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Escolha que pode salvar vidas

Primeira captação de órgãos de 2018 no Santa Terezinha reacende o debate sobre a importância de informar a família sobre a decisão de doar

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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Primeira captação de órgãos de 2018 no Santa Terezinha reacende o debate sobre a importância de informar a família sobre a decisão de doar

O Hospital Santa Terezinha de Erechim registrou no último domingo (3), a primeira captação de órgãos deste ano. A doadora – uma adolescente de 17 anos – teve morte encefálica constatada após uma queda de bicicleta ocorrida no dia 27 de maio. A doação foi autorizada pelos pais da vítima, após a morte ter sido confirmada pelos os exames necessários conforme protocolo exigido para este tipo de situação.

O caso reacendeu o debate sobre a importância de manter familiares informados sobre a decisão de doar órgãos. Enfermeira e integrante da Comissão Intra-hospitalar de doação de órgãos e tecidos para transplante (Cihdott) do Santa Terezinha, Marlize Locatelli Peron explica que somente a família pode autorizar a doação. “Essa é uma escolha que precisa ser informada em vida aos familiares, pois são eles que, em um caso destes, decidirão”, afirma.

Segundo ela, para que a captação seja possível, há um protocolo que precisa ser seguido pelo hospital quando há a constatação da morte encefálica. “Normalmente a morte cerebral se dá em vítimas de traumatismo craniano causado por um acidente como uma queda, por exemplo. Quando ela ocorre, já é emitido o certidão de óbito, pois não há nenhuma função cerebral. Para constatá-la, são realizados dois exames clínicos e um de imagem. Estes exames fazem parte de um protocolo, são regra neste tipo de situação e dão a segurança de que a morte ocorreu”, salienta, ao ressaltar que desde que são iniciados é aberto um protocolo junto à central de transplantes do Estado.

Assistente social e também integrante da Cihdott, Aline Bresolin explica que é a partir desta constatação que há a abordagem da família do paciente. “É um momento muito delicado, pois em geral trata-se de uma vítima de algo inesperado ou trágico, quando além da notícia da morte, a família precisa fazer uma decisão. A abordagem dos familiares é feita da maneira mais humanizada e ética possível, respeitando o tempo que esta família precisa para fazer esta escolha”, complementa, ao reforçar que a manifestação do paciente em vida sobre o desejo de doar é fator determinante para a decisão da família.

Respeito ao paciente e à família

Ao ressaltar que o protocolo de doação de órgãos no Brasil é um dos mais seguros do mundo, Aline pontua que em muitos casos, a não doação se dá pelo desconhecimento sobre o tema e, também, por questões sentimentais. “Entendemos que para a família é muito difícil a perda, especialmente por esta ter sido, na maioria das vezes, de forma trágica. Então sempre trabalhamos no sentido de mostrar da maneira que pudermos que aquela é uma escolha que pode salvar vidas”, destaca.

Aline é complementada por Marlize, que fala ainda da questão da humanização do atendimento. “Para o familiar é muito doloroso e difícil muitas vezes entender que o paciente de fato morreu, porque mecanicamente e com a ajuda de medicamentos e aparelhos, seu corpo segue funcionando. É por isto que trabalhamos no sentido de humanizar o atendimento, de permitir a despedida, de dar o espaço que a família precisa naquele momento. Além disso, quando da autorização, também é estabelecido um cronograma para que a equipe da central de transplantes possa se deslocar para a captação e que os procedimentos sejam feitos respeitando também o desejo dos familiares quanto às questões funerárias”, completa.

A autorização para doação de órgãos precisa ser feita por dois familiares, quando se trata de um paciente adulto e, quando se trata de menor de idade, pelos pais da vítima. “Quando a família decide pela doação, a central de transplantes é acionada e inicia-se uma corrida contra o tempo, visto que alguns órgãos têm um tempo específico – e geralmente curto – fora do corpo. A retirada é feita no centro cirúrgico e sempre respeitando o corpo do doador. Em seguida estes órgãos são encaminhados para locais onde o paciente que receberá o órgão já está aguardando. Estes pacientes fazem parte de uma lista única definida pela Central de Transplantes do Estado”, esclarece Marlize, ao pontuar que, por uma questão de ética, a família do doador não têm acesso às informações do paciente que receberá o órgão.

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