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Espírito, flores e velas

Por Marlon Santos

Espírito, flores e velas

“O que pensamos sobre a morte só tem importância na medida em que a morte nos faz pensar na vida”. (Autor Desconhecido). O medo é inerente aos seres humanos e tem funções importantes na nossa vida constituindo fatores necessários ao nosso desenvolvimento emocional.

André Luiz classifica o medo como “um dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas”. Estudos publicados no informativo Personality and Social Psychology Review, informam que pensar sobre a morte pode fazer bem à saúde, pois a consciência sobre a mortalidade pode melhorar a saúde física e ajudar a priorizar valores e objetivos promovendo bem estar.

Na Terra, a morte ainda é um fenômeno difícil de ser aceito e, pois a incerteza do que vem depois dela é que atemoriza, porém, por mais longa que seja a existência corporal, chegará o momento em que a energia vital cessa, e o Espírito encarnado retorna à erraticidade.

Dentre os motivos que podem levar uma pessoa a ter medo da morte, estão a incredulidade, a pouca fé, crenças que impõe esse sentimento e apelo a bens materiais. Quando Jesus disse: “Deixa aos mortos o cuidado de enterrar
seus mortos”, Ele quis mostrar que a vida espiritual é a verdadeira vida e que o corpo não passa de simples vestimenta grosseira que temporariamente cobre o Espírito e que o prende à terra, do qual se sente feliz em se libertar. (S. Lucas, Cap. IX, vv. 59 e 60).

A comemoração dos mortos teve origem na antiga Gália, onde os druidas comemoravam a Festa dos Espíritos, não nos cemitérios, mas sim, em cada casa, onde evocavam as almas dos falecidos.
Somente no século X a Igreja Católica instituiu oficialmente o dia dos mortos em 02 de novembro, porém hoje, esta data transcendeu o lado religioso, passando para o lado comercial, quando ocorre grande comercialização de flores e velas e a preocupação maior com a conservação dos túmulos, que muitas vezes, ficam o ano inteiro abandonados.
O espírita respeita vários costumes perante a morte, porém, procura agir sempre em função da realidade espiritual e não das aparências, pois sabe que os Espíritos são mais sensíveis às lembranças que às homenagens, que se constituem em alívio para aqueles que são infelizes.

Nos velórios, o espírita não usa velas ou flores, pois sabe que o Espírito não precisa dessas exterioridades, entretanto procura respeitar sua memória com orações e pensamentos carinhosos em favor de sua paz e amparo no Mundo Espiritual, evitando que a saudade se converta em motivo de angústia, pois este sentimento prejudica o desencarnado.


O Espiritismo, não vem impor regras, mas o espírita sabe que é dispensável ir aos cemitérios porque as vibrações alcançam o Espírito onde quer que esteja, e no dia de finados atendem ao apelo do pensamento e da prece como em outro dia qualquer, por isso, pouco importa o lugar, desde que seja ditada pelo coração. A morte precisa ser encarada como parte da vida, por isso, roguemos a Deus para que os fortaleça nessa hora difícil, procurando viver de tal maneira que possamos desencarnar a qualquer instante, sem desequilíbrio, aceitando como um dos ciclos da vida que se cumpre, pois a morte do corpo físico não consegue destruir a vida.


A melhor homenagem que se pode prestar a alguém que viaja para o Mundo Espiritual, é oferecer buquês feitos com nossas preces, pois aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós e é nesse instante que Deus nos dá a oportunidade para fortalecer a nossa Fé.


Os ventos que às vezes tiram algo que amamos são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado E sim aprender a amar o que nos foi dado pois tudo aquilo que é realmente nosso nunca se vai para sempre.



 

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