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À farmacêutica, mil e cem, ao motorista até mil e quinhentos

Por Neivo Zago

Infelizmente em muitas situações não existe lógica nem coerência entre o que se paga para certos profissionais em relação a outros, embora ambos tenham o seu valor e mereçam melhor remuneração.

Seguidamente são veiculadas pela mídia ofertas de empregos em mais ou menos intensidade sempre proporcional à situação econômica. Na prosperidade aumentam as vagas e na crise acontece o inverso. De modo geral, são para preencher ocupações que não oferecem grandes atrativos, mormente relacionados ao salário.

Neste mundo capitalista a questão que se impõe é até que ponto se valoriza um profissional, portador de um curso de nível superior, em relação a outro que tem na sua formação às vezes sequer o Ensino Fundamental completo. Não se trata aqui de desmerecer uma das profissões relacionadas no título deste, em relação à outra. Ambas são importantes, necessárias e imprescindíveis, obviamente cada qual no seu contexto.  No entanto, é notável a diferença existente entre ambas.

Os portadores de um diploma superior sabem da árdua caminhada que os levou a conseguir o seu objetivo. Em média quatro anos de curso que normalmente se completam em mais um período de especialização. E tudo isso para quê? Para receber a modesta quantia acima referida? A mesma situação vale para outras graduações e licenciaturas como as formadoras de professores. Não muito diferente é a proposta de remuneração. E ainda querem que eu acredite na mentira mais descarada que já ouvi: “Uma pátria educadora se faz com educação de qualidade”.

Como não sou de engolir em seco tantas incoerências sempre me questiono e igualmente me intriga por que há tanta diferença de preço entre, por exemplo, o que eu recebo como professor e outro profissional dentre os quais o meu dentista?

Nada em desabono ao motorista, mesmo porque se o criticasse estaria criticando o meu irmão que faz parte da classe. Obviamente que o valor oferecido pela instituição de emprego a esse profissional do volante que tem que enfrentar tantas agruras do volante também não é o ideal. O ideal infelizmente habita a instância da utopia. Do sonhado, mas não do realizado.

Se a lei mor da nação preconiza direitos e deveres iguais a todo cidadão por que isso não acontece? Na prática fica fácil redigir uma lei, mesmo porque segundo se sabe, uma coisa é colocar no papel, outra bem diferente e cumprir o que está escrito. Além do mais toda a lei tem por objetivo regulamentar, colocar ordem, orientar, pois se não fosse isso o caos reinaria. O problema é que em muitas circunstâncias os redatores da lei o fazem em benefício próprio e, em assim o fazendo, esquecem de aspectos éticos e morais.

A propósito é de se perguntar qual a razão de existir a Comissão de Ética e de Justiça da Câmara? Se existe, parece de fácil conclusão é porque há comportamentos antiéticos e injustos de certos parlamentares. Por exemplo, se existe um mercado, ou supermercado é porque existem clientes, caso contrário esses estabelecimentos poderiam fechar as portas. E cerrar as portas de assembléias, câmaras e senado seria o desejo de muitos brasileiros. Acho até que a idéia não é das piores, já que “pior do que tá não fica”, segundo o “erudito” Tiririca. Menos mal que a Assembleia Gaúcha cumpriu o seu papel cassando o ilícito deputado Baseggio. Melhor tarde do que nunca.

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