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Futuro de jovens brasileiros pode estar ameaçado

Banco Mundial destaca risco de jovens estarem fora do mercado de trabalho e sala de aula

Por Edson Castro
Foto Edson Castro

Um em cada dois jovens brasileiros com idade entre 19 e 25 anos corre sério risco de ficar fora do circuito dos bons empregos no País e, com isso, está mais vulnerável à pobreza. É o que aponta o relatório "Competências e Empregos: Uma Agenda para a Juventude", divulgado nesta semana, pelo Banco Mundial.

O documento diz que 52% da população jovem brasileira, quase 25 milhões de pessoas, está desengajada da produtividade. Nessa conta, estão os 11 milhões dos chamados "nem-nem", aqueles que nem trabalham, nem estudam. A eles, foram somados aqueles que estão estudando, mas com atraso em sua formação. E os que trabalham, mas estão na informalidade."É uma população que vai ser vulnerável, vai ter mais dificuldade de achar emprego, corre maior risco de cair na pobreza", disse o diretor da instituição para o Brasil, Martin Raiser.

Além da ameaça ao futuro desses jovens, essa situação leva a outra consequência séria: ela põe em risco o crescimento da economia brasileira. Isso porque o País vai depender do trabalho deles para continuar produzindo. Mais ainda, vai precisar que eles sejam mais produtivos do que seus pais para reverter uma tendência de queda na taxa de crescimento do Brasil.

Necessidade de evolução

A urgência na adoção de uma agenda para que o Brasil produza melhor com os recursos que possui foi analisada em outro relatório: "Emprego e Crescimento: a Agenda da Produtividade", também divulgado nesta quarta pelo Banco Mundial. No entendimento dos economistas do organismo, os dois temas estão profundamente relacionados. A melhora na formação de jovens e sua preparação para o mercado de trabalho é um dos itens da agenda da produtividade.

O relatório traz evidências de que a educação no País é falha e não se traduz em aumento de produtividade. Na Malásia, por exemplo, um ano a mais na escola resulta numa elevação de US$ 3 000,00 no salário. Na Turquia, US$ 4.000,00. Na Coreia do Sul, US$ 7.000,00. No Brasil, o ganho é próximo a zero. "Precisamos de uma educação de qualidade que cumpra sua missão de dar competência aos jovens", disse a economista do Banco Mundial Rita Almeida.

Mais grave do que constatar que há pouca gente com formação de nível médio é verificar que essa tendência se mantém. Atualmente, um de cada três jovens de 19 anos já está fora da escola. Entre as ideias trazidas pelo relatório, está a criação de programas para redução da gravidez na adolescência. "Os programas de transferência de renda poderiam ser direcionados para estimular a conclusão do ensino médio. Além disso, seria necessário informar melhor os jovens sobre os benefícios do estudo", aponta o relatório.

Professor desde os 21 anos

O erechinense Vinicius Fruscalso Maciel de Oliveira, tem 25 nos e é professor desde os 21. A vida de trabalhador começou cedo, ainda aos 15 anos. Sempre estudando, conta que conseguiu conciliar com a carreira profissional. O professor leciona em duas escolas públicas, JB e Haidée Tedesco Reali.

"Ter começado trabalhar muito jovem foi importante para perceber algumas coisas que são necessárias, como a busca da independência, o valor ao dinheiro conquistado, o esforço pessoal, o quanto o trabalho é importante para contribuirmos de alguma maneira para uma sociedade melhor", aponta.
Ele também vê com preocupação os números apontados pelo estudo e diz que é preciso entender a maneira com que o jovem está sendo inserido no mercado de trabalho .

Sucesso na carreira
Alan José Bresolin tem 32 anos de idade. Mas a carreira dele passou por uma série de evoluções desde muito jovem. Além de professor de biologia, ele também é diretor da Escola Básica da URI Erechim. Aos 25 anos, foi pela primeira vez-vice-diretor. Como conciliar a juventude com uma carreira de sucesso? A resposta de Alan é simples: comecei trabalhar bastante cedo, de 16 para 17 anos e acredito que uma coisa que foi sempre muito importante para mim, foi a base fundamentada na família, que sempre me deu muito apoio, enfatiza.

Sobre os números do estudo, salienta que a URI tem tido esta preocupação de motivar o jovem ao estudo, mas ter contato desde o Ensino Fundamental com o mercado de trabalho, através de ações que levam profissionais para relatar suas experiências em sala de aula, e também a interação do estudante com empresas, visitando ambientes de trabalho

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