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Saúde

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Inverno exige cuidados com a saúde

Profissionais reforçam que a estação sinaliza para hábitos simples que podem evitar sérios problemas

Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Izabel Seehaber

Nesta quinta-feira (21) inicia oficialmente a estação que divide opiniões: o inverno. Contudo, independente de gostar ou não, as baixas temperaturas merecem atenção redobrada quando o assunto é saúde. 

Isso porque o simples ato de ficar mais "encolhido" devido às sensações provocadas pelo frio, pode gerar mais riscos em relação às doenças cardíacas. A afirmação é do médico cardiologista de Erechim, Celio Fahl, que durante entrevista ao Bom Dia explicou sobre como a população pode cuidar dos hábitos tradicionais e evitar sérios problemas.
Conforme o especialista, há pesquisas que mostram e na prática é possível perceber que durante o inverno aumenta a incidência de doenças cardiovasculares. "Com o frio, ocorre uma vasoconstrição, quer dizer, os vasos se "fecham" e isso aumenta a resistência vascular e por consequência, o aumento da pressão arterial", explica, citando que nos últimos dias, em que foi registrada queda de temperatura, a procura dos pacientes portadores de doenças cardíacas pelo atendimento nos consultórios, aumentou em razão de terem percebido que a pressão está descompensada. 
O médico destaca que ao aumentar a pressão cresce também o risco de doenças cardiovasculares, principalmente duas: infarto e o Acidente Vascular Cerebral que são atualmente as principais causas de morte em adultos no mundo moderno, em países desenvolvidos. "Existe até mesmo um provérbio que diz: "Cuidado com o mês de agosto", pois realmente é um período muito frio e reflete na saúde da população", cita. 

Controle da alimentação e exercícios 
A alimentação é outro aspecto que deve ser considerado e está inclusa nos hábitos que reacendem o sinal de alerta no inverno. O equilíbrio é importante em todos os momentos. É possível comer algo mais calórico mas de maneira moderada. 
Além disso, a prática de exercícios geralmente é reduzida no dia a dia das pessoas. "Para aumentar o calor corporal ingerimos produtos mais calóricos, o que pode causar aumento de peso. Geralmente isso vem atrelado a um teor de gordura e aumenta o colesterol", comenta o médico. 
Segundo Célio, a indicação às pessoas é que continuem os exercícios mesmo no frio. Caso prefiram, procurem as academias ou utilizem os equipamentos que até mesmo possam ter em casa, como bicicletas ergométricas ou esteiras. "Assim como preconizamos que no verão as caminhadas, por exemplo, devem acontecer bem cedo ou no fim da tarde, no inverno a situação é contrária e deve ocorrer após as 9h e até as 16h", orienta.

Outro hábito que não se altera, de acordo com o cardiologista, independente do calor ou frio, é manter o uso de medicamentos receitados pelos médicos. 

Exercícios que mudam a rotina e a qualidade de vida

No inverno geralmente há uma menor procura pelos exercícios físicos por uma questão de conforto. O ato de trocar de roupa e sair de casa já faz com que muitas pessoas acabem desistindo. 
Na opinião do personal trainer, Cristian Andreolla, se as pessoas estão ingressando na atividade física, é mais complicado ainda, pois há um histórico de sedentarismo que persistiu durante o verão e se amplia com as baixas temperaturas.
Segundo Cristian, os exercícios representam uma importância muito significativa, independente da temperatura. "Contudo, no frio, fisiologicamente o corpo sofre uma diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, sejam artérias ou veias. No processo interno pode ocasionar o aumento da pressão, entre outros problemas", alerta. 
Já quando as pessoas fazem exercícios, principalmente no inverno, ocorre uma dilatação dos calibres do vaso sanguíneo e por sua vez, da pressão arterial. Além de provocar bem-estar, acontece a diminuição dos riscos de problemas cardiovasculares. 
Além disso, conforme o personal, também diminui a incidência de doenças alérgicas, fibromialgia (dor no corpo), entre outras doenças.

A escolha do ambiente
Cristian explica que os exercícios devem iniciar com ritmo mais calmo. "Toda mudança que é realizada de forma gradual, a tendência é que ocorra mais frequência, em razão dos benefícios apresentados. Mas a escolha depende muito da motivação. Sobre os treinos realizados em casa, não vejo de forma muito motivacional pois a pessoa estará sozinha, não terá limite pré-estabelecido de forma eficaz para transpor. No caso da corrida, se ela estiver sozinha, quando estiver cansada, a tendência é diminuir o ritmo até que ela não conseguir transpor os limites e com o passar do tempo ocorre a desmotivação e a desistência", relata. Conforme Cristian, se ela estiver em um grupo, é estabelecida uma meta e assim é mais fácil cumprir. Sem falar que haverá um profissional acompanhando, fornecendo orientações para que reduza a possibilidade de lesão. 
Hoje em dia se observa ainda, a adesão de muitas pessoas à caminhada e à corrida. É a atividade que mais aumenta em razão de não ter dispêndio econômico. Contudo, se não forem observados alguns cuidados, podem ocorrer problemas no esqueleto, ocasionando desvios. 
Por isso, antes de começar os exercícios é importante contatar com um educador físico ou um fisioterapeuta para fazer uma avaliação e exames para adequar os exercícios e que estes possibilitem boa harmonia postural, sem dores. "Toda modificação feita de maneira abrupta pode fazer com que o corpo não tenha uma aceitação pois o cérebro tende a ficar em uma zona de conforto. Por isso é importante manter uma rotina de atividades contínua, uma alimentação saudável e condizente aos exercícios que pratica", ressalta.
Do mesmo modo, o aquecimento antes de sair de casa também é importante para evitar lesões.

Foco na dieta
Com as baixas temperaturas inicia também a temporada das comidas quentinhas e calóricas. Isso merece uma dose extra de cuidado, pois é nesta época em que o organismo queima mais calorias com o intuito de se aquecer, aumenta a velocidade do metabolismo e com isso pode também aumentar a fome em espaços menores de tempo. A orientação é da nutricionista Angela Dorigoni. "O importante é que você saiba como usar a dieta a seu favor nesta estação. Estudos revelam que essa relação com comidas quentinhas tem um apelo emocional, as pessoas tendem a buscar conforto na alimentação", explica.
Outra desvantagem da estação, segundo a especialista, é que no inverno, a necessidade de repor água é menor que no calor, por isso reduzimos o consumo de água, frutas e saladas mais leves, e preferimos alimentos mais quentes, calóricos e com digestão mais lenta, que tendem a proporcionar uma sensação de saciedade. 
"Tudo isso nos faz parecer que inverno é mesmo uma temporada ingrata para quem faz dieta. Além de ficarmos com menos disposição para malhar, as comidas à mesa são uma verdadeira tentação calórica", comenta, sugerindo que é possível fazer trocas inteligentes, incluir alimentos que forneçam mais saciedade, aqueçam o metabolismo e forneçam nutrientes para manter a imunidade em alta. 

Confira a seguir algumas sugestões de alimentos que podem auxiliar na controle da alimentação saudável:
Castanhas/nozes/amêndoas/amendoins
Fontes de gordura boa, as nuts são ótimas opções de snacks entre as refeições.além de serem antioxidantes, são fundamentais para melhorar os níveis de serotonina, neurotransmissor que tem papel no equilíbrio do humor e na sensação de saciedade. 
Só cuidado: 100 gramas do alimento têm, em média, 500 calorias. O ideal é limitar a 30g/dia. 

Abóbora/Moranga
Consuma de forma cozida as fibras se mantêm intactas e contribuem para a saciedade. Aposte no legume como acompanhamento do almoço ou jantar.

Termogênicos - Chás/cafés/pimentas
A nutricionista orienta o consumo de chá verde, cavalinha, hibisco, dente de leão com hortelã, anis, limão siciliano e gengibre com limão e canela, que além de gostosos, ajudam a queimar mais calorias por serem termogênicos. Cuidado com o exagero: o gengibre também tem o poder de estimular o apetite!
Limite o uso de chás e cafés a 3 a 4 xícaras por dia.
Se não tiver nenhum problema gastrointestinal, inclua as pimentas no preparo da  alimentação diária.

Cuidado com as sopas
No inverno, substituir a salada do jantar por uma sopa é uma ótima alternativa para aquecer o corpo de forma light, desde que contenha os alimentos adequados, pois se escolher os ingredientes errados pode virar uma bomba calórica. Fuja de caldos incrementados com bacon, galinha caipira, carnes gordurosas, creme de leite, requeijão. Uma sopa balanceada deve possuir uma porção de proteína ou gordura boa, e e ntre os legumes, sugiro abobrinha, berinjela, chuchu, alho poró, couve-flor, brócolis, abóbora e carboidratos de baixo índice glicêmico, como batata doce ou baroa.  

Troque a cerveja pelo vinho
O clima frio é mais favorável ao consumo de vinho. Rico em antioxidantes, faz bem para redução do colesterol ruim, portanto faz bem para o coração. A recomendação diária de consumo é de até duas taças para homens e uma taça para mulheres.

Para adoçar o dia
Opte por frutas assadas com canela: maçã, banana, pêssego ou abacaxi.  Laranja picada com canela também é uma delícia.  A especiaria termogênica ainda ajuda a atrasar o esvaziamento gástrico, colaborando para evitar a fome ao longo do dia, prevenindo picos de ansiedade e a consequente vontade de comer mais doce.

É mais difícil seguir uma dieta no inverno do que verão?
Mais difícil porque fisiologicamente nosso organismo "pede" mais calorias para repor a aceleração do metabolismo que existe no inverno. Porém o fator positivo é que no inverno aumenta a queima calórica por conta do organismo tentar se aquecer e com isso, se emagrece mais facilmente se seguirmos uma dieta adequada. 

Água: dois litros por dia ou muda conforme cada pessoa?
A necessidade de água tem um média estimada de dois litros, mas varia de acordo com cada indivíduo. Um cálculo fácil é multiplicar o seu peso por 0.03 e terá a quantidade mínima de água exata que deve ingerir por dia. (Exemplo: pessoa de 60 Kg: 60 x 0.03=1,8 litros/dia)

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