Blog do Igor Dalla Rosa Muller

Complexo de vira-lata

Por Igor Dalla Rosa Muller
Foto Ilustração

O Brasil, recentemente, foi rebaixado para três níveis abaixo do grau de investimento com perspectiva estável, pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). Até aí tudo certo, este é o jogo deles, e eles sempre jogam para ganhar. Mas, o que faz o Brasil?  

A conversa do mercado diz que a perspectiva estável significa que a agência terá de esperar pelo menos seis meses para alterar a nota do país. O grau de investimento representa a garantia de que o país não corre risco de dar calote na dívida pública. Quanta preocupação?

Só para lembrar, as notas servem de parâmetro para credibilidade de governos e de empresas no mercado financeiro. Mas as agências também erram prognósticos.

Antes de 2008, as agências deram notas altas para as operações de venda de créditos imobiliários nos Estados Unidos, que entraram em colapso e desencadearam uma crise econômica global. Em 2013, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação contra a Standard & Poor's por suspeita de fraude na classificação de produtos hipotecários.

O que me deixa confuso é a classe politica brasileira se debater desesperadamente por causa desta informação e querer ditar os rumos do país em função disto. Mais, fazer terrorismo e manipular a população para aprovar a Reforma da Previdência. Até porque o que a agência faz é cuidar dos assuntos e interesses dela, não do Brasil. Isto é evidente.

Já que é para ser um país governado por um escritório financeiro dos EUA e opiniões estrangeiras, recomendo seguir, também, o exemplo dos EUA na taxa básica dos juros que está na faixa de 1,25% a 1,50%. Já que aqui a taxa média de juros do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas está no patamar de 363,3% ao ano. Pouquinho mais.  

Produzir aço, igual aos EUA, ao invés de exportar minério de ferro, exportar óleo e derivados do soja e não grão. Investir em logística, transporte pluvial, estradas, trens, aviação, porque eles têm tudo lá. Estes são exemplos que servem. Investir em autonomia, produzir conhecimento econômico adequado à realidade nacional para nos tirar da lama em que vivemos. Afinal, falta o que para copiar o ensinamento norte-americano?  

Da mesma maneira, por que o Congresso Nacional aprova medidas provisórias que abrem mão de trilhões de reais, como a MP 795, e outras que cortam investimentos em saúde, educação e segurança por 20 anos? Assim, não tem como seguir os passos do gigante do norte.

É claro que o pessoal em Washington vai ouvir o que tem a dizer o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia. Tem trilhões de razões para ouvi-lo.

O que custa bajular um cara por algumas horas, dias, se ele consegue convencer seus pares a abrir mão de mais de 20 anos de receitas públicas e bloquear outras, por mais 20 anos? Claro, sem mexer nas suas regalias.  O político brasileiro tem toda autonomia para exercer o cargo que ocupa, e mesmo assim, desconsidera por completo a realidade do país. Desse jeito, só vai dar para fazer palestras e falar mal do país que o alimenta e paga as sua contas.

Se o político não se identificar com a sua origem, seu povo, sua cultura e valores, sua terra e riquezas, com o dinheiro público, não tem como avançar. Ser grande implica valorizar o país em que vive e fazer bons negócios para o Brasil. Do contrário, não significa absolutamente nada. Buscar reconhecimento numa plateia estrangeira, este é o legítimo complexo de vira-lata. 

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