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Erechim

Mãe na hora certa

Por Georgia Spilka
Foto Divulgação

O sonho de ser mãe sempre fez parte da vida da Sandra Pierosan. Proprietária de uma empresa de encomendas, ela optou por esperar o momento certo para a gravidez, com o intuito de poder aproveitar ao máximo o tempo com a criança. Questionada sobre a sensação da maternidade, os olhos de Sandra brilham. Com o sonho realizado, ela garante que foi a melhor escolha de sua vida. “Amor de mãe não tem nada que se compare. Foi uma experiência única”.

Mas a jornada atrás de um sonho nem sempre é fácil. Lidar com a perda na primeira gravidez e a separação do casamento, não a impediram de continuar lutando. “As coisas vem no seu tempo. O que é da gente ninguém tira”, garante.

Em seu primeiro casamento, Sandra conseguiu engravidar, porém, com complicações desde o início, perdeu os gêmeos que gerava aos três meses de gestação. “Eu fiz terapia com a psicóloga por muitos anos para aceitar a perda. Eu não aceitava”. Junto com o choque, veio a separação no casamento e – em meio a isso – a oportunidade de um novo caminho profissional se abriu.

“Eu trabalhei 15 anos como secretária em uma clínica. Naquela época eu resolvi fazer faculdade de Administração já com o objetivo de mais tarde mudar de ramo. Quando formei, tive a oportunidade de agenciar a Pluma”. Um amigo era proprietário da empresa e ofereceu, na época, para ela e o ex-marido, que analisaram a proposta e aceitaram.

No período mais conturbado de sua vida, a nova empresa foi essencial para a recuperação. “Eu consegui ocupar a cabeça e focar no novo trabalho. Me ajudou muito!”. Hoje, a empresa já tem 9 anos e trabalha com encomendas através do transporte.

A psicóloga Daniela Campagnolo explica que quando uma gravidez não vai adiante, a perda é algo muito difícil de enfrentar, pois “junto com o bebê, perde-se toda uma gama de afetos que estavam presentes desde antes da gravidez e que se intensificam com ela. É um luto. Junto com este luto é comum sentimentos de culpa por algo que possa ter feito ou deixado de fazer e que tenham ocasionado o aborto”.

Daniela comenta que todo processo de luto tende a passar com o tempo, porém, quando isso não acontece, gera transtornos e comprometimento na qualidade da vida e das relações da mulher. “Um auxílio psicológico é indicado auxiliando na melhora dos sintomas e prevenindo possíveis dificuldades futuras no vínculo com o próximo bebê que vier”.

Mais tarde, Sandra conheceu seu atual marido e – mesmo com um pouco de receio – planejou a gestação mais uma vez. Logo que completou 41 anos, Valentina nasceu cheia de saúde para iluminar a vida da empresária. Hoje com 4 anos, as preocupações de Sandra com a filha são mais brandas. A sujeira com o pastel de carne em cima da mesa do escritório, não é nada comparado ao passado.

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