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Blog do Coluna do Leitor

Vai com Deus!

Por Coluna do Leitor

Eliane Santolin - Jornalista
Assessoria de Comunicação Social - ASCOM

De longe se via a cena em frente ao lugar do único destino certo que temos nesta vida. Os que ali estavam para a última homenagem ao amigo querido tinham nas mãos balões com a cor da paz. E chegavam outros mais para se juntar em torno de um silêncio que até então não tinham experimentado juntos. Tantos foram os encontros barulhentos, coloridos, cheios de risos e brindes. Quantas festas.

Neste dia sem cor sentiam o amargo silêncio da perda. Era o primeiro amigo desta turma que partia. Quanta tristeza. Durante a espera, as lembranças. Cada capítulo da história que os unia há mais de 40 anos pareceu passar como um filme nas memórias dos amigos que, na partida de um deles, se deram conta da grandiosidade dessa obra.  Sim, era uma belíssima história. Dos anos de convivência dentro de uma sala de aula, passando pela ousadia de formar um bloco de carnaval, pela alegria de passar no vestibular, de se tornar um profissional, de casar, de ter filhos, netos. Viveram muita coisa juntos unidos pelo sentimento de amizade verdadeira.

A emoção encheu o coração dessa turma fiel. Uma fidelidade que os fez empunhar nas mãos, à espera do cortejo, os balões brancos escolhidos para homenagear e reverenciar o grande homem que vinha naquele carro. E ele foi avistado. Conforme se aproximava crescia o sentimento de que o tempo não volta atrás. Nada mais seria como foi até então. Um deles ia sempre faltar. Nenhum encontro mais seria completo. Os abraços que transmitem o calor do carinho que tantas vezes eles puderam dar, foram substituídos por um longo aplauso. As mãos se uniram para uma salva de palmas a aquele que era um dos protagonistas da história feliz de vida deste bloco de carnaval e que deixava uma lacuna que ninguém preencheria.

O carro ia passando e deixando para trás um rastro de incredulidade. Nos semblantes a expressão do quanto a dor tomava conta de cada um que sabia da grandeza daquele companheiro que tanta falta já fazia.  Quando finalmente o amigo descansou na morada eterna, finalmente também eles tiveram a certeza de que no coração deles existia um sentimento nobre, raro e valioso: o amor.  Um amor que foi se multiplicando ao longo das décadas, acolhendo outros mais que chegaram e os mantendo unidos atravessando o tempo. Foi com os corações cheios deste amor que nesta hora eles não mais cantaram sorrindo o hino do Bloco Nabuum, mas murmuraram chorando: “Vai com Deus Coffy, nosso amigo amado!”  

 

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