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O Estado está me advertindo

Por Neivo Zago
Foto Arquivo

O Estado do Rio Grande do Sul, como um bom pai, está me advertindo, ou melhor, me lembrando que eu não cumpri com as minhas obrigações: efetuar o recadastramento. Ele, ao contrário, como o melhor pai, ou a melhor, mãe, é muito pródigo com seus habitantes: esbanja acuidade com a saúde educação e, mormente a segurança. E quando eu falhar o Estado me pune com base no rigor da lei. Menos mal que ele ainda paga os meus proventos.

Acabo de receber uma advertência do meu paizão, o Estado, por meio de uma carta enviada pela Secretaria da Fazenda, Divisão de Pagamento de Pessoal (DDPE). A seguir destaco e comento um excerto da missiva repreensiva

“Prezado servidor inativo”:

(...) Informamos que não encontramos registro de vosso recadastramento de 2017 no mês de aniversário, caracterizando, portanto, situação de pendência que poderá resultar em suspensão do pagamento dos proventos se não regularizada até o término do mês subseqüente (...).

Para começar a minha autodefesa gostaria de salientar que eu fiquei ruborizado, por ter-me esquecido de realizar o meu recadastramento no mês, (passado), do meu aniversário. Por outro lado, fiquei um tanto chateado pelo título: INATIVO. Essa palavra não me soa bem e não deve soar a ninguém. Dá a impressão que eu não sirvo mais para nada. Porém, eu ainda valho, pois tenho algumas utilidades, dentre elas, dedicação a trabalhos voluntários e, embora, já aposentado como professor, eu continuo indiretamente exercendo o meu magistério. De inativo, para quem me conhece, não tenho nada. Até parece que o Estado se esqueceu do meu tempo quando ativo e professor dedicado; de diretor e vice-diretor quando na direção tínhamos que assumir responsabilidades que seriam da sua alçada, como pagar funcionários e zeladores e manter as despesas do prédio escolar. Nunca, o estado reconheceu esse nossos feitos e sequer nos condecorou.

Menos mal, gostei deveras da palavra: proventos. Convenhamos, é um eufemismo; muito mais sonora e bonita do que, SALÁRIO. Salário tem a ver com sal. Proventos, não. Vem do verbo prover: dispor, providenciar, munir. Munir, sim! Esta parece a melhor, dentre as definições. Quando o Estado paga os meus proventos, mesmo que a perder de vista, em várias vezes, tipo loja de crediário, ele está me munindo (municiando), ajudando a prolongar a minha longevidade. Nem me refiro ao décimo terceiro que receberei em prestações, 10 ou 12, a perder de vista.

Ademais, o funcionário da Divisão de Pagamento de Pessoal do Departamento da Despesa Pública Estadual, que se esqueceu de assinar a carta-advertência, usou a linguagem padrão, como deve ser, mas pisou na bola quando arrematou com a trivial expressão: MAIORES informações. Nossa! Você já viu uma informação maior ou menor. Deveria ter escrito: MAIS informações, ou, para OUTRAS informações. E o que tem de engravatados, jornalistas e metidos à locução usando “maiores”, sem fala do famigerado “a nível de”. Leiam! Senhores. Estudem a língua padrão.

Até não sei por que o meu paizão bonachão - o Estado, não verifica o Programa Nota Fiscal para ver quantas vezes eu coloco o número do meu CPF, quando solicitado, ou não, no tíquete, cada vez que efetuo uma compra. Se ele agisse dessa maneira, se fosse organizado e cruzasse os dados (já que a tecnologia permite), ele não precisaria enviar-me uma carta repreensiva. Ficaria sabendo da minha existência, sem que eu efetuasse o recadastramento. Teria certeza que eu ainda respiro e que o meu coração continua pulsando. Se fizesse assim, o Estado evitaria perder o seu tempo e eu, o meu. Reitero: Graças a Deus, estou vivo. E estar vivo, apesar de algumas agruras, é maravilhoso e já “é uma esperança, pois mais vale um cão vivo do que um leão morto”, como diz o livro bíblico Eclesiastes.

Por último, enfatizo que se eu dependesse apenas dos proventos (que não são vultosos) e, pior, ainda pagos parcelados pelo meu paizão o Estado, eu certamente não estaria totalmente morto; quiçá, meio morto, se é possível tal expressão. Acho que sim, até porque eu tenho a impressão que às vezes estou morando e vivendo em um, “meio estado”, que já foi no passado um estado inteiro e pujante; (sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra), e que nos orgulhava e nos destacava dentre os coirmãos estados brasileiros.

Apesar dos meus argumentos contrários, querido paizão Estado eu vou o mais breve possível à Agência do Banrisul, onde tenho a conta, e por ser um filho obediente, seguirei a sua orientação de efetuar o recadastramento, até porque sem proventos (mesmo parcelados), eu não quero e nem posso ficar.

Seguidamente alguns leitores fazem referências a este espaço. Frequentemente, positivas, mas se fosse o contrário, também seria uma prova de que seguem lendo os meus escritos. Esforço-me o máximo para redigir um bom texto e que seja porta-voz das implicâncias, inquietudes e até raivas de muito leitores que, se tivesse espaço, também expressariam o mesmo ponto de vista. Hoje incluo a Gabi Osório Mársico (que também escreve com propriedade), a Ir. Estelita Tonial, o G. Barp, a Diva Spironello e o Laudino, dentre outros, incluindo sempre você leitor silente.

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