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Blog do Coluna do Leitor

A Realidade que existe

Por Coluna do Leitor

O que é a realidade? Embora aparentemente simples na verdade é uma questão complexa que vem ocupando o pensamento ocidental acerca de 2.400 anos.

Para um sofista pré-socrático, a realidade era o que se poderia desenvolver no discurso e que pudesse convencer seu ouvinte com o único objetivo de vencer o debate. Assim a realidade adquiria uma relatividade imposta pela destreza de quem falava ou a burrice de quem ouvia.

Sócrates é o primeiro pensador grego a romper com esta ideia, para ele a verdade deveria ser absoluta e independente do discurso. Sócrates dá o primeiro passa em direção ao que viria a ser o mundo ocidental que conhecemos.

Para Platão, um dos mais brilhantes e ativos dentre os discípulos de Sócrates, a realidade como a percebemos é uma cópia malfeita de uma matriz mais pura e exata que nossos sentidos não podem captar (daí o famoso mito da caverna).

Na sequência, Aristóteles, o maior dos discípulos de Platão, contradiz o mestre ao afirmar que a realidade é exatamente o que nossos sentidos percebem, externa e independente do eu interior. Aristóteles lança as bases do que viríamos a conhecer como “ciência” no mundo contemporâneo.

É também de Aristóteles a ideia do primeiro motor imóvel que, sendo o elemento primordial do movimento, não é movido por ninguém (um esboço rudimentar do Deus transcendente Judaico-cristão).

No pensamento Cristão que viria a alicerçar o ocidente, a realidade é percebida como uma criação divina em cuja temporalidade habita as coisas e os seres, dentre eles o homem, todos independentes entre si e contidos na mesma ideia divina que, embora contendo a todos, não é contido por nem um deles.

Pueril para qualquer cristão, esta ideia encerra um princípio profundo, o de que a realidade é o que percebo com meus sentidos e, principalmente, independente da minha existência, da minha vontade ou de meu discurso.

Para um cristão a única forma de conhecer a verdade é pela revelação, tentar encontra-la pela “ciência” equivale à tentativa infrutífera de ficar seco sem sair de dentro da água, como talvez dissesse São Tomaz de Aquino o grande filósofo escolástico e o maior dos doutores da igreja que, como poucos, percebeu o que é e ao que serve a realidade.

Esta verdade inquestionável que perdurou por quase 2000 anos começa a sofrer alguns abalos mais sérios a partir do iluminismo e particularmente das ideias do filósofo alemão Immanuel Kant (1724 – 1804) que dando sequência aos pensamentos de Descartes (1596 – 1650), passando por Espinoza (1632 – 1677), para ficar apenas nestes dois, acaba por preconizar a impossibilidade, inerente ao eu interior, de perceber a realidade exterior como ela é. A partir de Kant a realidade passa a ser encarada como mera projeção criada na mente de quem percebe, ou para alguns uma nova forma sofista de entender o mundo.

Esta visão Kantiana começa a ter uma profunda influência em um mundo que tecnologicamente amplia a percepção do indivíduo, alargando a realidade que podia ser apreendida pelo campo da visão e que agora, cada vez mais, nos chega pela retórica do outro, ironicamente a grande arma dos antigos sofistas.

Passamos a perceber o mundo pelo que ouvimos e isto, em última análise, depende da intenção e da vontade de quem fala e informa. O relativismo passa a se sobrepor ao absoluto, criando uma “verdade” que somente existe na imaginação do ouvinte e que, na maioria dos casos, consegue sobrepor-se a verdade que de fato ele enxerga.

Esta percepção ilusória da realidade também traz a panaceia revolucionária da perfeição social, impossível de ser atingida em um mundo real em função de sua mutabilidade temporal, mas perfeitamente viável na nova realidade imaginativa que só existe na fantasia do discurso.

A cada dia mais palavras perdem seu real significado, servindo muito mais ao discurso ideológico do que a compreensão do mundo real que nos cerca. Palavras como ciência, pandemia, democracia e tantas outras adquirem novos significados e proporções à medida que o momento político exige.

Vivemos próximos a uma distopia orwelliana e, neste caminho, empregando toda forma de discurso, afirma-se dia a dia o império do relativismo social do qual nada poderá advir que não sejam tiranos e estados totalitários.

 

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