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Política

Especialistas defendem mobilização social para projeto nacional de desenvolvimento

Por Assessoria
Foto Caco Argemi - ALRS

A presidência da Assembleia Legislativa promoveu, na noite desta quarta-feira (9), a terceira edição do ano do Fórum dos Grandes Debates com o tema “O Papel do Estado e o Desenvolvimento do País”. O encontro teve como palestrantes o senador Roberto Requião (PMDB/PR), o economista Márcio Pochmann e o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino. O evento, que aconteceu no Teatro Dante Barone, foi aberto ao público.

Em sua saudação inicial, o presidente do Parlamento, deputado Edegar Pretto (PT), disse que seria muito cômodo para ele, como presidente de Poder, cruzar os braços e evitar embates e dissabores. “Eu não tenho este direito”, afirmou, ressaltando que na encruzilhada vivida no país e no Estado “é preciso agir e ter posição. Eu tenho posição diante deste momento: sou contra as ditas reformas impostas por Temer. Ou se é a favor dos trabalhadores, ou contra eles”, sublinhou.

Neste contexto, prosseguiu, a Assembleia não poderia se eximir. “Para tanto, realizamos mais uma etapa do Fórum dos Grandes Debates, desta feita tratando do papel do Estado. Afinal, que Estado queremos? O Estado que se encolhe e se omite quanto à sua função de estar ao lado dos que mais precisam, culpando o serviço público e os servidores, ou o Estado que atua em favor de todos?”, questionou.

Na sequência, os painelistas expuseram seus pontos de vista em relação ao tema apresentado. Pochmann, Requião e Sorrentino fizeram uma retrospectiva histórica de momentos que moldaram a atual situação do Brasil e apresentaram suas visões de como o país pode sair da situação em que se encontra.

Pochmann 

O economista Márcio Pochmann saudou a posição do presidente Edegar Pretto em abrir a Casa legislativa para o debate. Disse que o país vive um período singular, a exemplo de outros momentos da história, como na Abolição da Escravidão e na Revolução de 30. “Ali, por várias circunstâncias, estabelece-se o caos, no sentido do rompimento de questões colocadas como definitivas. Hoje, igualmente, não há saída tradicional para o problema que esta gestão de Temer colocou”.

Requião

O senador Requião afirmou que três pontos são fundamentais como causa da atual “tragédia nacional”: a precarização do Executivo, submisso ao Banco Central; a precarização do Parlamento, submetido a verbas de campanhas políticas milionárias custeadas pelos grandes empresários, e a precarização do trabalho. “Neste quesito, com as reformas propostas, retrocedemos 150 anos”, frisou.

Para ele, a saída passa por uma grande mobilização nacional, uma frente, uma aliança entre o capital produtivo e as forças do trabalho contra o capital financeiro, “contra o capital vadio, que só especula e não gera um emprego, ao contrário do capital produtivo”. Disse que Temer “é instrumento de quem realmente comanda o país: os bancos.

Segundo Roberto Requião, é preciso ampla união nacional para a construção de uma trajetória segura em direção às próximas eleições. “Uma frente que deverá ser o guarda-chuva de todas as manifestações nacionalistas. Queremos construir um projeto de poder para o Brasil, um novo modelo de economia e sociedade, em favor da soberania nacional”, explicou. “Junto com aquele pleito, deveremos realizar plebiscito para que a Nação possa revogar as medidas absurdas que estão impondo”, defendeu.

Sorrentino

Walter Sorrentino igualmente pregou a necessidade de união de várias forças para “impedir o neocolonialismo. Só uma frente ampla, com representações da maioria dos brasileiros, podemos pensar em aletrar o quadro imposto”. Para ele, é preciso um Estado nacional fortalecido, sob soberania democrática e popular.

“A força do Estado nacional soberano é indispensável a um projeto de nação para fazer frente ao poderio da maior força que a humanidade atualmente conhece: o poderio das forças financeiras, que sequestram os Estados e os submetem – inclusive a partir dos monopólios dos meios de comunicação -, aos seus terríveis interesses. Quem comanda a cadeia de comunicação capitalista é o sistema financeiro, este mesmo que não produz um alfinete, um emprego, que ganha dinheiro sem passar perto da produção. Somos escravos desta lógica”, resumiu.

Eixos da gestão

O evento está ancorado em um dos eixos da atual gestão do Parlamento, que são a igualdade de gênero, o papel do Estado, a agricultura e soberania alimentar e a democracia. 

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