Blog do Gleison Wojciekowski

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O ouvido absoluto de Celso Collet

Por Gleison Wojciekowski

            Um músico que marcou uma época tocando em grupos como Los Calientes e Passarela, além de ter participado de mais de uma centena de discos, onde deixou registros fonográficos de seu baixo, violão, guitarra e backingvocals. Este é o músico Celso Collet.

            Nascido no dia nove de setembro de 1965, no interior de Paulo Bento, sendo um dos seis filhos do casal Adriano e Zelândia Collet. Com suas raízes na Itália, quando seus bisavôs Guerino Collet e Luiza Piacenti vieram buscar uma vida melhor no Brasil.

            Apesar de todas as dificuldades que Celso enfrentou desde seu nascimento, devido a uma deficiência visual, o que de alguma forma fez com que desenvolvesse uma percepção do ambiente sonoro fora do comum. Com isso também veio à descoberta e o amor pela música.

            Começou aprender a tocar o acordeom de seu irmão Pedro de forma autodidata, e em seguida o violão da mesma forma. Através do rádio, ouvia as músicas tentando reproduzir aquele som que ouvia nos respectivos instrumentos. Uma história curiosa deste período, e que por aprender a tocar sozinho, encontrou um jeito de “deixar as cordas do violão com o som correto”, ou seja, aprendeu a afinar sozinho, mas não da maneira convencional, onde uma das cordas ficou afinada em outra nota. Dessa forma, quanto executava os acordes que ouvia, tinha que mudar os “desenhos” deles, para que soassem igual a gravação, o que demonstra a força de vontade do jovem Celso, além do alto desenvolvimento da sua percepção auditiva.

            Somente posteriormente, quando seu irmão Pedro começou a fazer aulas de acordeom com Gildinho (Os Monarcas) em Erechim, e que Celso começou a ter aulas de violão com João dos Santos (Os Monarcas), que aprendeu a montar os acordes da forma tradicional.

Celso tinha um raro “dom”, conhecido como ouvido absoluto. Segundo a Wikipédia, ouvido absoluto “é capacidade que uma pessoa tem de formar uma imagem auditiva interna de qualquer tom musical marcados por um símbolo apropriado (nota, letra) tal que a pessoa pode naturalmente identificar qualquer tom acusticamente apresentado (ouvido absoluto passivo) e produzir qualquer tom que seja indicado por seu símbolo com zumbido (ouvido absoluto ativo). A distinção entre os ouvidos passivo e ativo não parece ser muito importante. Não há evidências de que uma pessoa possa ter um bom ouvido absoluto ativo enquanto falhe no passivo ou vice-versa. As pessoas que têm um verdadeiro ouvido absoluto pensam que reconhecem tons fácil e imediatamente, ou seja, sem qualquer esforço notável e, em particular, sem empregar quaisquer truques como o zumbido ou assobio.”

            As referencias musicais que Celso recebia no interior, onde o acesso se dava através do radia consistia basicamente em artistas bastante populares na época como Tonico e Tinoco, Trio Parada Dura, Millhonário e José Rico, além de ícones da Jovem Guarda como The Fevers e Roberto Carlos.

            Com cerca de oito ou nove anos de idade, Celso (que tocava acordeom, violão e cantava) e sua irmã Maria Helena se apresentavam em festas no interior além de participar de programas de calouros como “Rodeio Difusão”, onde os comunicadores da Rádio Difusão de Erechim, se deslocava até localidades do interior do município, e transmitia apresentações musicais.

            A carreira profissional de Celso teve início em meados de 1984, quando fez um teste com o diretor do Grupo Musical Los Calientes, Ireno Wojciekowski. A boa atuação de Celso chamou a atenção de Ireno, mas como o grupo já tinha um baixista contratado, ele lhe sugeriu que tocasse com o grupo Love Star até o final do próximo carnaval, para em seguida ser contratado pelo seu grupo. Foi o que de fato aconteceu.

            No início da quaresma de 1985 (naquele tempo raramente os grupos musicais tocavam durante este período religioso), Celso passa a integrar o Grupo Musical Los Calientes, onde em poucas semanas gravaria seu primeiro disco, e Celso canta solo em duas faixas.

            Celso permaneceria com o Grupo Musical Los Calientes de 1985 até 1994, quando a banda para suas atividades momentaneamente, e alguns de seus componentes juntamente formam a Banda Passarela, com quem Celso passa a tocar.

            Com o retorno do grupo Los Calientes em 1995, que neste momento tem uma nova formação, mas no ano seguinte Celso retorna a banda, onde permaneceria até a sua dissolução no final do século passado.

            Ao longo de todos esses anos, Celso teve como parceiros musicais, artistas como Ignácio Petkovicz, Altair Vaz dos Santos, Armando Luiz Matté, Juarez Motta, ItamarTubin, Jaci Cominetti, Rogério Oliviecki, Iseu Alberti, Dirceu Alberti, Paulo César Vargas, Danilo Antunes de Oliveira, Fernando Rossetto e Ireno Wojciekowski.

            Durante a sua atuação com o grupo Los Calientes, Celso Collet gravou seis discos (quatro LP´s e dois CD´s), além de três dos quatro discos do FESTIRECASER, Festival Regional da Canção Sertaneja, que era promovido pelo grupo, que acompanhava os cantores no disco.

            Além disso, com a fundação da LC Produções e Gravações na década de 1990, o primeiro estúdio fonográfico da região, Celso Collet acompanhou diversos artistas em mais de uma centena de discos dos mais variados gêneros, em algumas dessas gravações tive a oportunidade de tocar ao seu lado. Na gravação do Hino do Ipiranga, por exemplo, uma das vozes é a voz de Celso Collet.

            Após a dissolução do grupo Los Calientes, Celso tocou em diversas bandas como Canto e Alma, Fascinação, Banda Imperial (com quem Celso gravou um disco intitulado “A Banda dos Olhos Teus”), Matrox (com o disco “Contando Estrelas”).

            Em 1995, Celso Collet contraiu matrimônio com Inês de Oliveira, que vinha de uma família de músicos, e amigos seus como os irmãos Luis, Mauro e Jorge Lanfredi. Deste casamento, nasceu em 1996, sua filha Vanessa Adriana Collet, que segue os passos do pai no mundo da música. Aprendendo a tocar violão com seu pai aos sete anos, a cantar com Tânia Madalozzo, além de participar de diversos corais como o Coroda URI, o Villa-Lobos e o coral da Escola de Belas Artes Osvaldo Engel.

            Com o agravamento das condições de visão de Celso, abandona os bailes, para se dedicar as aulas particulares de violão, e das seções de estúdio na LC Produções. Planejava outras formas de continuar a fazer música, talvez até com sua filha, montando um grupo familiar.

 Mas é através do violão que Celso descobriria aquele que seria seu maior algoz. Começa a ter dificuldades motoras para executar seu instrumento, o que faz buscar ajuda médica e descobre um tumor no cérebro, quando inicia sua luta contra ele, que encerraria dia 18 de maio de 2012 com seu falecimento.

Celso Collet, que em um mundo que os artistas sentem dificuldades em se organizar nas regras tradicionais de pontualidade e responsabilidade, era um exemplo a todos. Mas provavelmente o que se fará sempre ser lembrado, além da amizade com tantos músicos, será a sua musicalidade e amor à arte.

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