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Carência de banco de leite na região

Por Karine Heller
Foto Karine Heller

O Brasil tem a maior e mais complexa rede de bancos de leite do mundo, com 221 unidades e 186 postos de coleta, segundo o Ministério da Saúde. Mesmo com esses dados, e com o lançamento na terça-feira (16) da campanha nacional “Doe Leite Materno” do Ministério da Saúde em parceria com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, as mães de Erechim e região da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) não podem realizar a doação nos hospitais dos 33 municípios. De acordo com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz, o Rio Grande do Sul possui unidades somente em Porto Alegre, Ijuí, Rio Grande e Bagé.

Carente de unidades e bancos de coleta de leite na região, a indicação, de acordo com o Setor Materno Infantil da Secretaria de Saúde de Erechim, em conformidade com o Ministério da Saúde, é que as sobras de leite sejam desprezadas ou armazenadas pela mãe para alimentação do próprio filho. Não é indicado pelos órgãos de saúde que o leite seja repassado para que outras mães alimentem seus filhos, devido à falta de processamento do material e por motivos de prevenção a patologias que podem ser transmitidas para os bebês.

Na Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE), hospital de referência na região, a doação de leite materno somente é realizada de mãe para filho. O hospital, que possui as certificações Amigo da Criança e Amigo da Cegonha, incentiva o aleitamento materno e realiza as coletas de leite na Sala de Aleitamento. As coletas são feitas pelas mães que estão com seus filhos internados na maternidade ou nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátrica e neonatal.

Referência brasiliense

Brasília é a única cidade no mundo que tem autossuficiência em leite humano, por isso foi a escolhida para o lançamento da campanha “Doe Leite Materno” deste ano. “É o melhor exemplo que temos e nossa política é dar visibilidade às boas práticas para que isso possa se multiplicar dentre outros agentes públicos”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Entre as ações que fizeram do Distrito Federal referência em doação de leite humano, estão a comunicação, a atuação do setor de saúde e o sistema de coleta em parceria com o Corpo de Bombeiros. São 15 bancos de leite no Distrito Federal, sendo dez da rede estadual, dois da rede federal e três privados.

Senso de solidariedade

Para a auxiliar administrativo, Kely Vargas, que é mãe do Benjamin que hoje tem sete meses, a falta de locais adequados na região para doação de leite é lamentável. “Como mãe sinto um vazio enorme ao desperdiçar o leite que poderia estar alimentando outra criança. Como fui abençoada e tenho muito leite para o meu filho, há muitas mães que não tem e precisam recorrer a outras formas de alimentação. Mesmo, em algumas vezes, fazendo a coleta para o Benjamin e alimentando ele no peito, há leite em excesso que poderia ajudar outros bebês. Acredito que a nossa região, principalmente Erechim, que é município polo, deva buscar os credenciamentos necessários para que possamos doar o nosso leite, já que nada é mais presente do que o senso de solidariedade de uma mãe que amamenta seu bebê”, declarou Kely.

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