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Blog do Coluna do Leitor

Rogério Vaz de Oliveira

Uma Caixa, uma Surpresa!

Por Coluna do Leitor
Foto Rogério Vaz de Oliveira

Rogério Vaz de Oliveira
Relações Públicas, 
rogeriovazbr@gmail.com 

 

Sou amante de livros e creio que são a melhor criação da humanidade. É neles que são eternizadas vidas, histórias e mundos extraordinários, é uma máquina do tempo. O livro tem esta magia, sem sair de nosso sofá ultrapassamos fronteiras, vivemos angústias e felicidades dos personagens, vivemos outras vidas. Já vaticinaram sua extinção muitas vezes e supreendentemente ainda mantem-se firmes e fortes. Não morrerá, apesar da crise no mercado literário, muitas livrarias estão fechando suas portas, o mercado está modificando e o leitor está se adaptando.

Frente a este cenário ressurgiram os Clubes de Livros, como o Círculo do Livro, que enviava mensalmente um livro por escolha do leitor ou de forma aleatória. Ambas colocavam-nos em suspense, pois a imagem da capa e uma pequena resenha iram ditar nossa decisão e se fosse errada, o livro teria um triste destino de fundo prateleira e o empoeiramento eterno, ou pior o lixo, o maior crime que um leitor possa fazer, condenação sumária e sem júri ou leitura, o lixo nunca deveria ser o destino de um livro. Doe, presenteie ou crie coragem e enfrente-o, leia-o! Cada autor deposita sua alma na obra que escreve, a pergunta que faço, temos o direito de condená-lo? Sua Alma? Sua Obra? Seu Livro?

Assino um clube de livros e a essência permanece, chega uma caixa e uma surpresa, é ao abrirmos que descobriremos o que leremos. É uma experiência literária. Muitos dirão que é submetermos nossas preferências à outros que nem ao menos sabem a cor de nossos olhos e que a sensação de ir a uma livraria, pegar o livro, acariciar sua capa, sentir o aroma das páginas ao folhear e imaginar o conteúdo lendo a resenha, da contra capa ou de sua orelha, é insubstituível.

Agora há outros, e aí me incluo, contam os dias para a chegada da "caixinha" e a surpresa, e não é só o livro que chega, há uma revista para complementar a leitura, um marcador de página e um "mimo". Tudo para apaixonar o leitor! Criar vínculos com a obra que irá descobrir. Inicia-se a aventura, conhecer o autor, seus livros e a sua trajetória literária, surpreendentemente criamos um relacionamento. 

Finalizei a pouco a leitura de "As Últimas Testemunhas", da escritora russa Svetlana Alexijevich, Nobel de Literatura. Iniciei sua leitura despreparado emocionalmente. Um grande erro, histórias de guerra sempre são impactantes e não nos poupam. Svetlana traz 100 relatos de sobreviventes russos da 2ª GM, crianças na época com 4 a 13 anos. Foram testemunhas de atrocidades e descrevem com inocência, em alguns momentos e em outros com enorme frieza, demonstrando que suas infâncias foram roubadas.

Difícil é desligar-se deste livro, a cada história uma versão da crueldade humana, a insanidade de uma guerra e a capacidade doentia de afetar física e psicologicamente pessoas, famílias e gerações. É impossível ler "As Últimas Testemunhas" sem se comover. O livro é devastador.

Barbara Tuchman disse que os livros são os portadores da civilização. Sem eles a história se cala, a literatura emburrece, o pensamento e a pesquisa se interrompem. São as máquinas da mudança, as janelas do mundo, os faróis em meio ao mar do tempo. 

Eu agradeço a uma Caixa, uma Surpresa!

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