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Rural

Aposentado diz que é possível erradicar a fome no mundo

Por Paola Seibt
Foto Paola Seibt

Para quem está acostumado a ver uma horta com canteiros divididos, cada um com um tipo de verdura ou legume vai se surpreender com a horta urbana cultivada na área central de Erechim.

O mentor da ideia é o aposentado Henrique Augusto Peter, que há pouco mais de sete anos cultiva alface, radici, algumas variedades de tomate, salsinha, cebola, cebolinha, cenoura, beterraba, pimentão, repolho e alho-poró na área de lazer em frente a casa em que mora. Todo alimento produzido não leva qualquer tipo de componente químico nem fertilizante. A terra usada é adubada através do processo de compostagem, que ele mesmo prepara. De acordo com ele, desde o início dos ensaios os resultados foram além das expectativas. “É possível cultivar qualquer espécie de legumes, como milho, tomate, ervilha, feijão de vagem, beterraba, repolho, couve, morangos. Todas as espécies de condimentos, inclusive bonsai.”

Cada semente é plantada dentro de uma garrafa pet grande, cortada há uns 10 centímetros do gargalo. Como Peter já está inovando a técnica, agora ele coloca a garrafa dentro de outra, como se fosse um cachepô que, ligado por uma mangueira a um garrafão com água, mantém a umidade, através de um sistema hidrostático. “É como se fosse o pratinho, a água está sempre ali, mas sem problema de mosquito,” argumenta.

O sistema hidrostático foi construído com apoio do filho que é físico e ajudou o pai com os cálculos para manter o nível da água. Isso porque, “uma planta precisa de estabilidade de nutrientes para crescer,” explicou.

A motivação que o leva a refletir e a aprimorar o sistema da horta urbana é do número de pessoas que ainda passam fome no mundo e, que com este projeto, poderiam ter outro destino. Outro estímulo se refere a quantidade de garrafas pet que deixariam de poluir rios, matas e mares dando, assim, uma boa utilização para elas. 

Na horta em sua casa, um dos problemas é a falta de luminosidade no local, mas que mesmo assim consegue colher tudo o que planta. Para Peter, esta é a única maneira de se plantar verduras e legumes na área urbana, pois deste modo as plantas estão livres de contato com animais, como cães e gatos.

Ele pretende ir longe com esta ideia que inclusive já foi patenteada. Acredita que poderia ser aplicada em países subdesenvolvidos e em áreas bastantes pobres também do Brasil, visando o plantio de alimentos, com o objetivo de diminuir a fome no mundo. Sugere que a proposta pode ser usada em escolas, quartéis, presídios, centros para recuperação de dependentes químicos, entre outros. Argumenta que “é uma boa ocupação para aposentados e uma terapia que faz bem ao corpo e a alma”.

De acordo com ele, a vizinhança o enxerga como ‘o alemão louco’, e não vêem futuro nas colocações que Peter faz sobre o assunto. Mas o aposentado afirma que não dá atenção para isso e segue firme no seu propósito, que o mantém lúcido, centrado e cheio de objetivos aos 74 anos. 

Sistema de irrigação

O sistema de irrigação utiliza o princípio da física chamado hidrostática. A partir dele, basta manter o recipiente que umidifica os vasos com água reabastecendo-o quando está vazio. A água passa de um vaso para outro até que todos atinjam o mesmo nível, que é determinado pela posição dos niples instalados em sua base. Quando se quiser um nível maior se eleva o recipiente alimentador. À medida que as plantas consomem a água o nível se refaz automaticamente.

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