Blog do Gleison Wojciekowski

coluna gleison.jpg

A diva Yáskara Sperhacke

Por Gleison Wojciekowski

O sonho mais alto para um cantor lírico é fazer o papel principal de uma ópera, agora imagine fazer isso durante quase duas décadas na Europa, o berço desta arte que reúne dança, teatro e principalmente música? Por mais distante que um sonho como esse possa parecer, ele foi realizado por uma cantora erechinense, Yáskara Sperhacke.

Neta de imigrantes alemães da região de Bochum (avôs paternos Francisco Magnus Sperhacke e Isla Arnt) e italianos da região da Cecília (avôs maternos Evaristo Sandri e Maria Adelina Bolzan), Yáskara Sperhacke, juntamente com seus irmãos Cyntia e Aldo Sperhacke Jr., são filhos de Aldo Sperhacke e Judit Bolzan Sandri.

Seu pai, o economista do Banco do Brasil Aldo Sperhacke, sempre foi muito ligado a cultura, colecionava armas antigas, selos, moedas, relógios e antiguidades em geral, e seu desejo de morar em um castelo, fez que construísse para sua esposa uma construção toda revestida em pedras, com torres, archotes na forma de um castelo medieval.

Vale salientar aqui que foi iniciativa de seu pai a construção da atual agência do Banco do Banco do Brasil em Erechim, com um painel do artista plástico Harrison Testa.

Mas talvez sua maior influência no início de seu contato com a música tenha sido sua mãe Judit Bolzan Sandri, que cantava tangos de maneira autodidata e totalmente descompromissada.

Yáskara iniciou seus estudos formas na Escola São José em Erechim, onde foi convidada pela professora irmã Clarice, para ser solista no orfeão “Bem - te – Ví”. Estudou piano, canto, teoria musical e solfejo, harmonia e história da musica pelo Liceu Musical Palestrina de Porto Alegre.

Devido ao trabalho de seu pai junto ao Banco do Brasil, morou em diversas cidades diferentes como Candelária, Brasília, Getúlio Vargas, mas independentemente disso, Yáskara sempre buscava bons professores para poder continuar seus estudos.

Já na década de 1980, Yáskara cursou a faculdade de Educação Artística na Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo, e em seguida uma especialização em canto com a professora Reni Sudbrack.

Além da performance musical, Yáskara Sperhacke trabalhou também como professora de Educação Artística junto ao Patronato de Passo Fundo. Paralelamente a isso, seguia seus estudos de canto com a professora mezzo-soprano Hilda Menna Barreto, em Porto Alegre.

 Em 1989, juntamente com a pianista erechinense Rosemari Niederberger, Yáskara Sperhacke realiza doze concertos em Hannover, Alemanha, onde tinham como repertório música erudita brasileira de compositores como Heitor Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Alberto Costa e Leopoldo Miguez.

Após esse período, Yáskara recebe convite para permanecer na Alemanha, onde realiza diversos concertos com a pianista correpetidora Gertrud Siebner (nessa época já com cerca de 70 anos de idade), com quem passa a morar.

Estando na Alemanha, paralelamente aos concertos, Yáskara cursou o mestrado na Haus Marteau, em Liechtenberg, além de estudos em Lubeck.

Além disso, estudou também com a cantora de ópera mezzo-soprano Elisabeth Dimfpel Apel, com o diretor e cantor da Casa de Ópera de Hannover, sr. Gerry Schimdt e com a solista soprano Margarete Schwartz, também em Hannover.

Yáskara teve participação no coro da Ópera de Hannover e concertos na Sociedade Alemã – Brasileira, em Bohn, na Filarmônica de Berlim além de diversas outras cidades da Alemanha.

Como um ápice da carreira de Yáskara Sperhacke, é contratada como primeira soprano e solista do teatro da cidade de Hof, onde permanece pelo período de onze anos, e permanecendo na Alemanha um total de dezessete anos.

Nesse tempo, Yáskara Sperhacke teve diversos papeis importantes em diversas óperas, operetas e musicais como: Ougen Onegin, Herzstuck, Le Nozze de Figaro, Nostradamus, Farinelli, Me and My Girl e My Fair Lady.

Ao longo dos anos, em visitas ao Brasil, realizou diversos concertos como convidada em inúmeros eventos, inclusive, por exemplo, nas festividades em comemoração ao cinquentenário de fundação da Orquestra de Concertos de Erechim em 2000. Ministrou também um Master Class de canto e um Workshop junto a Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel, em Erechim.

Com o falecimento de seu pai em junho de 2001, decide voltar em definitivo para o Brasil, e mesmo de luto, realiza seu último concerto em Erechim em julho de 2001, o qual já estava agendado a algum tempo, com o Coral da URI e a Orquestra de Concertos de Erechim, sob a regência de Aldo Ademar Hasse.

Em 2010, Yáskara Sperhacke gravou seu primeiro trabalho com Arnaldo Savegnago, Choro & EnCanto (8º disco de Arnaldo), que conta ainda com o Quinteto Musiart, onde executam choros e musica brasileira de autoria de Savegnago.

Em 2011, participou novamente do nono trabalho de Arnaldo Savegnago e Quinteto MusiArt, chamado Brasileiríssimo, assim como da turnê pela Polônia e Lituânia realizada em 2013 pelo mesmo grupo, que resultou no DVD Arnaldo Savegnago & Quinteto MusiArt – Koncert Myzyki Brazylijskiej

Atualmente Yáskara Sperhacke continua com o trabalho ao lado de Arnaldo Savegnago e o Quinteto MusiArt, e paralelamente a isso, tem com sua mãe Judit o Alabardas, uma espécie de bar temático, onde, nas sextas e sábados, oferecem drinks, petiscos e lanches em um “castelo” todo decorado por armas e antiguidades em geral.

Leia também

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Sagitário
22/11 até 21/12
Com a Lua em Virgem sob a influência de um...

Ver todos os signos

Publicidade