Blog do Gilberto Jasper

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Otimismo, apesar de tudo

Por Gilberto Jasper

 "O pessimista é um otimista bem informado".

O ditado vem ao encontro de uma convicção pessoal: os alienados são mais felizes no Brasil. Estes acreditam na bondade geral, acreditam que as barbaridades destacadas pela mídia são "acidentes de percurso", que o mundo é cor-de-rosa.

Nem um extremo, nem outro. O segredo - como ensinava meu falecido pais - está no equilíbrio, ponto muito difícil de atingir, mesmo na idade adulta. Mas cuidado: o pessimismo é uma erva daninha que se apodera de nós à medida que envelhecemos. 

Isso fica mais evidente ao conversar com meus filhos - jovens adultos de 20 e 21 anos. Muitas vezes diante, diante do entusiasmo de alguns projetos, evito repetir:

 - Lamento, mas já vi isto antes. Não vai dar certo, sei como vai terminar.

Mas às vezes é preciso abrir os olhos dos apaixonados para evitar frustrações traumáticas, embora as contrariedades da vida façam parte do amadurecimento. Mas é importante manter um mínimo de entusiasmo, sob pena de nos transformarmos - todos! - em velhos rabugentos, ranzinzas, do tipo "contra tudo e contra todos".

Nosso ano termina com incertezas que fazem do otimismo um exercício de quase alienação. Economia, ética, política, criminalidade, relações humanas. Tudo parece em crise, distante do ideal que se possa classificar de uma "sociedade civilizada".

Pelo segundo ano consecutivo tive perdas significativa junto ao meu círculo de amizades. Doenças, acidentes, tragédias. A morte espreita sorrateiramente, sem chances à preparações fundamental para amenizar seus efeitos. A cada tristeza, um misto de melancolia, revolta e inconformismo diante dos golpes.

A partida de amigos se assemelha à perda de um pedaço de nossa história. São personagens que ajudaram a forjar nossa personalidade. Participaram de momentos inesquecíveis de alegrias, compartilharam de tristezas avassaladoras, minimizaram perdas, foram solidários, parceiros, críticos pertinentes quando necessário para o nosso amadurecimento.

Um novo ano chega, reluzente de esperança, apesar de tudo. Não constitui tarefa fácil espiar pelo nevoeiro das crises algo melhor, encontrar um porto seguro onde atracar para viver, planejar, criar filhos, viver com segurança.

Fazer o que? Viver é uma experiência perigosa. Agradeço o privilégio de estar aqui, cercado de amigos, leitores compreensivos, familiares a me consolar. Que 2016 ofereça um atracadouro sólido para que as marés e marolas não nos engulam. É o mesmo desejo a todos.

 

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