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Salmo 50 - Sacrifício de ações de graças

Por Dennis Allan

Deus precisa de alguma coisa de nós? O criador do mundo depende dos sacrifícios e ofertas de homens para sobreviver? É claro que não! Asafe escreveu o Salmo 50 durante a vigência da lei dada por meio de Moisés no monte Sinai, um período no qual Deus exigia dos israelitas sacrifícios de animais e ofertas dos produtos dos seus campos. Mas, como Deus diz nesse hino, essas ofertas não foram para sustentar o Senhor, pois ele jamais depende dos donativos dos homens:

“Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas.

Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam [vivem – NAA] no campo.

Se eu tivesse fome, não te diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém.

Acaso, como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos?” (versos 10 a 13).

Mas esse Salmo não começa com esta questão. Por trás dos comentários de Deus sobre sacrifícios e ofertas há um fato importante que todos devem considerar: o Salmo 50 inicia com a descrição do Deus onipotente como juiz. Os primeiros seis versos desse hino destacam sua soberania universal, sua gloriosa santidade e sua ira no julgamento dos homens.

Que esperança o homem teria diante do poder desse juiz? Poderia agradar a Deus por meio de sacrifícios? O conceito de oferecer sacrifícios ao senhor foi ensinado por Deus desde o tempo da primeira família humana, pois Abel agiu por fé e foi aprovado por Deus quando fez um sacrifício agradável (Hebreus 11:4; Gênesis 4:4). No tempo dos patriarcas e durante todo o tempo da vigência da Lei dada por meio de Moisés, Deus exigia sacrifícios e ofertas. Foi certo, até necessário, para os servos de Deus naquela época oferecer seus animais, cereais etc.

Mas, esses sacrifícios não garantiam o favor de Deus. Se o homem é incapaz de fornecer algo que Deus precisa, como seria possível agradar ao criador e evitar a sua ira? Duas vezes nesse Salmo, Deus fala o que ele realmente deseja receber do homem. Ele não nega a necessidade dos sacrifícios, mas deixa claro que o homem não pode se justificar por eles. De fato, o homem é incapaz de se justificar por qualquer obra de mérito. Esse Salmo ajuda a entender que a doutrina da salvação pela graça não começa com o Novo Testamento.

O que Deus quer do homem?

Aos fiéis, ao povo que guardava a aliança do senhor, ele disse: “Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o altíssimo; invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (versos 14 e 15). Deus quer gratidão, fidelidade em nosso compromisso, dependência da sua graça e a honra que só ele merece.

E para as pessoas que vivem em rebeldia contra Deus, recusando admitir sua soberania e seu direito de estabelecer as normas para sua vida? Mesmo quando falam sobre Deus, essas pessoas recusam a disciplina, ignoram a palavra de Deus, apoiam malfeitores e pecam contra Deus com impunidade (versos 16 a 21). Da mesma forma que Deus vem em julgamento do seu povo (versos 3 a 6), ele promete julgar as pessoas rebeldes (versos 21 e 22).

Nesse contexto da condenação dos malfeitores, Deus fala pela segunda vez o que ele deseja do homem: “Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre. O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus” (versos 22 e 23).

Ninguém é capaz de fazer obras boas suficientes para merecer a vida eterna, pois todas as boas ações do homem não podem comparar com a gravidade do seu pecado contra o Senhor. A nossa única esperança se encontra na graça de um Deus que nos ama e deseja nos salvar, apesar dos crimes que cometemos contra o Senhor.

Não adianta tentar escalar a montanha para chegar ao céu. Precisamos confiar em Deus para nos salvar, e viver em fidelidade e gratidão pela graça que ele nos oferece em Jesus cristo.

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