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Os gumes das palavras

Por Coluna do Leitor

- Luana Andretta (luanaandretta15@hotmail.com)

É bastante óbvio dizer que nós, seres humanos, necessitamos de contato, interação e compartilhamento de ideias ou opiniões para manter nosso lado “sociável” e “civilizado” conservado. Assim, através da língua, e sua concretização por meio da fala, usufruímos do mais poderoso e completo meio de comunicação existente: a palavra. É partir dela que deixamos nossa marca no mundo e temos em mãos a possibilidade de transformar a realidade em que vivemos.

Dessa forma, muito se fala e se ouve falar do poder das palavras, do quanto elas podem nos aprisionar ou libertar, nos ferir ou curar, nos apagar ou incendiar. O fato é que muitos de nós acabam desconstruindo todo esse poder que as palavras têm ou conferindo a elas uma aura quase mítica como se proferi-las garantiria que todos nossos erros fossem deletados.

De uma maneira mais concreta, trago dois exemplos. O primeiro deles é o famoso e espontâneo “tudo bem”. Ele se tornou tão automático em nossas relações diárias que, mesmo quando as coisas não estão bem, dizemos que estão. Essa automatização é uma das vilãs da sociedade moderna, mas estamos tão acostumados a fazer tudo em uma sequência regular, como robôs, que não percebemos o quanto esse fato atinge nossas próprias palavras.

O segundo exemplo é a palavra “desculpa”. Etimologicamente falando, ela tem raízes no Português, com o prefixo ‘des’ no sentido de negação, e no Latim ‘culpa’ que significa ‘erro’. Portanto, pode ser tomada como a vontade de “afastar o erro” ou, a grosso modo, “afastar a culpa”. De uma ou outra maneira, essa palavra, ultimamente, costuma sair de nossas bocas com uma frequência espantosa: dos pequenos atos falhos aos grandes erros, pensamos que ela pode atuar como uma borracha em tudo o que fizemos, até sobre as ações que não teriam perdão. Assim, a partir da ideia de que tudo ela pode dissipar, continuamos praticando os mesmos erros e usando-a como desculpa para afastar nosso remorso.

 Nesse contexto, não há como negar que vivemos em um paradoxo: de um lado, enchemos nossas palavras de vazio, tornando-as monocromáticas, destituindo-as do valor de expressão que possuem, e de outro, conferimos a elas uma conotação etérea, abarrotamo-las com uma responsabilidade descomunal e pensamos que elas podem remendar o que nossos atos não foram capazes de costurar.

Será que estamos pensando bem no que proferimos? Será que estamos, simplesmente, pesando? Ou tudo que sai de nossas bocas acaba não passando por um filtro e, consequentemente, não damos atenção ao impacto que elas causam tanto em nossa vida quanto na dos que nos cercam? Nossas palavras são facas de dois gumes: possuem aspectos positivos e são extremamente práticas, mas basta um descuido para sairmos feridos.   

Por fim, a você, leitor, deixo um último e essencial questionamento:  o que  está fazendo com suas palavras?

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