Blog do Gilberto Jasper

jasper.jpg

Filhos

Por Gilberto Jasper
Foto Divulgação

Minha maior preocupação é imaginar como meus filhos lembrarão de mim no futuro. A tecnologia avança de maneira assombrosa, mas não consigo imaginar um mecanismo que permita descobrir - depois de “partir desta para uma melhor” - qual o verdadeiro legado que formei.

Todos os dias nó - pais e mães – envidamos um esforço descomunal para consolidar valores que farão dos filhos seres humanos de primeira qualidade. Preceitos de ética, respeito, tolerância, democracia, valorização da liberdade formam o cerne do cabedal de orientações repetidas à exaustão.

Apesar da dedicação muitas vezes o resultado final não contempla as expectativas. Muitas vezes pecamos pelo excesso de teoria, de “aulas de moral” nem sempre coerentes com a nossa própria prática. Vamos admitir: por vezes somos maus exemplos porque cobramos coerência, mas agimos de maneira contrária.

A maneira de encarar a vida se altera com o tempo. Pensamos de um jeito quando somos jovens, solteiros. Mudamos radicalmente ao casar e sofremos uma profunda transformação com a chegada dos filhos. Com eles aprendo todos os dias. Laura e o Henrique, com seus vinte e poucos anos, provocam divertidas risadas, mas também conversas ásperas e acaloradas que por pouco não geram rompimentos. No dia seguinte, porém, voltamos para a convivência fraterna, revendo os argumentos.

Mesmo diante de profundas discordâncias é fundamental manter os vínculos. É como regar a flor da tolerância para manter o jardim florescendo. Cá entre nós: desconfio de relações - de todos os tipos - onde tudo parece um permanente mar de rosas. Imagino que, ali, sob o manto do entendimento perfeito, na verdade borbulha um vulcão prestes a explodir.

Voltando ao início da crônica, sono coma possiblidade de conferir o que consegui, de verdade, deixar de útil para quem é a razão da minha vida. Dizer que sinto um amor incomensurável é pouco diante do sentimento que permeia minha relação com os filhos. Corujices à parte, encontrá-los no final do dia me permite suportar situações que, quando jovem, jamais seriam toleradas.

Enquanto a tecnologia não garante bisbilhotar meus filhos - do céu ou do inferno - invisto nesta troca de energias positivas. Equilibrar teoria e prática é um exercício interminável de aperfeiçoamento. Se eles continuarem gostando do “velho Giba” estarei satisfeito.

No dia em que Laura e Henrique tiveram a bênção de ter os seus filhos... aí sim, terão a dimensão do que pretendo dizer aqui. Ser pai/mãe é um emprego onde não é possível pedir demissão. É para sempre. Ignora sábado, domingo, feriado ou férias. Os poucos intervalos de distanciamento do filhos só aumentam esta obsessão em saber: será que fiz tudo certo?

Leia também

  • Sinceridade é tudo

    As onipresentes redes nem sempre sociais permitem reencontrar personagens que foram importantes em nossa vida. Ex-amores, ex-colegas, ex-vizinhos, amigos que se perderam ao longo da trajetória. São figuras que participaram de nossa rotina, mas seguiram outros caminhos, mas permanecem na memória.

  • Educação é futuro

    A educação está no cerne dos principais problemas sociais do país. Infelizmente a falta de sensibilidade de quem decide onde gastar os recursos públicos impede que a situação seja enfrentada com determinação, embora praticamente todo mundo concorde com esta tese.

  • Cuidado com o Whats

    Fake news é o neologismo para definir o que antigamente se denominava fofoca ou boato. Gente especializada em difundir conteúdos falsos povoam o mundo desde o paraíso, onde a serpente - sempre citada como vilã- nunca pôde se defender.

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Capricórnio
22/12 até 20/01
O momento prioriza o autoconhecimento e a...

Ver todos os signos

Publicidade