a jornalista.

Os sentimentos são incondicionais

Segundo a médica veterinária, Camila De Marco, um amor não se interpõe sobre o outro. “Os sentimentos são incondicionais. Você pode perfeitamente amar um animal ‘como um filho’ e ter um filho biológico e amá-los com a mesma intensidade. Certamente que é cada vez mais frequente que os animais sejam membros da família, afinal eles acabam se tornando filhos de quem os acolhe. Em especial as mães, que tem um coração enorme e podem amar um pet e uma criança e tê-los em seus sentimentos ambos como filhos, obviamente cada um com sua particularidade de espécie. Somos humanos, eles são animais, mas o amor não se mede. Porém, vale ressaltar que a humanização dos pets não é saudável especialmente para eles. Todos os animais precisam seguir seus instintos e desenvolver os seus comportamentos característicos. Um cão é um cão, por exemplo. Posso amá-lo como filho, mas ele é um cão. É excelente tê-los na família, mas é preciso que eles recebam todos os cuidados necessários, especialmente se houver a convivência com as crianças. Vacinação, alimentação específica para pets, acompanhamento veterinário, entre outros cuidados são imprescindíveis. Uma criança que cresce com a presença de um pet é perfeito. Os cães em especial têm instinto protetor. Outro ponto, é que já vai estar intrínseco nos sentimentos da criança o amor e o respeito pelos bichinhos. Um animal como membro da família é excelente e é visto de uma forma extremamente positiva. O único problema é que o tempo de vida deles é curto, em média 15 anos. Fora isso, se não houver a humanização dos animais, o relacionamento saudável entre pets e humanos é uma forma de amor incontestável”, frisou a médica veterinária.

Equilíbrio nas relações e respeito são fundamentais

Para o médico psiquiatra, Diego Mincarone Dexheimer, a avaliação das relações, bem como classificar as formas de amor como certas ou erradas não são pertinentes. “O nosso papel não é apresentar verdades. Não podemos ser maniqueístas e impor conceitos classificando-os como certos ou errados. O importante é o equilíbrio dessas relações, o discernimento e o peso devido para cada situação. Sem dúvida cada vez mais os animais são considerados membros da família, porém, tão importante quanto amar os pets, é fundamental que eles recebam esse amor da maneira que precisam. Ter animais faz muito bem, amá-los é muito saudável, inclusive existem terapias com animais, mas vale ressaltar que a relação entre humanos é muito mais complexa e nos demanda muito mais esforço, talvez daí a crescente preferência pelo afeto aos animais. Outro ponto que vale lembrar é que os extremismos não são legais e é aí que entra o respeito. Não deveríamos apontar o dedo para os outros e dizer que estão certos ou errados. De uma maneira bem simples, avaliando o caso, se aquele relacionamento é saudável, as pessoas sabem conduzir de forma equilibrada e, principalmente, se aquilo faz bem a todos os envolvidos, sejam eles humanos ou animais, não vejo problema em um animal ser tratado como membro da família. Quem sou eu para dizer o que é certo ou errado para o outro. Cada um deve levar a sua vida da maneira que acreditar ser pertinente, desde que não queira fazer da sua verdade a verdade dos outros. Certo e errado não são conceitos absolutos. As relações são no mínimo pares. Se houver equilíbrio e respeito toda forma de amor é válida”, declarou o médico psiquiatra.

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