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Blog do Coluna do Leitor

22 de Março - Dia Mundial da Água: o que ainda precisamos saber

Por Coluna do Leitor

Neide Piran

Profª de Geografia (aposentada)?

Lembrar-se do Dia Mundial da água não é só importante, como de extrema conveniência. Creio já haver um consenso mundial sobre o significado social e político que ela tem. No entanto, relembrar os compromissos que ambientalistas, governantes e sociedade civil em geral já ratificaram em inúmeros Encontros globais, talvez, ainda seja preciso.

Assim, informo que, de acordo com o Committee on Economic, Social and Cultural Rights (2002) : « A água é um  direito humano, uma vez que essa é uma precondição indispensável para alcançar os demais direitos humanos. Sem o acesso equitativo a uma quantidade mínima de água potável, os outros direitos estabelecidos tornam-se inalcançáveis, como por exemplo, o direito a um nível de vida adequado para a saúde e o bem estar, assim como os direitos civis e políticos".

Ainda, num pressuposto filosófico profundo, as discussões internacionais sobre o direito à água ratificaram que ela "não é somente uma herança dos nossos predecessores, mas, sobretudo, um empréstimo para as presentes gerações e cuja proteção se constitui numa obrigação moral da humanidade para as gerações futuras".

Essa cumplicidade assumida considera, então, que a água é um "bem" e não "um recurso, uma mercadoria", por ser totalmente indispensável à vida humana e a de outros seres vivos aqui existentes. Quando tratamos a água como "recurso" significa dizer que pode ser explorada economicamente. Por isto, os princípios ético-filosóficos que subjazem ao seu uso há muito estão sendo descumpridos. Isto jamais deveria ter acontecido.

E quais as razões desse descumprimento apesar de ser um bem universal que todos têm direito?

Vários são os motivos, dentre eles os inúmeros processos que conduzem à sua privatização, passando a ser propriedade de alguém ou de um grupo, no que tange ao abastecimento doméstico, agrícola e industrial.

Em nível mundial já a algum tempo, formaram-se e vêm se formando poderosos cartéis, os quais compram bacias hidrográficas inteiras, o que inclui suas terras e a água subterrânea também, tanto de seus países como de outros,  transformando a água numa commodities geradora de lucros incalculáveis.

Esses cartéis prestam os mais variados serviços hídricos para os diferentes setores (agricultura, comércio e indústria) uma vez que sem água nada pode ser produzido. E isto significa dizer que o bem de que falamos se "esconde" por trás de todo processo produtivo e nós, poucas vezes nos damos conta disso. É a chamada "água virtual" que não só é consumida no seu país de origem, como exportada através de produtos como cereais, carne, bens industriais, etc.

Muitos países que já não dispõem mais de tanta água deixaram de produzir alimentos, importando-os de outros fornecedores e cuja água está ali presente. Não que isto seja algo  inconveniente, porque, afinal, vivemos num mundo globalizado. Porém, é bom tomar conhecimento disto para que não sejamos "inocentes úteis".

Voltando aos cartéis, a ambientalista canadense Maude Barlow vem mostrando ao mundo como eles acontecem em seus vários livros, dentre eles "Ouro Azul" e "Pacto Azul", os quais se apropriam da água num processo nem sempre pacífico, onde o poder do dinheiro permite tudo. Eles têm tecnologia avançada para sua captação, usos os mais variados e sua transformação em alimentos também: água "in natura" mesmo, chás, sucos, refrigerantes e outras bebidas em geral.

Para desafiar a curiosidade sobre o assunto cito apenas  alguns exemplos de grandes empresas de serviços hídricos: a Suez (franco-belga), a Veolia Environment (França),  a Thames Water (Alemanha), a SAUR (França), a Agbar (Espanha), a Aqua-Mundo (Alemanha), conforme Maude Barlow, pesquisadora canadense, 2009). Aqui no Brasil, as mais conhecidas são a Coca-Cola, a  Pepsi-Co, a Suez, a Nestlé, a Ambev. A leitura dos rótulos quando adquirimos aqueles alimentos acima referidos nos deixam a par sobre quem são os donos dos mesmos.

Penso ainda ser importante neste dia Mundial da água informar ou relembrar que sem água nada pode ser produzido. E para que a consciência em economizá-la (o desperdício é inacreditável) faz-se indispensável falar da Pegada Hídrica que todos nós temos, com raríssimas exceções. Trata-se do cálculo de quanto cada um consome de água, principalmente a água embutida nos produtos que fazem parte do nosso cotidiano.

Dizem os especialistas no assunto que uma das possibilidades de verificar o quanto consumimos é através do nosso cardápio e estilo de vida. Pra este momento, apenas alguns exemplos da quantidade de água virtual presente (em litros): uma calça jeans: 9982; um par de sapatos de couro bovino: 8547; montagem de um carro: 400.000; um smarthone: 12.760; quinze minutos de banho: 240; um quilo de chocolate: 17.196; 250 ml de cerveja: 74; uma taça de vinho: 109; Um quilo de manteiga: 553; uma maçã: 125 litros; um quilo de carne

Cada pessoa consome diariamente de 2 mil a 5 mil litros de água invisível (água virtual) de acordo com a ONU e divulgação pelo Instituto Akatu (Brasil).

No entanto, essa água engarrafada está recebendo várias críticas, por alguns motivos preocupantes: 1. Os PETs não são sustentáveis, pela grande quantidade que acabam sem reciclagem ou em lugares inadequados como nos oceanos, podendo se transformar em microplástico. 2. Os plásticos contêm compostos químicos tóxicos que passam para a água como os ftalatos, o benzeno e o arsênico, os quais são dados como cancerígenos, podendo afetar o fígado, rins e pulmão. Os ftalatos provocam alterações hormonais por suas propriedades xenoestrógenas.

Mas qual é a diferença de consumir a água engarrafada e a da torneira? A engarrafada você tem que pagar por ela, pois não lhe pertence. Pertence aos grupos acima descritos, entre outros. A água da torneira você não paga. Como é? Sim, se ela é pública você só paga o trabalho que a CORSAN faz para levar-lhe até sua moradia  (encanamento, tratamento, distribuição, etc.), mas não a água.

Outro aspecto importante é a contribuição que podemos dar para economizar água.

Como é possível? Entre outras, controlar a pegada hídrica.

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