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De filha para pai

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Casos de pais e filhos que seguem a mesma área profissional não são raros. Muitas vezes, um inspirado no outro, escolhem caminhos semelhantes para a rotina de trabalho. A família Mottin tem um exemplo destes. Pai e filha escolheram a área do Direito para a formação acadêmica. Ele, José Antônio Mottin, de 48 anos, ela, Natália Pasquali Mottin, de 22. Apesar de terem escolhido a mesma graduação, ambos vivem momentos diferentes no curso. Enquanto um está envolvido no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e nos preparativos da formatura – que acontece em fevereiro do ano que vem – outro vive a empolgação de recém ter entrado na faculdade.

Pela lógica, estamos falando de um pai formando e de uma filha caloura, certo? Errado! A história dos dois se difere exatamente por isto: Natália divide a alegria de estar quase concluindo o curso que escolheu seguir, com o orgulho de ver o pai, José, se aventurar no primeiro semestre de Direito, graduação que para ele significa um sonho de longa data. Ambos estudantes da URI, em razão da distância acadêmica, não chegam a dividir a sala de aula - inclusive pelo fato de estudarem em turnos diferentes - mas compartilham juntos o aprendizado que vem sendo construído na formação.

Empresário do ramo farmacêutico, Mottin não esconde a empolgação pelo conhecimento que vem adquirindo mesmo que nas primeiras aulas do curso. Natália, por sua vez, faz questão de comentar com os professores e colegas o orgulho pela coragem e força de vontade do pai. “Embora a gente já soubesse desse desejo dele, ele nos surpreendeu muito com a decisão, até porque se inscreveu para o vestibular sem nos contar. E sem dúvidas o admiro muito, porque ele tem uma rotina agitadíssima, acorda ainda de madrugada para trabalhar na farmácia durante o dia todo, à noite vai para a faculdade e ainda passa o fim de semana estudando”, relata a filha.

José, por sua vez, ainda está em processo de adaptação com a rotina de estudante. “Para mim é tudo novidade, a cada novo aprendizado fico um longo tempo absorvendo informações, pensando a respeito, projetando o futuro”, comenta, ao destacar que sua relação com os colegas e professores é diferente, inclusive pela idade. “Ao mesmo tempo em que boa parte dos professores já eram meus conhecidos, tenho colegas que têm 17 anos, ou seja, é uma relação diferente”, destaca ele, que recentemente foi eleito presidente de sua turma.

Caminhos diferentes no Direito

Apesar de estarem no mesmo curso, pai e filha não pensam em seguir as mesmas áreas. “Meu maior objetivo é seguir na área da polícia, me tornar delegada. Então, desde que comecei o curso sempre estive focada em concursos para conseguir isso”, pontua Natália. Mottin, por outro lado, já se imagina advogado. “Hoje sou empresário, mas acho que o aprendizado do Direito será muito útil na minha vida, mesmo que eu não atue na área. De qualquer maneira, futuramente pretendo atuar como advogado, ter o meu escritório”, salienta. Apesar de terem em mente objetivos diferentes, Natália e o pai não descartam a possibilidade de um dia trabalharem juntos. “Dia desses o pai inclusive brincou comigo dizendo que ‘daqui uns cinco anos nosso escritório de advocacia vai estar bombando’”, brinca a jovem.

A relação de Natália  e José  também tem uma diferença, quando o assunto é a faculdade. Distinto da maioria dos casos – pais ensinando filhos nos temas de casa – na família Mottin é a filha quem ajuda o pai com as tarefas de aula. “Eu estudo de dia e o pai de noite. Mesmo ele chegando tarde e eu tendo que acordar cedo no dia seguinte, faço questão de esperá-lo chegar da faculdade para perguntar como foi a aula e ajudá-lo nas dúvidas que ele tem”, completa.

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