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Cultura

Personalidade em evidência

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Alysson Santos

Uma erechinense está concorrendo ao título de “Miss Pin-up” no Santa Catarina Custom Show, evento que acontece no próximo fim de semana, na cidade de Itajaí. Após passar pela primeira seletiva, que contou com mais de 100 inscritas, Gabrielle Ciello Antunes está entre as 10 finalistas do concurso que terá desfile no próximo domingo (10). Caso eleita, ela será a representante do evento, marcado principalmente por reunir apaixonados pela Kustom Kulture e cultura vintage, isto é, ligadas à customização e ao estilo retrô.

Gabrielle explica que o evento já acontece há alguns anos, e é conhecido principalmente por exposições de itens do universo da cultura vintage e da customização, especialmente de veículos clássicos e customizados, vestuário e peças raras. “Fui pela primeira vez no ano passado como visitante porque havia me interessado muito pela sua proposta. Quando cheguei lá, era tudo aquilo que a propaganda prometia. É algo muito grande, um dos maiores eventos deste tipo no Brasil, com expositores de diferentes lugares do país. Foi quando conheci o concurso da miss pin-up e, por achar que era ‘a minha cara’ pensei em participar no ano seguinte. Então me inscrevi”, explica.

Ela destaca que a miss pin-up representará o evento. Atualmente o concurso está na fase de votação pela internet, no qual a mais votada receberá um ponto para a grande final. “No desfile as candidatas terão de falar de seu trabalho e o que é para cada uma ser uma pin-up. Claro que se você vivencia essa cultura no dia a dia, isso vai contar muito para o que você é. E outro ponto que chama mais minha atenção, é que não se trata de apenas de um concurso de beleza, mas de personalidade, que é o que define principalmente o evento e a cultura custom. Esse concurso vai eleger a pin-up com mais personalidade não só pela beleza, mas pela atitude no visual, no dia a dia e a maneira como presencia e vivencia a cultura vintage. É interessante o fato de não haver uma cobrança por um padrão de corpo, de beleza, de peso ou de altura. O que importa é ter personalidade”, destaca.

Muito além do concurso

Embora Gabrielle fale do sonho de se tornar a pin-up representante do evento, sua identificação com a cultura vintage e da customização vai muito além do concurso. “Me senti a altura para concorrer porque sempre dei ênfase a isso na minha vida. Desde a adolescência eu vi que não era comum, que não era como as outras meninas, que não seguia modismos. Sempre dei vasão ao que eu gostava acima de tudo, acima de as pessoas pensarem que aquilo era bizarro, que aquilo não era normal ou que não estava na moda. Eu sempre gostei de usar aquilo que eu me sentia bem, que me fazia bem e o que me cativava os olhos. Nunca fui atrás de modismos e isso reflete muito da minha personalidade, pois sempre gostei da cultura vintage, da cultura retrô, eu me reconheço dentro dela, de poder me vestir desta forma, de vivenciar essa cultura no meu dia a dia porque é algo que sempre me chamou atenção e me cativou. Sempre brinco que nasci na época errada porque tudo que é do passado me salta aos olhos”, conta.

Toda essa identificação não se limita exclusivamente ao seu gosto pessoal. Há um ano Gabrielle se dedica também ao brechó Lolita Rockabilly, empreendimento que surgiu de um sonho antigo da jovem. Além de uma fonte de renda, é através dele que ela exercita sua criatividade e leva adiante o estilo que aprecia desde a adolescência. “Por gostar desse visual e de algumas pessoas se interessarem por esse estilo, surgiu a ideia do meu brechó, mas com o diferencial de ser com peças selecionadas, garimpadas e específicas. Não são apenas roupas vintage, mas da moda alternativa, peças de época. As que precisam de ajustes e reparos eu mesma os faço para que fiquem em bom estado e que a pessoa possa ver naquela peça algo único e algo que vai lhe acrescentar. E tem a questão da cultura kustom, que é dar um novo sentido a uma peça, lhe conferir um novo significado, de tornar aquela roupa única, diferente de quando se compra algo que foi produzido em série. Por isso, procuro não repetir as customizações”, explica.

Moda e sustentabilidade

Gabrielle é a responsável pelas criações e customizações nas peças que são comercializadas no brechó, que faz vendas online para todo o Brasil. Além da dedicação em cada criação, ela fala sobre sustentabilidade. “Todas as peças têm um processo por trás, que passou por reparos, por uma customização, que na verdade é uma arte e envolve um trabalho cuidadoso. Faço estampas manuais para que elas fiquem diferentes e divertidas e que não se encontre no mercado. Há todo um carinho, um ato de amor em cada criação. É também algo que significa muito para mim, pois eu vejo como um trabalho sustentável, no qual consigo fugir do consumo desenfreado do mercado que é comum na cultura da moda no qual as pessoas não se preocupam com meio ambiente. Os materiais que utilizamos são quase todos reciclados, poucas coisas são compradas, pois quase tudo é doação e reciclagens e poder relacionar essas duas coisas – moda e sustentabilidade - que parecem tão distantes significa muito para mim, sinto estar fazendo minha parte mesmo que seja pouco comparado ao tanto de coisas que a gente poderia fazer”, completa.

Sobre ser uma pin-up

O termo pin-up vem do inglês “pendurado” e se relaciona às mulheres retratadas em quadros e/ou calendários que eram afixados em paredes. Embora Gabrielle relembre o fato de muitas vezes as pin-ups estarem ligadas somente à sensualidade e até mesmo vulgaridade, ela destaca o viés revolucionário das primeiras pin-ups. “Geralmente se tem a leitura vulgar das pin-ups, ligado à sexualização. Mas, na verdade, as pin-ups revolucionaram a história das mulheres por terem atitude, por terem personalidade forte e por enfrentarem os padrões que eram impostos às mulheres. Isso é ainda mais representativo se pensarmos nas décadas de 30 e 40, quando a sociedade era muito mais dogmática e fechada do que hoje. Ainda temos alguns padrões e dogmas, mas no passado isso era muito maior e a mulher não tinha vez, sua única função era ser dona de casa, mãe de família. A pin-up revoluciona a partir do momento que decide que pode usar a roupa que quiser, mesmo que seja uma roupa curta, que ela pode sim ser sensual se quiser, que ela pode sim mostrar a beleza dela. Antes de ser considerada como uma mulher erotizada pelo seu corpo, ela é uma mulher de personalidade forte que decidiu que poderia fazer aquilo e ser alheia ao que lhe era determinado e isso revolucionou aquela época, quebrou paradigmas. É nisso que me inspiro, porque vejo a pin-up como uma mulher que tem muita personalidade, que é única e não tem medo de impor as suas vontades e não tem medo de se arriscar”, enfatiza.

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