Blog do Dad Squarisi

20060721022938.jpg

Tropeço de Papai Noel

Por Dad Squarisi

Monica de Sanctis precisava comprar uns presentinhos de Natal. Foi ao Diamond Mall. O que ouviu na entrada do shopping belo-horizontino lhe chamou a atenção. “Como é moda”, escreve ela, “os centros comerciais trocaram a voz feminina pela voz do Papai Noel nas chancelas dos estacionamentos para avisar os condutores de que precisam apertar o botão ou inserir o cartão. Fiquei surpresa ao ouvir o bom velhinho dizer depois do ho, ho, ho e dos recados de praxe: `Boas compras e que seus sonhos realizem´.Isso mesmo: realizem sem o pronome se. Fiquei pensando se meus sonhos vão realizar alguma coisa por mim. Não seria eu quem os realizaria?”

 

Papai Noel, Monica, deve ter entrado no clima da crise. Sem dinheiro como 98% dos brasileiros, precisou economizar. Não pensou muito. O tempo era curto para atender os tantos pedidos que chegavam pelos Correios, por e-mail, pelo WhatsApp. O que cortar? O pronome se estava lá, indefeso na sua pequenez. Foi o escolhido. Resultado: o bom velhinho pensou uma coisa, disse outra, você entendeu outra, e a coisa propriamente dita desconfia que não foi dita. E não foi mesmo. Que tal dar-lhe a vez? Assim: Boas compras e que seus sonhos se realizem.

 

Amém.

 

Eterno retorno

A cada 12 meses, a história se repete. Um ano acaba e começa outro. Nós não deixamos por menos. Mandamos cartões, e-mails ou torpedos. Alguns preferem votos coletivos. Recorrem ao Twitter ou ao Face. Uns e outros têm um denominador comum. Precisam escrever ano-novo assim – com hífen e letras minúsculas. O plural? É anos-novos.

Mais do mesmo

A virada do calendário merece mais que ceia, champanhe e roupa nova. Faz jus à grafia nota 10. A francesinha réveillon mantém a forma original. Escreve-se com acento, dois ll e... letra inicial pequenina. Por quê? Apesar da pompa, é substantivo comum.

Brindemos, senhores

Tim-tim, tim-tim, tim-tim. O borbulhante preferido por nove entre 10 brasileiros recebe o nome da região onde é produzido. Sofisticada, a bebida gosta de tratamento VIP. Uma das bajulações que mais aprecia é o respeito ao gênero masculino. Sabe por quê? Ela é vinho — o (vinho) champanhe: Que tal tomar um champanhe geladinho?

Sem pedigree

Olho vivo, marinheiro de poucas viagens. Eles são 12. Repetem-se ano após ano. Uns têm 30 dias. Outros, 31. Só um se conforma com 28. De quatro em quatro anos, ganha um de presente. Fica com 29. Apesar das diferenças, os meses têm um denominador comum. Escrevem-se com a letra inicial mixuruuuuuuuuuuuuuca: janeiro, fevereiro, março, abril, maio.

Vira-vira

As palavras são vira-casacas. Mudam de classe como mudamos de camiseta. Vale o exemplo do substantivo. Nome próprio vira comum sem cerimônia. É o caso de João, Maria, Pará, Brasil. Eles perdem o pedigree em joão-de-barro, banho-maria, castanha-do-pará, pau-brasil. Nome comum também vira próprio. O mês, em datas comemorativas, ganha nobreza. Grafa-se com a inicial grandoooooooooona: o 7 de Setembro, o 1º de Maio.

 

Leitor pergunta

Anexo? Em anexo? Nunca sei. Pode me dar uma ajuda?

Celina Bento, Porto Alegre

Anexo, sozinho, é adjetivo como bonito, feio, rico. Concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere: carta anexa, cartas anexas, documenro anexo, documentos anexos, criança bonita, objetos bonitos, imagens feias, foto feia, livros feios.

Em anexo pertence a outra estirpe. É advérbio e, portanto, invariável. Não tem feminino, masculino, singular e plural. Com ele é tudo igual: Encaminho os documentos em anexo. Em anexo, encaminho as cartas.

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Câncer
21/06 até 21/07
A Lua nova ocorre no setor de recursos, talentos e...

Ver todos os signos

Publicidade