Blog do Gleison Wojciekowski

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A história viva da música, Paulo Kameneff

Por Gleison Wojciekowski

Esta semana, conheceremos pouco sobre um artista e professor de nossa história musical, que esteve por várias décadas na ativa, através dos concertos com a Orquestra de Concertos de Erechim, ministrando suas aulas de violino na Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel, e tocando com o grupo Nostalgia. Estamos falando do violinista Paulo Kameneff.

Paulo Kameneff nascido no dia 23 de outubro de 1926, um dos sete filhos de Porfírio Kameneff e Aquilina Kameneff (a grafia original do sobrenome antes de ser deturpada no Brasil era escrita Kamnev), imigrantes russos, da região de Odessa, que em 1926 imigraram para o Brasil, no interior paulista, onde Paulo nasceu em busca de um futuro melhor. Mas a família torna-se praticamente escrava nas fazendas de café do interior paulista pelo sistema trabalhista que vigorava nestes locais, mas conseguem sair e migrar para o Rio Grande do Sul.

Seu pai Porfírio Kameneff, que tocava acordeão e cantava informalmente, foi sua primeira influencia musical, mas teria aulas de música de uma forma mais efetiva, quando a família viria morar em Erechim, quando Paulo tinha 12 anos de idade, inicialmente com um imigrante polonês e em seguida, com Ricardo Kreische.

Em 1944, aos 18 anos de idade, Paulo começa a tocar em bailes, com o grupo de Oswaldo Engel, a Jazz Típica Ideal, onde fica por mais de vinte anos, e ao contrário do que se possa imaginar, com nosso olhar do século XXI, ao ver a palavra jazz, o seu repertório era composto por valsas, tangos, choros, xotes, boleros, música erudita ligeira mas nenhum jazz.

Essa terminologia - jazz, segundo relatos, era usado como sinônimo de grupo, conjunto ou banda, e outros ainda afirmam que designava o instrumento bateria, e por consequência os grupos que o utilizavam.

Com este grupo Paulo Kameneff tocou em festas, bailes e casamentos em diversas cidades dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, para as quais viajavam de trem, com seus instrumentos e partituras na bagagem.

Para ampliar suas possibilidades musicais e também financeiras, Paulo Kameneff busca o aprendizado do instrumento de sopro saxofone, pois com ele poderia tocar em bailes de carnaval. As primeiras noções do instrumento lhe são passadas pelo amigo João Schosller, e em seguida desenvolve sua técnica de forma autodidata.

Com esses conhecimentos de teoria musical, violino e saxofone, Kameneff é convidado para substituir Paulo Mourão na regência da Sociedade Banda de Música de Erechim, onde além de atuar como maestro, também dava aulas de música e tocava saxofone, sendo substituído em seguida por Carino Corso.

Inclusive durante o período da ditadura, Paulo Kameneff por lutar pelos direitos civis, era visto pelo governo militar como subversívo.

Em 1950, ajudou a fundar a Orquestra de Concertos de Erechim, na qual foi spalla e continua a tocar até os dias atuais, sendo o único fundador vivo. Juntamente com outros membros da OCE, também participava em Joaçaba – SC da orquestra Sociedade Cultural e Artística de Joaçaba e Herval do Oeste (SCAJHO), sob a regência de Alfred Siegwalt.

Foi um dos grandes incentivadores dos irmãos Gildinho e Chiquito que viriam a formar o grupo Os Monarcas, a entrar para a Escola de Belas Artes de Erechim (atual Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel), onde tiveram uma formação de teoria musical. Solfejo e acordeão.

A partir de 13 de março de 1980, começa a lecionar violino como professor convidado na Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel, fazendo concurso para a cadeira de violino e sendo admitido em 15 de julho de 1992, e na qual continua ativamente a trabalhar.

Em 1988, Paulo Kameneff ajuda a fundar outro importante grupo musical que continua na ativa até os dias de hoje, o grupo Nostalgia, que toca um repertório de música popular de décadas anteriores, baseado em valsas, tangos, fox-trot, canções italianas, choros, boleros. Deste grupo também faziam parte além de Paulo Kameneff ao violino, Rudolfo A. Kruger, Arthur Sperger, Wilson Fontana todos ao violino; Ubirajara Palhano ao contrabaixo acústico, Rosemari Niederberger ao piano, Lívia Tocheto como soprano e Ney Miolo como barítono.

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