Blog do Igor Dalla Rosa Muller

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Para uns Natal. Para outros?

Por Igor Dalla Rosa Muller

Para milhões de brasileiros não houve Natal, nem haverá fim de ano, muito menos qualquer perspectiva, minimamente, razoável de existência para 2018. É isto mesmo, nada. Apesar de não me faltar casa, comida e trabalho não posso fechar os olhos para os Brasis.

O Brasil vive uma crise política, social e econômica com efeitos devastadores ao sistema produtivo e as famílias brasileiras. Os recordes – negativos – compõem um quadro de horrores sem fim, como um quarto da população, 50 milhões de brasileiros, vivendo na linha da pobreza.

Como um país vai se reerguer, produzir, ter atividade econômica, comercial, fazer planos, simplesmente viver, com todas estas pessoas passando fome, necessidades básicas. O número em si já assusta, mas não traduz o tamanho da desgraça, que se multiplica em doenças, fome, miséria, violência. Um ciclo de vida totalmente improdutivo e sem nenhum bem-estar.

Nada escapa, o custo de vida sobe diariamente com reflexos direto no bolso do cidadão. Do outro lado, empresas e trabalhadores amargam o peso de um governo ineficiente, que a cada dia aumenta a mordida nas contas e está mais ávido por mais e mais. É uma luta para se manter vivo num mercado completamente hostil para aos negócios.

É quase impossível manter uma empresa aberta hoje em dia. São muitos os fatores que conspiram contra, atividade econômica estagnada pela crise generalizada; falta de investimentos em infraestrutura, educação e saúde, que não injetam recursos na economia; alta carga tributária, que acaba com o poder de compra; desemprego e o custo elevado do dinheiro. Tem que ser muito eficiente para manter as portas abertas.

A criminalidade, de todos os tipos, excessiva e brutal, cresce em todos os cantos do país. O cidadão está acuado e assiste trancafiado em casa a desestruturação da sociedade. Está difícil trabalhar, o que virá depois?

A recessão dos anos de 2015, 2016 e 2017 roeram os últimos alicerces financeiros de trabalhadores e empresários. O que nos espera para 2018? Será o governo municipal capaz de agir no próximo ano? De que maneira? Que bola nas costas virá do governo federal?   

Quando se trata de arrecadar, retirar ou implantar medidas que reduzam o poder aquisitivo do cidadão, o governo é eficiente e rápido. Se a pauta é sugar ela é sempre urgente, urgentíssima. É simplesmente enlouquecer.

O governo vive de impostos e está faltando dinheiro para investir. Agora, me explique caro leitor, porque numa época extremamente complicada a classe política federal aprova uma medida provisória para subsidiar a indústria do petróleo? Sim, a indústria mais rica do planeta. É isto mesmo, a Medida Provisória 795, que deve ser sancionada por Temer, prevê isenção de impostos a petroleiras. Por quê?

Por favor, alguém esclareça qual é a logica disto? Por que só se fala em cortes de investimentos em saúde, educação e infraestrutura. Então, como pode o governo abrir mão de trilhões de reais em impostos, quando faltam recursos para as áreas mais essenciais do país? Que tipo de racionalidade, matemática, planejamento, previsão, comporta tamanha contradição? Esta é e sempre foi a cara do político brasileiro.

É o tipo da ação que não beneficiará em nada a economia e o cidadão. Nem agora, nem depois, nem nunca, este subsídio não vai diminuir o preço do combustível, já que mais de 50% do valor são impostos. O detalhe escandaloso da MP 795 é que a suspensão dos impostos cobrados de petrolíferas nacionais e estrangeiras vai até 2040. Mais, também inclui perdão de dívidas.

Quais dos empresários e trabalhadores erechinenses tiveram sua dívidas perdoadas nos últimos anos. Ou quem sabe algum incentivo a mais para produzir? Não existe, não há, é só cobrança em cima de exigência, uma usurpação geral e permanente.

Não sou eu que estou dizendo, o apelido "MP do Trilhão" surgiu depois de um estudo técnico assinado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Ela calculou que com a entrada em vigor da MP 795 os cofres públicos deixarão de arrecadar cerca de 1 trilhão de reais. O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) Kleber Cabral, afirmou que a MP 795 tem dois lados perversos. “O que o país vai deixar de arrecadar no futuro e a dívida que ela perdoa".

O governo quer que o povo se sacrifique a todo custo pelo futuro do país, mas aprova uma medida absurda e completamente prejudicial dessas, que impacta diretamente na autonomia financeira de toda nação. Por que legitimar ano após anos esta cultura de exploração desmedida e letal para a sociedade brasileira? Por que o político brasileiro é tão subserviente, medíocre, capacho, impotente, mal intencionado quando o assunto é Brasil? Por que só ter por hábito lesar e ferrar o seu país? Alguém me explique, por favor, porque não há justificativas para tal. Não há estômago que aguente.

Registro fotográfico

Saída foi usar o guarda-chuva para fugir do calor intenso no dia 26, em Erechim.  

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