Blog do Igor Dalla Rosa Muller

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Qual é o problema?

Por Igor Dalla Rosa Muller
Foto Ilustração

Não há mais o que exigir do cidadão brasileiro. Já faz muito tempo que acabou a cota diária de compreensão. A realidade política e econômica não tem como ser compreendida. Ao menos não pelo que é razoável e de acordo com um mínimo de coerência.   

É difícil encontrar clareza em algum assunto político ou econômico, e quem deveria nos orientar também está perdido. O que será do amanhã? O governo vende a ideia de crise, caos, terra arrasada. Contudo, o discurso não fecha com a prática, já que na calada da noite abre mão de trilhões de reais em receitas públicas. Isto faz algum sentido?

Tento, mas não consigo deixar de falar na MP do Trilhão, a Medida Provisória 795, que subsidia petroleiras, as empresas mais ricas do mundo. Uma ação perversa que prevê isenção de impostos e também perdão de dívidas até 2040. O governo, que quer tanto o bem da população, doa trilhões de reais quando está faltando dinheiro.  

Segundo o governo a Previdência tem déficit e é a vilã da nação. Para a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) não há déficit na Previdência. De 2005 a 2015 o resultado da Previdência foi positivo. Apenas em 2016 houve um resultado deficitário de R$ 57 bilhões, algo pontual, segundo Anfip. Pelos cálculos, a média no período foi de um resultado positivo em R$ 50 bilhões.

O relatório da CPI da Previdência do Senado disse que a Previdência Social não tem déficit, mas é alvo de má gestão. Inclusive afirmou que o governo manipula dados para aprovar a reforma, usando cálculos forçados e irreais.

Faltam vacinas para febre amarela, faltam recursos para saúde, educação, segurança pública, estradas, o país está um caos.  E, ao mesmo tempo, tudo está certo.

Tem como o país se desenvolver congelando os gastos públicos por 20 anos? Se o dinheiro público não circular com investimentos não há economia.     

Segundo matéria do Deutsche Welle, o texto da MP do Trilhão foi discutido no Senado diante de um plenário vazio e dois dias antes da aprovação final na Câmara. Senadores solicitaram uma alteração, que diminuía o prazo da isenção de 2040 para 2022, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita qualquer benefício fiscal a cinco anos.

No entanto, a Câmara dos Deputados rejeitou a emenda do Senado e manteve no texto da Medida Provisória 795 a isenção até 2040. Como isto é possível? Esta é a importância que o representante público dá as finanças públicas? Para depois vir apontar o dedo e gritar nos nossos ouvidos.

Da onde sai o dinheiro para pagar as contas dos políticos? Senão do recolhimento de impostos. Como pode o Congresso abrir mão de tamanha quantia de recursos num dia, e afirmar noutro que tem que fazer reforma previdenciária?

É a ação mais descabida e criminosa que um governo pode fazer. Massacra o cidadão, de todos os jeitos, para rifar um país inteiro? O detalhe, desrespeitando a Lei. Quanto do povo tem nestas decisões?

E se o Congresso tivesse barrado a MP 795 e não congelado os investimentos por 20 anos? Quanto do povo teria aí?

O povo é o problema, afinal?   

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