Blog do Neivo Zago

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Maus exemplos

Por Neivo Zago
Foto Divulgação

 

Certa vez um educandário muito conhecido e conceituado na cidade ostentava bem alto no prédio escolar, a seguinte frase: “Educa-se pela presença e pelo exemplo”. Não sei a razão de a mesma ter sido retirada. Talvez porque, mediante às exigências de hoje, nem mesmo a presença e o exemplo são suficientes para educar nossos filhos e alunos. Os desafios hoje parecem transcender esse binômio.

Não é preciso sair por aí à cata de maus exemplos, pois estes superabundam por aí no dia a dia patrocinados por uma significativa parcela de cidadãos que pensam primordialmente em si mesmos. Mas é seguramente no contexto do trânsito que as “barberagens” acontecem com frequência e proliferam as condutas inadequadas.

Em um desses dias de semana, caminhado pela aprazível esplanada do Santuário - sempre bastante frequentada, mormente aos sábados e domingos - deparamo-nos com um péssimo exemplo. A cena era no mínimo inusitada, ao menos para aquele espaço que tem como objetivos precípuos a oração e a contemplação, embora o lazer seja a tônica.  O suposto pai (de meia idade) dirigia um carro amarelo, uma cor muito chamativa. No seu colo, uma criança, de mais ou menos cinco anos, com as mãos no volante, fazia as manobras circulando pela brita do estacionamento entre as mudas de árvores. Não bastasse isso, a porta do guarda-malas estava aberta e outras duas meninas de aproximadamente oito anos, sentadas dentro, com as pernas de fora, completavam o quadro. A alegria se estampava nas faces como se todos estavam realizando a maior façanha. Não me contendo mediante o absurdo resolvi aplaudir a manobra que só acabou depois que o condutor principal deve ter-se dado conta da sua infantilidade.

O que se poderia pensar daquele adulto do que concluir que é um pai insano e até compará-lo que naquele momento o seu cérebro pudesse conter o material que as pessoas de bem e de bom senso têm nas suas vísceras.

Outra cena afim, também de mau exemplo, disse respeito ao uso indevido do celular (nada de novo), na direção. Indo a caminho do hipermercado, perto de casa deparei-me com uma camioneta dessas poderosas entrando vagarosamente no acesso. Notei que o motorista segurava o celular com a mão esquerda e com a direita manobrava com certa dificuldade. Logo em seguida no final da rampa ele fez uma manobra à esquerda e como havia uma vaga logo à direita, em frente, dobrou bruscamente estacionando o seu imponente SUV sempre usando apenas uma mão. Uma vez estacionado as portas traseiras se abriram e do carro saíram duas crianças, um menino e uma menina aparentando 10 a 12 de idade, enquanto o motorista, já fora do veículo, continuava falando ao celular.   

Tanto, a primeira estapafúrdia cena quanto à segunda inadequada, (apenas dois de tantos maus exemplos de trânsito), fez-me lembrar a clássica assertiva de Rousseau, apropriada a essas situações, mormente quando a gente pensa que já viu quase tudo, mas se surpreende com novidades mais requintadas: “tudo é absurdo, mas nada é chocante, pois todos se acostumam com tudo”.

E, infelizmente nós temos que nos acostumar com tudo, ou quase tudo que vemos. E se eu tivesse me ingerido com os motoristas em ambas as ocasiões certamente eu teria entrado em atrito com ambos os infratores. Quem garante que daqui a alguns anos o menino do volante, já no final da adolescência, resolva pegar a chave do carro, (às escondidas do seu pai) e sair por aí e provocando um acidente com vítimas, como já tem ocorrido. Já, que “belo exemplo” deu o pai aos seus filhos falando no celular enquanto dirigia? E o pior acontece de quando em quando ouvimos idiotas de plantão defendendo a idéia de inserir no Currículo Escolar a disciplina Educação para o Trânsito. Isto é, transferir para a escola mais um ônus, ou seja, a omissão de pais, ou pior, o seu mau exemplo. Se esses genitores soubessem a conseqüência dos seus maus exemplos  pensariam duas vezes antes de agir assim. Para corroborar o Pe. Gireli no último domingo em sua homilia relatou uma passagem de um pai um pai, também com pouca autoridade, bebia álcool enquanto conversava com o filho e pedindo que este não fizesse o mesmo. Se os três colocassem em prática que “as palavras movem, mas os exemplos arrastam” agiriam diferentemente.  

 

 

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