Blog do Igor Dalla Rosa Muller

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De novo contra?

Por Igor Dalla Rosa Muller
Foto Arquivo Histórico/PME

Erechim e a região tem praticamente tudo para ampliar seu desenvolvimento econômico e social, isto é, indústrias, agricultura, comércio, povo trabalhador, belezas naturais e diversidade cultural. Quase tudo, porque ainda tem muito que se fazer em infraestrutura.

No entanto, tem um elemento invisível, que não se pode ver, senão pelos seus efeitos, que boicota a realidade, desagrega, e por fim, leva ao fim projetos e iniciativas. Caro leitor, desculpe, mas não sei nomear esta força destruidora, nem caracterizá-la, só sei que ela existe e é atuante. No momento, ela ronda as portas da Agência Desenvolvimento do Alto Uruguai e a está colocando em xeque.

A questão é se a região vai abrir mão da agência. Não seria hora de se começar a combater esta lógica que durante muitos anos impede o efetivo desenvolvimento do Alto Uruguai?

Num curto espaço de tempo a AD Alto Uruguai saiu das cinzas para uma agenda intensa de trabalhos, propostas e iniciativas, algumas com resultados efetivos, como a parceria com o BRDE. Um projeto piloto de vanguarda, que deve ter desdobramentos em 2018. Isto não é pouca coisa. Segundo presidente da AD Eduardo Angonesi Predebon, no momento, a agência está aguardando a vinda do BRDE para realizar a capacitação e colocar o projeto em prática.

No primeiro semestre de 2017, a AD realizou o 1º Seminário de Desenvolvimento Regional, que será repetido este ano. Foram três dias de palestras com secretários de estado, diretores de secretaria de estado, pesquisadores de universidades, que discutiram o desenvolvimento regional com as lideranças regionais. Isto não é positivo? 

Ao longo de todo o ano de 2017 foi recorrente na agência as visitas a todos os participantes do conselho de administração, todas as lideranças regionais, e também, a visita a todos os municípios da região Alto Uruguai. E, ao mesmo tempo, na metade do ano houve a seleção do diretor-executivo.

Em meados do segundo semestre, a Agência Desenvolvimento fez toda a reformulação das redes sociais, criando e alimentando um site com muitas informações sobre toda a região. Isto é, abrindo a janela do Alto Uruguai para o mundo, objetivando seu trabalho e finalidade. Tarefa mais do que necessária e positiva. O site pretende ser um ponto de apoio e visibilidade para quem quer pesquisar sobre o Alto Uruguai. Caro cidadão acesse o site e veja, por si só, o que está lá.

No site tem links para todos os conselheiros, empresas, entidades, instituições que compõem o conselho de administração. Tem links para os 32 municípios da AMAU e para a própria AMAU. Como também, links do turismo no Alto Uruguai. Quando se acessa o site se pode ver quais são atrações e atividades turísticas da região.

Além disso, o site tem também os dois planejamentos estratégicos da região. O primeiro realizado pela própria AD e o segundo elaborado em 2015 pelo Credenor. Assim, quem quer saber o que a região está pensando é só acessar o site da Agência de Desenvolvimento.

Por que devemos continuar com a AD Alto Uruguai?

Simples, porque qualquer região, independente da localidade, que pense em criar alternativas para se desenvolver precisa de uma Agência de Desenvolvimento. Este argumento já deveria ser suficiente para fazer a manutenção da entidade. Deixar a agência morrer é andar para trás é retroceder.   

Conforme o seu presidente, este é um órgão técnico para auxiliar o desenvolvimento econômico e social. “Não é um órgão político, que dependendo das flutuações dos humores políticos ora pende para um lado ora pende para outro. Ora favorece um investidor ora favorece outro”, afirma.  

“A nossa agência ainda é muito incipiente, não temos recursos para tocar a agência de uma forma conveniente e não temos equipe. Quando ela tiver equipe e recursos vão ter outras ações, principalmente a divulgação da região para investidores”, esclarece Eduardo. Hoje, a AD está fazendo uma divulgação mais local.

Uma das funções principais da Agência de Desenvolvimento é procurar fontes de financiamentos e investidores.

“Achamos a fonte de financiamento, mas não temos pernas para fazer uma missão até São Paulo e encontrar um investidor que queira investir no Alto Uruguai. Ou, se tivermos mais pernas e asas vamos até a China procurar investidores chineses ou quem sabe europeus. Quem sabe no norte da Itália. Isso tudo seriam as ambições de uma Agência de Desenvolvimento, mas com pernas para agir”, observa Eduardo.

Hoje, a AD faz isto via rede social, fazendo uma apresentação para investidores mais próximos.

Eduardo destaca que o problema é que a Agência não tem equipe para trabalhar, não pode contratar um economista, um profissional especializado em planejamento para poder colaborar com o planejamento estratégico de cada um dos municípios da AMAU e, inclusive, auxiliar as Câmaras de Vereadores. “As possibilidades de uma agência são múltiplas contanto que tenhamos mais almas lá dentro”, diz.

“Faltam recursos. O funcionamento da agência gira em torno de R$ 8 mil por mês, lembrando que estamos num espaço cedido pelo Sindilojas. Despesas de aluguel não ocorrem, porque o Sindilojas gentilmente está cedendo um ótimo espaço”, afirma.  

O presidente destaca que hoje a instituição subsiste com recursos da AMAU, que deposita R$ 5 mil para a AD, valores insuficientes para cobrir as despesas básicas mais o pagamento das duas pessoas que trabalham na agência, os únicos remunerados.

Esta situação impede a agência de fazer mais pela região, e, mesmo assim a AD procura parceiros.

A AD Alto Uruguai foi um projeto pioneiro no Rio Grande do Sul e hoje, tem a situação indefinida.  Enquanto que outras regiões estão se organizando para montar a sua agência. Aqui, de novo, se está indo contra a história.

Novos parceiros

Eduardo destaca que a Agência Desenvolvimento precisa que outras instituições, empresas privadas, órgãos de classe, acreditem no trabalho da agência e venham a colaborar como acontecia antigamente.

Situação

A realidade é que os recursos que a AD tem em caixa e mais o depósito da AMAU permite que ela funcione plenamente até abril. Como será depois?

Abrir mão da Agência é se boicotar conscientemente, sabendo que amanhã nada de novo acontecerá em termos de investimentos na região. Se em algum momento a AD não foi atuante isto ficou no passado, a questão agora é olhar para frente, reconhecer o que a AD vem fazendo e estruturar ainda mais a instituição, senão com toda a força possível, ao menos para dar continuidade ao trabalho que já está sendo feito. Mas nunca, em hipótese alguma fechar as suas portas, porque aí já era.

Aí vai acontecer como vem acontecendo, a região vai olhando para trás presa no passado. E, o futuro cada vez mais distante. O que conseguimos efetivamente fazer é lembrar que um dia houve voos regulares na região, enquanto Chapecó andava a pé. Hoje, Chapecó tem voos semanais para todo o Brasil e a região vive só com suas lembranças.

Foto   

Caravana de erechinenses no Aeroporto de Erechim, por ocasião de uma viagem a Brasília, em 1958. O avião é um Douglas DC-3 da Sadia/Arquivo Histórico/PME

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