Blog do Neivo Zago

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A foto que não chegou ao seu destino

Por Neivo Zago

Quantas vezes nós postergamos um encontro entre amigos, uma visita, um programa, em troca de uma evasiva qualquer. E, quando nos damos conta, perdemos oportunidades de ouro. Só então constatamos que tudo é passageiro. Daí vem o arrependimento de não termos feito o que deveria ter sido. E lamentar, não faz mais sentido. O amanhã é futuro e o futuro não nos pertence.

O ano caminha célere para o seu ocaso e como sói acontecer, se olhamos para o futuro ao mesmo tempo voltamos o nosso olhar para avaliar o que fizemos no ano que se extingue. Não há como querermos escrever o que não foi escrito, ou preencher as folhas do nosso diário do ano de 2017 que ficaram em branco. É hora do acerto de contas com o ano que finda.

Tenho como um dos hobbies fazer cópias de fotografias de muitas circunstâncias como festas de aniversário, excursões, encontros e presenteá-las a amigos. Penso que é uma das formas de materializar e perenizar lembranças que ficarão marcadas na memória das pessoas que me foram caras. Até porque, mesmo hoje com a praticidade do celular e a facilidade de repassar fotos e textos, um registro em papel com uma mensagem no verso tem o seu insubstituível valor.

O momento do advento, como bem lembrou o Pe. Giovane em uma das suas homilias foi o de fazer faxinas, retirar teias, afastar móveis; enfim, realizar uma limpeza geral, porém não apenas nas dependências da nossa casa física, mas do nosso interior. E, nessa faxina, revendo alguns envelopes contendo fotos ainda não entregues a alguns dos meus amigos, deparei-me com uma que deveria ter sido dada à Ondina. A foto retratou um encontro fortuito e casual no Parque da ACIE, por ocasião do Acampamento Farroupilha deste ano. No verso escrevi: “Estava gostoso ou não aquele chopp, naquela tarde de segunda-feira, do dia 18/09, na Soul Roots – Frinape, por ocasião do Acampamento Farroupilha? Ondina, este foi um encontro casual, daqueles inesperados, mas que ficarão na memória. Um abraço. Neivo e Guiomar.”

   Nem é preciso lembrar que o tempo voa célere e que se não soubermos viver o presente na sua plenitude e ficarmos apenas nas boas intenções e acharmos que teremos muitos anos pela frente, poderemos nos enganar e, pior, nos arrependermos de não ter realizado o que deveria ter sido. Pouco ou nada valeu de eu ter feito duas cópias daquela foto. A que deveria ter sido entregue à amiga não chegou ao seu destino, porque eu fui protelando e, porque ela partiu inesperadamente. Por isso, pode ser tardio deixarmos para amanhã.

Assim, se pensarmos no ano passado e noutros e folharmos a nossa agenda, ou o nosso diário e nos deparamos com muitas páginas em branco, não nos restará outra opção do que lamentarmos o tempo perdido, mesmo porque, “a pedra jogada, a flecha lançada, a palavra dita e o tempo passado, não mais voltarão”. E, páginas em branco em um caderno ou, em um livro, são o mesmo que nada. Portanto, ainda restam três dias deste ano para podermos escrever algo de produtivo. Por que não?  

A paisagem junto à parede divisória na entrada da nossa casa contém este pensamento: “Um novo dia é uma página em branco no livro da vida. Escreva apenas o que vale a pena”. Que neste ano possamos escrever tantas e quantas páginas possíveis e, se possível, somente com registros que valham a pena para que não passemos em vão e sim deixemos pegadas de construção de um mundo melhor a começar pelo nosso mundo interior.

P.S.: Não consigo entender como é que gente descontextualizada espoca foguetes no Natal. Não bastam os exageros de fim de ano? Deus nos livre! Lei para quê? Até parece que muitos desses tresloucados possuem no lugar do cérebro o conteúdo que Rui Barbosa tinha nos intestinos. A vocês leitores, como são o Giocondo, Dosolina e Guto Zago, um Feliz Ano Novo, bem como ao colega professor Guilherme Barp (genuíno porque na nossa classe também existem os “covers”), incansável batalhador do “x”, assíduo leitor, crítico, construtivo e participativo deste espaço, o meu apreço.* Este artigo, deveria ter sido publicado na sexta-feira, como é o costume, mas por um lapso não foi.        

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